Monitoramento dos níveis terapêutivos e tóxicos do carbonato de lítio em amostras biológicas de pacientes do Laboratório Central de Análises Clínicas da Unifal-MG (LACEN) por meio de desenvolvimentos de validação do método de espectrometria de absorção.
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Resumo
O carbonato de lítio tem se mostrado eficaz no controle de episódios maníacos e depressivos, o que contribui para a estabilização do humor em pacientes. Diante disso, este trabalho teve como objetivo monitorar os níveis terapêuticos e tóxicos do carbonato de lítio em amostras de soro sanguíneo de pacientes atendidos pelo Laboratório Central de Análises Clínicas da Universidade Federal de Alfenas (LACEN), considerando a importância do lítio no tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar. Esse transtorno apresenta uma faixa terapêutica estreita e risco de toxicidade quando o fármaco é mal administrado, sendo a concentração ideal entre 0,6 e 1,2 mEq/L, o que corresponde a 4 e 8 ppm. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo desenvolver, aplicar e validar um método analítico por espectrometria de absorção atômica em chama (FAAS) para análise biológica envolvendo metais. O preparo das amostras consistiu na digestão ácida do soro com 2 mL de ácido nítrico a 65% e 1 mL de peróxido de hidrogênio a 35%, seguido de aquecimento controlado a 200 ºC. Posteriormente, as amostras foram ressuspensas em meio ácido diluído (1,5 mL de HNO₃ 0,5M) e filtradas, com o objetivo de eliminar interferentes orgânicos e evitar danos ao equipamento. Os parâmetros de validação estudados neste trabalho seguiram os guias da ANVISA (Resolução-RE nº 899, de 29 de maio de 2003). O método apresentou resultados satisfatórios quanto à linearidade (2 a 24 ppm), precisão (<15%), exatidão (<±15%) e controle diário de qualidade, demonstrando-se eficaz para o uso no monitoramento terapêutico. Após a validação completa do método, trinta pacientes do LACEN serão analisados. Até o momento, foram coletadas amostras de cinco pacientes, com idades entre 22 e 77 anos, sendo quatro mulheres e um homem. O tempo de uso do medicamento entre esses pacientes variou entre 6 meses a 29 anos. Em suma, o protocolo em desenvolvimento apresenta potencial para contribuir significativamente com o monitoramento terapêutico do lítio, promovendo maior segurança e eficácia no tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar.
