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Submissões Recentes

ItemEmbargo
Efeito de extratos de Hymenaea courbaril L. na ação tumoral e citogenotóxica induzida pela quimioterapia em camundongos portadores de melanoma
(2026-02-26) Graciano, Maria Jimena; Oliveira, Pollyanna Francielli de; Cintra, Dennys Esper; Ferreira, Eric Batista
O melanoma é um tipo de câncer de pele com alta capacidade metastática. Embora eficaz no tratamento de diversos tipos de tumores, a cisplatina (CDDP) apresenta elevada toxicidade sistêmica, especialmente para órgãos como o rim e o fígado. Neste contexto, estudos que investigam extratos vegetais como potenciais adjuvantes à quimioterapia visam reduzir a toxicidade sistêmica sem comprometer a eficácia antitumoral. Hymenaea courbaril L., conhecida no Brasil como Jatobá, é uma espécie vegetal com atividades antioxidantes e anti inflamatórias descritas na literatura. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos sistêmicos dos extratos orgânicos da casca (HCC), da polpa (HCP) e das sementes (HCS) do fruto de H. courbaril L. em camundongos com melanoma induzido submetidos à quimioterapia com CDDP. Foram utilizados camundongos machos da espécie Mus musculus, linhagem C57BL/6, nos quais foram implantadas células de melanoma murino B16-F10. Após o tumor atingir a área de 0,7 cm², os tratamentos foram iniciados e administrados uma vez ao dia por 5 dias consecutivos. A CDDP [7 mg/kg de peso corporal (pc)] foi administrada por via subcutânea (sc). Os extratos HCC, HCP e HCS foram administrados por via oral (vo) nas doses de 100 e 200 mg/kg pc (HCFP, HCP) e de 6,25 e 12,5 mg/kg pc (HCS). A atividade antitumoral foi avaliada por meio da mensuração do peso e área tumoral. A toxicidade sistêmica foi avaliada por parâmetros bioquímicos, incluindo ureia, creatinina, aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT) como também por análise de citotoxicidade e genotoxicidade na medula óssea. A associação dos extratos (HCC) e da polpa (HCP) com a CDDP manteve efeito antitumoral semelhante ao da CDDP isolada. Em contraste, a associação do extrato HCS com a CDDP resultou em menor redução tumoral em relação à CDDP. O tratamento isolado com HCC (200 mg/kg) reduziu significativamente o peso tumoral em relação aos controles implante (CI) e solvente (CS), enquanto os demais extratos isolados não apresentaram efeito significativo. O consumo alimentar foi semelhante entre os grupos, exceto no grupo HCC100 + CDDP. A eficiência alimentar foi positiva apenas no controle negativo (CN) e significativamente menor nos grupos HCC200 + CDDP e HCP200 + CDDP quando comparados ao grupo CDDP. Não foram observadas diferenças significativas na glicemia de jejum entre os grupos tratados. O peso relativo dos órgãos (fígado, rins e baço) não apresentou alterações significativas. Os parâmetros bioquímicos séricos (ureia, creatinina, AST e ALT), como também as análises de citotoxicidade e genotoxicidade na medula óssea, não indicaram efeito protetor dos extratos frente à toxicidade induzida pela CDDP. Os dados evidenciam que os extratos de Hymenaea courbaril L. exercem efeitos distintos quando associados à quimioterapia, destacando que o extrato HCS pode interferir negativamente na eficácia da CDDP, exigindo cautela em seu uso. Em contraste, o extrato HCC apresentou potencial antitumoral independente, sem induzir toxicidade sistêmica. Esses achados reforçam a necessidade de avaliações criteriosas antes da aplicação de produtos naturais como adjuvantes terapêuticos.
ItemAcesso aberto (Open Access)
Decolonialidade na alimentação brasileira
(2025-06-24) Cardozo, Lívia; Lima, Thaís Oliveira de; Rezende, Eliane Garcia; Alves, Cristina Garcia Lopes; Murta, Nadja Maria Gomes
Introdução: O Brasil, assim como outros países da América Latina, é objeto de estudos sobre decolonialidade, um conceito que busca desconstruir normas e perspectivas coloniais que afetam povos subalternizados. Com a chegada de imigrantes de diversas etnias, a culinária brasileira se tornou mais rica e diversificada. Esses grupos não apenas trouxeram novas tradições alimentares, mas também conhecimentos sobre cultivo e manejo de plantas, frutas e cereais. Assim, é relevante investigar a decolonialidade na alimentação brasileira, analisando como as influências da colonização contribuíram para uma identidade gastronômica. Objetivo: Investigar e descrever quais práticas alimentares são nativas do Brasil, identificando os alimentos nativos e analisar as práticas alimentares estruturais introduzidas pelos colonizadores portugueses, e assim refletir sobre a possibilidade da decolonialidade na alimentação brasileira. Metodologia: Estudo caracterizado por ser uma revisão bibliográfica narrativa, tomando como base algumas obras clássicas da literatura selecionadas intencionalmente que tratam da alimentação no Brasil, dissertações e artigos científicos que abordam o tipo de alimentação no período colonial, de povos nativos e africanos, bem como a globalização de alimentos no período das navegações. Os descritores de busca, pesquisados na forma e/ou, foram: decolonialidade; colonialidade; colonialismo no Brasil; alimentação indígena no Brasil; história da alimentação no Brasil; hábitos da culinária colonial no Brasil; verificados nas línguas português e espanhol. Resultados: Encontrou-se a possibilidade de construir uma lista de alimentos que podem ser classificados como nativos, além de identificar práticas alimentares que resistiram à colonização, e que caracterizam a identidade gastronômica brasileira.
ItemAcesso aberto (Open Access)
Estudo da mucoadesão de hidrogéis pelo método de escoamento de fluidos
(2026-02-04) Argento, Letícia; Carvalho, Flávia Chiva; Pereira, Gislaine Ribeiro; Leite, Mateus Freire
Os sistemas mucoadesivos destacam-se pela sua capacidade de aumentar o tempo de residência de uma formulação nas mucosas. Esses sistemas baseiam-se em interações físicas e químicas entre o material mucoadesivo e a mucosa, que permitem uma adesão prolongada, promovendo uma liberação sustentada do princípio ativo. Neste contexto, o presente estudo propõe o desenvolvimento de um método analítico in vitro para a avaliação da mucoadesão de hidrogéis, com o intuito de fornecer uma ferramenta eficaz e acessível para a caracterização desses sistemas. Para isso, foi adotado o método de escoamento de fluidos, que simula as condições dinâmicas do fluxo salivar humano, utilizando mucosas suínas previamente higienizadas. Estas mucosas foram montadas em um suporte fixo e semicilíndrico, mantido sob hidratação contínua com saliva artificial, por meio de uma bomba peristáltica. A escolha do hidrogel de referência foi o policarbofil 0,2%, um material amplamente reconhecido na literatura por sua alta capacidade mucoadesiva. A comparação foi realizada com uma solução salina, ambas contendo fluoresceína sódica como marcador. A espectroscopia de fluorescência foi escolhida devido à sua simplicidade operacional, alta sensibilidade e baixo custo, tornando-a uma excelente ferramenta para a análise da mucoadesão. O método proposto foi validado, apresentando resultados satisfatórios quanto à linearidade e especificidade, o que garante a confiabilidade dos dados obtidos. Os resultados do estudo mostraram que o policarbofil 0,2% apresentou menor mucoadesão em comparação com a solução salina, evidenciando alguma possível interação entre o policarbofil e a fluoresceína sódica, o que teria diminuído a capacidade mucoadesiva do policarbofil.
ItemAcesso aberto (Open Access)
Digestão simulada in vitro e liberação de peptídeos bioativos de globulina total de grão-de-bico (Cicer arietinum L.) da cultivar GB Cappuccino
(2026-02-20) Borim, Lara Campos; Tavano, Olga Luisa; Paulino, Alice Helena de Souza; Pessato, Tássia Batista
As proteínas de leguminosas têm despertado crescente interesse devido ao seu potencial para a liberação de peptídeos bioativos durante a digestão humana. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo investigar o potencial de liberação de peptídeos bioativos a partir da fração globulina extraída do grão-de-bico (Cicer arietinum L.) da cultivar GB Cappuccino, por meio de digestão gastrointestinal simulada in vitro, bem como avaliar suas bioatividades e a influência das faixas de peso molecular e dos compostos fenólicos. Para isso, os grãos foram submetidos a três tratamentos distintos para obtenção das farinhas: grão integral, grão descascado e grão descascado submetido à extração de compostos fenólicos com acetona 70%. A partir dessas farinhas, a fração globulina foi isolada, quantificada e caracterizada, sendo comparadas globulinas extraídas na presença e ausência de compostos fenólicos. Em seguida, as amostras foram submetidas à digestão simulada, e os hidrolisados obtidos foram fracionados de acordo com o peso molecular dos peptídeos. As bioatividades avaliadas incluíram o potencial inibitório sobre a α-glicosidase, a inibição da enzima conversora de angiotensina (ECA) e a atividade antioxidante, determinada pelos métodos ABTS, DPPH e FRAP. Os resultados demonstraram que a fração globulina constitui a principal fração proteica do grão-de-bico GB Cappuccino e apresenta elevada suscetibilidade à hidrólise enzimática, favorecendo a liberação de peptídeos de diferentes faixas de peso molecular. A presença ou ausência de compostos fenólicos não promoveu alterações significativas no perfil estrutural das globulinas. Os hidrolisados apresentaram potencial não inibitório sobre a α-glicosidase, porém relevante atividade antioxidante e consistente capacidade de inibição da ECA, com valores de IC₅₀ semelhantes entre os diferentes grupos avaliados, indicando preservação da bioatividade independentemente do tratamento da farinha. Entretanto, as variações observadas no comportamento dose–resposta sugerem a necessidade de estudos adicionais para elucidar os mecanismos envolvidos, especialmente quanto à interação entre peptídeos e compostos fenólicos. De forma geral, os resultados indicam que as globulinas do grão-de-bico GB Cappuccino representam uma fonte promissora de peptídeos bioativos, com potencial aplicação no desenvolvimento de ingredientes funcionais e nutracêuticos.
ItemAcesso aberto (Open Access)
Efeitos in vitro do canabidiol na citotoxicidade induzida por metil-éster de anidroecgonina em astrócitos hipocampais: participação dos receptores cb1 e trpv1
(2026-02-25) Patrocínio, Talita Bárbara; Leitão, Silvia Graciela Ruginsk; Godoy, Lívea Dornela; Ventura, Renato Rizo
O consumo de crack envolve a inalação da cocaína e de seu principal produto de pirólise, o metil-éster da anidroecgonina (AEME), um composto neurotóxico capaz de induzir estresse oxidativo e apoptose. No entanto, seus efeitos sobre células gliais permanecem pouco conhecidos. Considerando que os astrócitos são as células gliais mais abundantes do SNC e essenciais para a homeostase neuronal e o sistema antioxidante, este estudo avaliou os efeitos do AEME sobre a viabilidade, os níveis de cálcio intracelular, a reatividade e capacidade antioxidante de astrócitos hipocampais, bem como a possível modulação pelo canabidiol (CBD) e a participação dos receptores CB1 e TRPV1. Astrócitos hipocampais de ratos neonatos foram expostos, por 2 h 30 min, a CBD (10 μM), rimonabanto (RIMO, 1 μM), capsazepina (CAPS, 30 μM) e AEME (0,1 mM), isoladamente ou em combinações. A viabilidade celular foi avaliada pelo ensaio de MTT, a reatividade pela expressão de GFAP, os níveis de cálcio por ensaio colorimétrico e a capacidade antioxidante pelos níveis de GSH. Todos os procedimentos foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa Animal da UNIFAL (protocolo 0024/2025). O AEME reduziu significativamente a viabilidade dos astrócitos em relação ao controle (8,06 ± 0,42% vs. 99,99 ± 2,52%; p < 0,001). O CBD (66,75 ± 4,43%; p < 0,001), RIMO (77,62 ± 4,94%; p < 0,001) e CAPS (89,02 ± 1,44%; p < 0,001) isoladamente também diminuíram a viabilidade. A co-incubação de CBD com AEME atenuou parcialmente a toxicidade induzida pelo AEME (21,00 ± 1,05% vs. 8,06 ± 0,42%; p < 0,01). Tanto o AEME (p < 0,05) quanto o CBD (p < 0,01) aumentaram a expressão de GFAP, sem alterações significativas pela presença de antagonistas. O AEME aumentou significativamente os níveis de cálcio intracelular em comparação ao controle (114,58 ± 4,54 vs 395,22 ± 0,74; p<0,001). Esse aumento foi atenuado pela co-incubação com CBD + AEME (213,97 ± 3,50; p<0,01), RIMO + AEME (155,46 ± 8,70; p<0,001) e CAPS + AEME (151,49 ± 9,24; p<0,001). A presença dos antagonistas não aboliu o efeito redutor do CBD sobre os níveis de cálcio intracelular. Em relação ao GSH, a exposição ao AEME reduziu significativamente seus níveis em comparação ao grupo controle (3,32 ± 0,17 vs. 1,47 ± 0,36; p < 0,05). De forma semelhante, o tratamento isolado com CBD também promoveu depleção do antioxidante (3,32 ± 0,17 vs. 1,49 ± 0,16; p < 0,05). Por outro lado, a co-incubação de AEME com os antagonistas resultou em níveis de GSH significativamente maiores do que aqueles observados no grupo tratado apenas com AEME, tanto para RIMO + AEME (3,46 ± 0,16 vs. 1,47 ± 0,36; p < 0,05) quanto para CAPS + AEME (4,66 ± 0,01 vs. 1,47 ± 0,36; p < 0,01). Entretanto, a adição de CBD às combinações de AEME com os antagonistas resultou em uma redução significativa dos níveis de GSH em relação aos grupos tratados com AEME + CAPS (4,66 ± 0,01 vs. 1,28 ± 0,11; p < 0,01) e AEME + RIMO (3,46 ± 0,16 vs. 0,62 ± 0,12; p < 0,01). Portanto, os resultados indicam que o AEME reduz a viabilidade, aumenta os níveis intracelulares de cálcio, diminui os níveis de GSH e aumenta a expressão de GFAP nos astrócitos, enquanto o CBD isolado apresenta efeitos semelhantes. A combinação com CBD atenuou parcialmente a redução de viabilidade e o aumento de cálcio induzido pelo AEME, mas não preveniu alterações em GFAP ou GSH. A análise dos receptores CB1 e TRPV1 sugere que essas vias modulam principalmente os niveis de cálcio e a disponibilidade intracelular de GSH, sem impactar significativamente a viabilidade ou a reatividade astrocitária. Em síntese, nas condições empregadas, o CBD apresentou efeito dual, atenuando parcialmente a toxicidade induzida pelo AEME, mas impactando negativamente os astrócitos em condições basais.