A extensão universitária na pós-graduação em geografia: desafios e potencialidades na articulação universidade-escola
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Resumo
O texto resulta da análise do processo extensionista desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) e busca compreender os limites e as potencialidades da Extensão Universitária a partir das experiências empíricas realizadas por meio de um Projeto de Extensão aprovado pela Capes, no edital Proext-PG, com duração de três anos. São apresentados e analisados os dois primeiros anos de execução do projeto, período que coincide com o desenvolvimento da pesquisa de mestrado. O estudo parte da compreensão da Extensão Universitária como dimensão constitutiva da universidade pública brasileira que, articulada ao ensino e à pesquisa de Geografia, ultrapassa sua função formativa estrita e se consolida como instrumento de impacto social. Nesse sentido, problematiza-se em que medida as ações extensionistas desenvolvidas na pós-graduação contribuem para a efetivação das Diretrizes Nacionais de Extensão estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação em 2018, especialmente no que se refere ao impacto na formação discente, à construção de diálogo com setores sociais historicamente afastados da universidade, à promoção da interdisciplinaridade e da Interprofissionalidade, à indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e à ampliação do impacto social. A metodologia fundamenta-se na pesquisa participante, considerando o envolvimento direto do pesquisador em todas as etapas do projeto, desde o planejamento até a execução e a análise das atividades, não como mero observador, mas como sujeito ativo no processo. A inserção no cotidiano de duas escolas estaduais de Alfenas, no sul de Minas Gerais, por meio da Geografia Escolar possibilitou o desenvolvimento das ações propostas pelo PPGEO e evidenciou tanto as potencialidades quanto os limites da experiência. Embora as atividades tenham buscado se constituir por meio do diálogo entre universidade e escola, o processo foi marcado por tensões e ruídos decorrentes das trajetórias institucionais distintas e de práticas historicamente pouco dialógicas. Constatou-se que o impacto na formação discente depende da ampliação de espaços sistemáticos de reflexão sobre a prática, os quais se apresentam como necessidade ainda não plenamente concretizada. Também foi possível observar que o princípio da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão nas práticas que envolveram situações em sala de aula por meio do conteúdo de geografia, mostrou um grande potencial e gerou bons resultados; já a interdisciplinaridade, embora tivesse potencial de ser melhor explorada, foi limitada pela baixa adesão dos professores das escolas no processo de elaboração das aulas. Em relação a diretriz impacto social, embora seja de difícil mensuração, a relação construída com os estudantes em uma das escolas evidencia indícios da sua realização, ainda que não seja possível afirmar transformações institucionais ou na comunidade, observa-se ampliação do repertório crítico dos estudantes e o fortalecimento do vínculo entre a universidade e escola públicas, elementos que sinalizam a construção processual da diretriz. Assim, apesar dos desafios e tensões encontrados, a experiência analisada evidencia o potencial da extensão universitária como instrumento de inserção social da pós-graduação, desde que acompanhada de condições efetivas para sua consolidação, tanto formativa como transformadora.
