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Navegando por Autor "Santos, Debora Marques"

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    ItemAcesso aberto (Open Access)
    Interseccionalidade e resistência: violências estruturais vivenciadas por docentes mulheres nas ciências exatas
    (2025-11-24) Santos, Debora Marques; Carrijo Ince, Manuella Heloisa; Silva, Fabiane Ferreira da; Silva, Guilherme Henrique Gomes da
    Esta pesquisa analisa as trajetórias acadêmicas e profissionais de mulheres docentes da área de Ciências Exatas em universidades federais do sul de Minas Gerais, considerando os atravessamentos de gênero, raça e poder que configuram o campo científico e produzem diferentes formas de desigualdade. O referencial teórico adota a interseccionalidade como ferramenta analítica central, articulada com os Estudos Feministas e os Estudos de Gênero. Para a produção de dados, iniciou-se com um mapeamento manual das docentes efetivas das instituições federais analisadas, que possuíam, no mínimo, graduação em alguma das áreas das Ciências Exatas. A partir de informações públicas, foi construído um banco de dados com o perfil dessas profissionais. Em seguida, elaborou-se um questionário semiestruturado, aplicado online. O instrumento foi organizado em quatro blocos temáticos: perfil sociodemográfico, vivências em ações afirmativas, formação acadêmica e experiências profissionais. A análise dos dados, conduzida à luz do referencial teórico adotado e inspirada na Análise Crítica do Discurso, revelou um perfil majoritariamente branco, com baixa diversidade racial e regional, além da postergação da maternidade, associada à ausência de apoio institucional. Também foi constatada a falta de uma formação multicultural nos currículos de graduação dessas docentes. Apesar disso, observou-se um significativo engajamento na inserção de temáticas de gênero, raça e diversidade em suas práticas pedagógicas, compreendendo o currículo como ferramenta de justiça social. As participantes reconheceram a importância das políticas de ações afirmativas como mecanismos de reparação histórica e de reconhecimento de grupos sub-representados, embora poucas tenham se beneficiado diretamente delas. Por fim, as narrativas revelam trajetórias marcadas por microagressões, misoginia, assédio moral e sexual, evidenciando como práticas de opressão e exclusão de mulheres persistem nos espaços acadêmicos por meio de violências institucionais e intencionais. Com base nesses achados, este estudo pretende contribuir para o debate sobre gênero e interseccionalidade no ensino superior e, sobretudo, incentivar a revisão de normas institucionais, a inserção de currículos multiculturais e o fortalecimento de políticas de ações afirmativas voltadas ao corpo docente. Busca-se, assim, fomentar iniciativas que promovam uma formação no ensino superior inclusiva, diversa e no combate a práticas discriminatórias de gênero e raça.

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