Navegando por Autor "Eduardo, Alexandre"
Agora exibindo 1 - 1 de 1
- Resultados por página
- Opções de Ordenação
Item Acesso aberto (Open Access) Passos da modernização: a história da indústria de calçados: câmbio, crédito na gênese do capitalismo industrial em São Paulo(2026-02-26) Eduardo, Alexandre; Marson, Michel Deliberali; Saes, Alexandre Macchione; Costa, Bruno Aidar; Gambi, Thiago Fontelas RosadoEsta dissertação reinterpreta a gênese da industrialização brasileira, superando a dicotomia crise vs. prosperidade através do modelo cíclico de Versiani e Versiani (1975), que distingue surtos de investimento e surtos de produção. Propõe-se o Ciclo de Financiamento Industrial, onde o mercado de capitais (capital longo prazo para investimento) e o sistema bancário (capital de giro para produção) atuam como Especialistas Funcionais complementares. A indústria de calçados de São Paulo (1900-1940) valida empiricamente a tese. Identifica-se uma profunda heterogeneidade estrutural (Dois Vetores de Capitalização): o Vetor 2 (Capital Corporativo, com acesso financeiro formal) e o Vetor 1 (burguesia de pés descalços, acumulação endógena e excluída), coexistindo na capital paulista. A principal contribuição metodológica é uma análise micro-histórica comparativa dos balanços das líderes do Vetor 2 (Alpargatas, Clark, Rocha). Os resultados revelam heterogeneidade intra-Vetor 2: a Alpargatas (transnacional) adotou um modelo cíclico-arriscado (alavancagem bancária nos surtos); a Clark (transnacional) seguiu um modelo conservador-estável (autofinanciamento, isolando-se do ciclo); a Rocha (nacional) implementou um modelo frágil, incapaz de investir e falindo via crédito comercial (banco interno). A análise confirma a taxa de câmbio como mecanismo central, mas atuando como filtro seletivo, mediado pela origem do capital. O acesso a hedge cambial ou moeda forte (Alpargatas, Clark) permitiu navegar a Dupla Pressão (produção e investimento simultâneos) dos anos 1920. O capital nacional (Rocha) ficou preso na armadilha cambial, sacrificando o investimento crucial em maquinário. Conclui-se que o acesso privilegiado ao ecossistema financeiro e a capacidade de mitigar o risco cambial foram decisivos, permitindo ao capital transnacional consolidar-se, enquanto o capital nacional e o Vetor 1 eram marginalizados. O câmbio foi, assim, o instrumento chave pelo qual a estrutura de poder, desde a gênese industrial, um padrão de desenvolvimento cíclico.
