Fitotoxidade do cobre em duas hortaliças e o efeito da adição de vermicomposto no solo
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Resumo
A contaminação do solo por metais pesados, em particular o cobre (Cu), é um desafio ambiental e agrícola de relevância global, demandando estratégias imediatas e sustentáveis de remediação. Embora o Cu seja um micronutriente essencial, seu excesso no solo é fitotóxico e pode comprometer a segurança alimentar. Esta dissertação teve como objetivo geral avaliar os efeitos da toxicidade do Cu sobre o crescimento, morfologia, fisiologia e estado nutricional de duas hortaliças amplamente consumidas, a rúcula (Eruca vesicaria subsp. sativa) e a cebolinha (Allium schoenoprasum L.), e investigar o potencial do vermicomposto em atenuar esses efeitos e favorecer a acumulação do metal. Hipotetizou-se que o vermicomposto, rico em matéria orgânica, melhoraria o crescimento das plantas e aumentaria a absorção de Cu. Foram realizados um experimento para cada espécie em estufa e em vasos com doze tratamentos, combinando seis concentrações de Cu (0, 50, 100, 200, 400 e 800 mg dm-3 ) com a presença ou ausência de vermicomposto. Tanto no experimento da rúcula quanto da cebolinha avaliou-se a composição química dos substratos em 0, 30 dias e no final de cada experimento. Também se avaliou o crescimento, a biomassa total, parâmetros morfológicos radiculares e o teor de Cu nos tecidos vegetais (folhas, caules/bulbos e raízes). Adicionalmente para a rúcula também foram avaliados a fluorescência da clorofila a e as trocas gasosas foliares. Ambas as hortaliças exibiram fitotoxicidade dose-dependente, manifestada pela redução de crescimento e biomassa nas concentrações mais elevadas de Cu (800 mg dm-3 ). No entanto, um achado em comum a ambas as espécies foi o padrão de acúmulo de Cu: o metal foi predominantemente sequestrado/acumulado nas raízes (raízes > parte aérea para a rúcula, e para a cebolinha, raízes > bulbos > folhas). Essa estratégia de exclusão, característica da fitoestabilização, limitou a translocação para a parte aérea, mantendo as concentrações de Cu nas folhas de ambas as culturas dentro dos limites considerados normais e seguros para o consumo humano. A eficácia do vermicomposto na interação cobre-solo-planta variou entre as espécies e doses, o que reforça o valor de uma análise integrada. Para a rúcula, o vermicomposto não alterou a morfofisiologia, mas também influenciou positivamente o acúmulo radicular na dose de 400 mg dm-3, reforçando a capacidade de rizofiltração dessa espécie. Para a cebolinha, a adição de vermicomposto em doses intermediárias de Cu (200 e 400 mg dm-3 ) foi positiva, aumentando a tolerância (melhoria da biomassa e da arquitetura radicular) e maximizando o sequestro radicular do Cu. Este potencial dual (mitigação da toxicidade e fitoestabilização otimizada) posiciona a cebolinha como uma espécie promissora para a remediação de solos moderadamente contaminados com auxílio do vermicomposto. Este estudo contribui ao campo da agricultura sustentável e remediação ambiental ao fornecer dados integrados sobre a tolerância ao estresse por cobre de duas hortaliças de grande consumo. As descobertas destacam as ontribuições práticas do uso estratégico do vermicomposto, um insumo de baixo custo, como condicionador que otimiza a fitoestabilização do Cu no sistema radicular em condições de contaminação moderada, garantindo a segurança alimentar. São duas culturas candidatas viáveis para a gestão sustentável de solos contaminados.
