Índice multicritério de sustentabilidade para mensuração das práticas sustentáveis da cafeicultura familiar do Sul de Minas Gerais.
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Resumo
A cafeicultura familiar no Sul de Minas Gerais desempenha um papel essencial na sustentabilidade do setor agrícola e na segurança alimentar brasileira. No entanto, os cafeicultores familiares enfrentam desafios estruturais, como a falta de valorização financeira e simbólica por suas práticas sustentáveis, o que compromete sua permanência no campo e a continuidade de modos de vida social e ambientalmente relevantes. As certificações de sustentabilidade do setor cafeeiro, embora difundidas e reconhecidas internacionalmente, muitas vezes impõem altos custos de adequação e não garantem retorno financeiro compatível, tornando-se cerceadas para a realidade da agricultura familiar. Tais limitações, advém, em grande parte, dos modelos convencionais de valoração baseados na economia neoclássica, e neste sentido, esta pesquisa se fundamentou na Economia Ecológica, que é uma proposta teórica alternativa, para propor um instrumento mais sensível à complexidade dos territórios: o Índice Multicritério de Sustentabilidade da Cafeicultura Familiar do Sul de Minas Gerais (IMS-CFSM). O objetivo principal foi desenvolver e aplicar esse índice de forma participativa, de maneira a estabelecer uma ferramenta técnica para mensurar a sustentabilidade de propriedades familiares e subsidiar a criação de políticas públicas de incentivo, como o Pagamento por Serviços Socioambientais (PSSA). A pesquisa seguiu uma abordagem multimetodológica, estruturada em três etapas: (I) análise crítica das principais certificações de sustentabilidade aplicadas ao setor cafeeiro, com identificação de lacunas e convergências; (II) diagnóstico das práticas e percepções dos cafeicultores familiares, com base em entrevistas e visitas técnicas, analisadas à luz da Sociologia Reflexiva de Pierre Bourdieu; (III) construção e validação do IMS-CFSM em oficinas participativas com agricultores e especialistas. O IMS-CFSM final contou com 31 indicadores e 70 perguntas guias. Sua aplicação em caráter de teste (proxy) revelou um nível de sustentabilidade de 76%. As dimensões ambiental e agronômica apresentaram os melhores resultados, enquanto a dimensão econômica destacou-se como a mais frágil, reforçando a urgência de mecanismos de valorização. Conclui-se que o IMS-CFSM é um instrumento metodologicamente robusto e socialmente legítimo, com potencial de orientar políticas públicas mais justas, fortalecer a agricultura familiar e reconhecer os serviços socioambientais prestados por esses atores no território.
