Mestrado em Biociências Aplicadas à Saúde
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.unifal-mg.edu.br/handle/123456789/2643
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Navegando Mestrado em Biociências Aplicadas à Saúde por Cursos "Mestrado em Biociências Aplicadas à Saúde"
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Item Embargo Avaliação in vivo da eficácia terapêutica de um complexo de Rutênio (II) contendo ácido metilenodioxicinâmico em melanoma murino(2025-08-04) Menon, Isabella Caroline; Oliveira, Pollyanna Francielli de; Souza, Augusto Monteiro de; Zavan, BrunoA heterogeneidade genética, o potencial metastático e a alta taxa de mortalidade fazem do melanoma um dos tumores malignos mais agressivos e resistentes à terapia antineoplásica. A eficácia dos tratamentos clínicos é limitada pela baixa resposta terapêutica e mau prognóstico cirúrgico, levando ao curso clínico fatal da doença. Embora novas abordagens terapêuticas tenham resultados promissores, as taxas de resposta continuam baixas, tornando interessante a busca por novos candidatos a fármaco que melhorem as propostas de tratamento. Complexos metálicos a base de rutênio II (Ru II) têm demonstrado promissora atividade antitumoral em diversos tipos celulares. Sua estrutura química, por possuir inúmeros sítios de coordenação, permitiu sua ligação a um composto fenólico que também vem demonstrando diversas propriedades antineoplásicas, o ácido cinâmico na sua forma “cis”, dando origem ao Cinam {[Ru(3,4-metileno-cinâmico) (dppb)(bipy)]PF6}. Estudos prévios in vitro demonstraram os efeitos antiproliferativos do Cinam em linhagens celulares derivadas de melanoma. Neste estudo, utilizamos um modelo singênico para investigar o efeito antitumoral do Cinam em roedores portadores de melanoma metastático (CEUA-UNIFAL 0007/2024). Células derivadas de melanoma murino (B16-F10) foram implantadas de modo subcutâneo (sc) no dorso de camundongos C57BL/6 machos e, após o desenvolvimento do tumor, os animais foram tratados por 5 dias consecutivos com Cinam [5 mg/Kg peso corpóreo (pc) sc 1 x ao dia]. Foram incluídos grupos de controle negativo (CN), implante (CI), solvente [dimetilsulfóxido (DMSO) 5%] e positivo [cisplatina (CDDP) 7 mg/Kg pc], além de um grupo de combinação Cinam + CDDP. Foram monitorados os parâmetros de massa corporal dos animais e os consumos de água e ração. Amostras de sangue foram coletadas para avaliação bioquímica de creatinina, ureia, aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT). Após a eutanásia, o tumor e órgãos foram coletados e pesados para análise antitumoral e de toxicidade. Células da medula óssea e do fígado foram coletadas para avaliação de danos no DNA. O tratamento com Cinam não demonstrou causar toxicidade sistêmica, citotoxicidade ou mutagenicidade. Porém, quando comparado ao CI, reduziu em apenas 15% o peso tumoral, efeito semelhante ao observado na combinação com CDDP, provavelmente devido à redução da frequência de danos ao DNA, que prejudicou seu efeito antitumoral. Contudo, o Cinam foi capaz de atenuar os efeitos tóxicos causados pelo quimioterápico, sugerindo um possível papel quimioprotetor do complexo.Item Embargo Caracterização da atividade antitumoral de um híbrido molecular de curcumina-resveratrol em melanoma murino(2025-04-08) Batistão, Hanna Karolina de Araújo; Oliveira, Pollyanna Francielli de; Ozelin, Saulo Duarte; Leitão, Silvia Graciela RuginskO melanoma é um tipo de câncer potencialmente fatal devido ao seu perfil metastático e de quimiorresistência aos tratamentos convencionais, como a quimioterapia. Embora a imunoterapia e as terapias direcionadas tenham aumentado as chances de cura dos pacientes, ainda são necessárias novas abordagens de tratamento que minimizem os problemas relacionados à seletividade, resistência e baixa taxa de resposta. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo investigar os efeitos antitumorais da molécula PQM-162 [(E)-3-(4-hidroxi-3-metoxifenil) -N'- ((E)-4-metoxibenzilideno) acrilohidrazida], um derivado híbrido de curcumina-resveratrol. Para isso, foi realizada a indução tumoral em roedores C57BL/6, utilizando a linhagem celular de melanoma murino B16-F10. Após desenvolvimento do tumor, os animais foram tratados, durante cinco dias consecutivos, por via subcutânea (sc), com dimetilsulfóxido (DMSO 5 %); cisplatina [CDDP 7 mg/kg peso corpóreo (pc)]; PQM-162 2 mg/kg pc e PQM-162 combinado com CDDP. A massa do tumor foi utilizada como parâmetro para avaliação da atividade antitumoral. Sinais de toxicidade foram monitorados através da massa corporal, consumo hídrico e níveis séricos de creatinina, ureia, transaminase oxalacética (TGO) e transaminase pirúvica (TGP). Análise da expressão de proteínas por imuno-histoquímica (IHC) e de transcritos de mRNA por Reverse transcription polymerase chain reaction (RT-PCR) foram realizadas para investigação dos mecanismos moleculares. O tratamento com PQM-162 diminuiu significativamente a massa tumoral sem causar redução na massa corporal e dos órgãos, sem aumentar significativamente os níveis dos biomarcadores de toxicidade hepática e renal, sem ocasionar citogenotoxidade significativa na medula óssea, no sangue periférico e nos hepatócitos quando comparado com tratamento com CDDP. A coadministração de PQM-162 e CDDP revelou efeito antitumoral efetivo, menor toxicidade sistêmica mediante à comparação com o tratamento isolado de CDDP. O tratamento com PQM-162 isolado e combinado com CDDP reduziu a expressão de PCNA e β-catenina e aumentou os níveis dos transcritos de mRNA de Caspase 3 e 9. Os resultados demonstraram que PQM-162 exerce efeito antitumoral significativo através da redução da proliferação celular e modulação de vias apoptóticas, sem causar toxicidade sistêmica relevante, levando a concluir que a molécula pode ser uma candidata importante para terapia do melanoma.Item Embargo Efeito do canabidiol associado à eletroacupuntura em um modelo pré-clínico de dor lombar(2025-08-01) Oliveira, Stefanie Leal de; Silva, Josie Resende Torres da; Falconi Sobrinho, Luiz Luciano; Garcia, Tayllon dos AnjosA dor lombar, também conhecida por lombalgia, é uma condição prevalente e debilitante que afeta mais de 20% da população mundial. A dor lombar é classificada como dor crônica primária e pode ser causada por uma variedade de condições. Estratégias farmacológicas e não farmacológicas têm sido investigadas a fim de melhorar a qualidade de vida dos pacientes acometidos por lombalgia. O Canabidiol (CBD) é um composto derivado da Cannabis Sativa com propriedades antinociceptivas usado no manejo da dor lombar. Além disso, a eletroacupuntura (EA), por sua vez, é uma técnica não farmacológica que tem sido eficaz no tratamento da dor crônica. Portanto, a associação destes tratamentos pode prolongar e intensificar a analgesia. Deste modo, o objetivo do estudo foi avaliar o potencial terapêutico do CBD 1mL/kg administrado por via intraperitoneal associado à EA de 2Hz no acuponto BL40 (Weizhong), em um modelo pré-clínico de dor lombar. Neste estudo, foram utilizados ratos Wistar adultos, machos (200-250g). Os animais foram divididos em 16 grupos, contendo 8 animais em cada grupo. Uma subdivisão classificou os animais em tratamento com óleo de CBD, tratamento com EA 2Hz e a combinação dos dois tratamentos. A hiperalgesia foi induzida através de duas injeções, com intervalo de cinco dias, do fator de crescimento nervoso (NGF) 50μg/ml no músculo multífido do lado esquerdo à 3mm laterais do nível do processo espinhoso L5. A hiperalgesia mecânica e alodinia ao frio foram avaliadas bilateralmente no músculo multífido um dia após a segunda aplicação de NGF, sendo constatado a instalação da dor no dorso dos animais. A administração de CBD foi capaz de reverter a hiperalgesia mecânica no multífido e a EA 2Hz no acuponto BL40 causou uma redução da sensibilização dolorosa. A associação das terapias é capaz de causar um alívio imediato e persistente com o passar dos dias, proporcionando efeitos benéficos a longo prazo na dor lombar.Item Embargo Efeitos da exposição ao microplástico no encéfalo e no padrão comportamental de Amatitlania nigrofasciata (Teleostei: Cichlidae)(2026-01-16) Carvalho, Caio Caliman; Mazzoni, Talita Sarah; Falconi Sobrinho, Luiz Luciano; Honji, Renato MassaakiMicroplásticos (MPs) são pequenas partículas plásticas com dimensões entre 1 μm e 5 mm, as quais encontram-se distribuídas no meio ambiente podendo ser ingeridas ou inaladas por seres vivos. Existem relatos na literatura da ocorrência de MPs em diferentes órgãos humanos, incluindo intestino, pulmão, placenta, sangue e, mais recentemente, encéfalo. Contudo, os impactos desses contaminantes no desenvolvimento e funcionamento do organismo não têm sido descritos. O presente estudo objetivou investigar se os MPs, distribuídos na água, podem ser incorporados por peixes da espécie Amatitlania nigrofasciata, e quais são os impactos gerados em processos fisiológicos, reprodutivos, comportamentais e neuroanatômicos. Foram utilizados 5 casais adultos de peixes em cada grupo experimental (Grupo Controle, GC, e Grupo Tratado, GT), sendo que o último foi exposto a 1,0 g/L de MPs por 40 dias, com monitoramento do comportamento reprodutivo e níveis de cortisol, além de análises histológicas. A prole foi avaliada quanto à sobrevivência e desenvolvimento encefálico. Os resultados revelaram que a exposição aos MPs reduziu a sobrevivência e desestabilizou a dinâmica social, induzindo agressividade e atraso na desova, além da elevação do cortisol plasmático. A microscopia de fluorescência confirmou a translocação de MPs ao encéfalo, com deposição no hipotálamo e no stratum opticum do tectum opticum. Histologicamente, observou-se degeneração esponjosa com vacuolizações intramielínicas e colapso das populações de Células de Purkinje no cerebelo, dados confirmados pela microscopia eletrônica de varredura. Na prole, além de anormalidades no tubo neural, registrou-se alta mortalidade. Juvenis aos 20 dias pós-fertilização (dpf) exibiram neurotoxicidade indireta e atraso maturacional celular decorrente do acúmulo periférico massivo (brânquias e intestino), evoluindo aos 50 dpf para a desorganização de nichos neurogênicos no stratum periventriculare. O volume encefálico da prole do GT também se mostrou reduzido, quando comparado ao do GC, mostrando indícios de microcefalia. Nossos dados sugerem que os MPs não são biologicamente neutros, atuando como potentes neurotóxicos que alteram a citoarquitetura encefálica e a aptidão adaptativa. Estes achados reforçam a urgência de políticas de mitigação, dado o potencial de danos análogos em outros organismos expostos.Item Embargo Efeitos da exposição de micronanoplásticos na morfologia intestinal de zebrafish e potenciais riscos à saúde humana.(2026-02-09) Brito, Carolina dos Santos; Mazzoni, Talita Sarah; Honji, Renato Massaaki; Paffaro, Andrea Mollica do AmaranteOs microplásticos (MPs) e nanoplásticos (NPs) representam uma crescente ameaça global devido à sua ampla dispersão e presença em diversos ambientes habitáveis, afetando inúmeras espécies, incluindo seres humanos. Estudos recentes destacam os impactos dessas partículas na saúde, revelando alterações celulares, gênicas e morfofisiológicas. Neste sentido, tomou-se aqui como modelo biológico, o peixe Danio rerio (zebrafish), para avaliação de possíveis alterações morfofisiológicas no seu epitélio intestinal, frente à exposição aos micronanoplásticos (MNPs). O estudo foi dividido em duas partes: exposição crônica a MPs e exposição subcrônica a NPs. Na exposição crônica, adultos de zebrafish (n=60) foram divididos em três grupos: controle (sem exposição a MPs), e dois grupos expostos a concentrações de 0,5 g/L e 2,5 g/L de MPs por 30 dias, enquanto que na exposição subcrônica, os animais (n=20) foram expostos por 15 dias a 0,0015mg/d de NPs de poliestireno. Após o período experimental, os intestinos foram coletados, fixados e analisados à microscopia de luz e microscopia eletrônica de transmissão e de varredura. Os intestinos dos animais do grupo controle apresentaram morfologia preservada, com vilosidades normais revestidas por epitélio cilíndrico simples contendo microvilosidades, enterócitos e células caliciformes. Nos animais expostos aos MPs, foram observadas alterações significativas, incluindo rompimento das vilosidades, perda de microvilosidades, infiltração de granulócitos na lâmina própria, aumento de células caliciformes e, em casos severos, degeneração completa da camada mucosa. Essas alterações foram acompanhadas por acúmulo de muco no lúmen intestinal, sugerindo uma condição inflamatória e comprometimento na absorção de nutrientes. Tanto o intestino anterior, quanto o intestino médio foram danificados pela exposição aos MPs em ambas as concentrações. Nos animais expostos aos NPs, a intestino anterior apresentou as mesmas lesões dos grupos expostos aos MPs. Entretanto, no intestino médio, as alterações concentraram-se principalmente na mudança da composição epitelial das vilosidades. Enquanto o grupo controle apresentou epitélio do intestino médio formado majoritariamente por enterócitos especializados, característicos desta porção intestinal, o grupo exposto aos NPs apresentou características morfológicas semelhantes ao intestino anterior, com grande quantidade de células caliciformes, enterócitos clássicos e ausência de enterócitos especializados. Além disso, a membrana basal estava ausente em diversos segmentos dos animais expostos. Esses achados, que indicam uma condição inflamatória importante nas vilosidades intestinais, mostram quão danosa a exposição às partículas de plástico pode ser, independente do seu tamanho, concentração ou tempo de exposição. Assim, este estudo reforça os perigos dos MNPs para a saúde intestinal e destaca a necessidade de investigações aprofundadas sobre os impactos dessas partículas, especialmente em humanos, considerando sua onipresença documentada no meio ambiente, nos alimentos, nos seres vivos e no próprio organismo humano.Item Acesso aberto (Open Access) Efeitos in vitro do canabidiol na citotoxicidade induzida por metil-éster de anidroecgonina em astrócitos hipocampais: participação dos receptores cb1 e trpv1(2026-02-25) Patrocínio, Talita Bárbara; Leitão, Silvia Graciela Ruginsk; Godoy, Lívea Dornela; Ventura, Renato RizoO consumo de crack envolve a inalação da cocaína e de seu principal produto de pirólise, o metil-éster da anidroecgonina (AEME), um composto neurotóxico capaz de induzir estresse oxidativo e apoptose. No entanto, seus efeitos sobre células gliais permanecem pouco conhecidos. Considerando que os astrócitos são as células gliais mais abundantes do SNC e essenciais para a homeostase neuronal e o sistema antioxidante, este estudo avaliou os efeitos do AEME sobre a viabilidade, os níveis de cálcio intracelular, a reatividade e capacidade antioxidante de astrócitos hipocampais, bem como a possível modulação pelo canabidiol (CBD) e a participação dos receptores CB1 e TRPV1. Astrócitos hipocampais de ratos neonatos foram expostos, por 2 h 30 min, a CBD (10 μM), rimonabanto (RIMO, 1 μM), capsazepina (CAPS, 30 μM) e AEME (0,1 mM), isoladamente ou em combinações. A viabilidade celular foi avaliada pelo ensaio de MTT, a reatividade pela expressão de GFAP, os níveis de cálcio por ensaio colorimétrico e a capacidade antioxidante pelos níveis de GSH. Todos os procedimentos foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa Animal da UNIFAL (protocolo 0024/2025). O AEME reduziu significativamente a viabilidade dos astrócitos em relação ao controle (8,06 ± 0,42% vs. 99,99 ± 2,52%; p < 0,001). O CBD (66,75 ± 4,43%; p < 0,001), RIMO (77,62 ± 4,94%; p < 0,001) e CAPS (89,02 ± 1,44%; p < 0,001) isoladamente também diminuíram a viabilidade. A co-incubação de CBD com AEME atenuou parcialmente a toxicidade induzida pelo AEME (21,00 ± 1,05% vs. 8,06 ± 0,42%; p < 0,01). Tanto o AEME (p < 0,05) quanto o CBD (p < 0,01) aumentaram a expressão de GFAP, sem alterações significativas pela presença de antagonistas. O AEME aumentou significativamente os níveis de cálcio intracelular em comparação ao controle (114,58 ± 4,54 vs 395,22 ± 0,74; p<0,001). Esse aumento foi atenuado pela co-incubação com CBD + AEME (213,97 ± 3,50; p<0,01), RIMO + AEME (155,46 ± 8,70; p<0,001) e CAPS + AEME (151,49 ± 9,24; p<0,001). A presença dos antagonistas não aboliu o efeito redutor do CBD sobre os níveis de cálcio intracelular. Em relação ao GSH, a exposição ao AEME reduziu significativamente seus níveis em comparação ao grupo controle (3,32 ± 0,17 vs. 1,47 ± 0,36; p < 0,05). De forma semelhante, o tratamento isolado com CBD também promoveu depleção do antioxidante (3,32 ± 0,17 vs. 1,49 ± 0,16; p < 0,05). Por outro lado, a co-incubação de AEME com os antagonistas resultou em níveis de GSH significativamente maiores do que aqueles observados no grupo tratado apenas com AEME, tanto para RIMO + AEME (3,46 ± 0,16 vs. 1,47 ± 0,36; p < 0,05) quanto para CAPS + AEME (4,66 ± 0,01 vs. 1,47 ± 0,36; p < 0,01). Entretanto, a adição de CBD às combinações de AEME com os antagonistas resultou em uma redução significativa dos níveis de GSH em relação aos grupos tratados com AEME + CAPS (4,66 ± 0,01 vs. 1,28 ± 0,11; p < 0,01) e AEME + RIMO (3,46 ± 0,16 vs. 0,62 ± 0,12; p < 0,01). Portanto, os resultados indicam que o AEME reduz a viabilidade, aumenta os níveis intracelulares de cálcio, diminui os níveis de GSH e aumenta a expressão de GFAP nos astrócitos, enquanto o CBD isolado apresenta efeitos semelhantes. A combinação com CBD atenuou parcialmente a redução de viabilidade e o aumento de cálcio induzido pelo AEME, mas não preveniu alterações em GFAP ou GSH. A análise dos receptores CB1 e TRPV1 sugere que essas vias modulam principalmente os niveis de cálcio e a disponibilidade intracelular de GSH, sem impactar significativamente a viabilidade ou a reatividade astrocitária. Em síntese, nas condições empregadas, o CBD apresentou efeito dual, atenuando parcialmente a toxicidade induzida pelo AEME, mas impactando negativamente os astrócitos em condições basais.Item Acesso aberto (Open Access) Efeitos in vitro do tratamento com canabidiol (CBD) sobre a morfologia e atividade de astrócitos expostos a metil-éster de anidroecgonina (subproduto do crack/cocaína)(2025-04-14) Santos, Simone de Oliveira; Leitão, Silvia Graciela Ruginsk; Godoy, Lívea Dornela; Ventura, Renato RizoHá décadas o abuso de drogas vem gerando complicações de impacto mundial para o setor de saúde pública. É fato que o uso de crack afeta a cognição, porém não está totalmente claro como o principal produto da droga, o metil-éster de anidroecgonina (MEAE), afeta a função cerebral. Dentro deste contexto, destaca-se o uso terapêutico dos fitocanabinóides, entre eles o canabidiol (CBD), para manejo de síndromes de abuso. Considerando os eventos críticos da neurotransmissão, os astrócitos (células da glia) vêm sendo consideradas possíveis alvos do crack, já que desempenham um papel fundamental na função sináptica. Diante disso, o presente estudo investigou os efeitos do tratamento in vitro com CBD sobre indicadores da função de astrócitos hipocampais expostos a MEAE. Para tanto, foram estabelecidas culturas primárias de astrócitos a partir do hipocampo fresco coletado de ratos neonatos. As células foram pré-tratadas ou não com CBD, e expostas ao metabólito MEAE. Os resultados de viabilidade celular, avaliada pelo método MTT, demonstraram que a incubação com MEAE em três diferentes concentrações (0,1, 0,01 e 0,001 mM) reduziu significativamente a viabilidade celular em comparação ao grupo controle. O pré-tratamento com CBD (10 μM) reverteu este efeito, particularmente no grupo exposto a MEAE 0,1 mM. A exposição à MEAE também aumentou a expressão de GFAP, indicando aumento da área celular. A incubação com CBD, por si só, aumentou a expressão de GFAP, a concentração citosólica de cálcio e a concentração extracelular de lactato, sendo que a exposição concomitante com MEAE inibiu somente os dois últimos efeitos. Portanto, os dados obtidos até o momento demonstram que o CBD tem ação glioprotetora na presença de MEAE, porém esta ação parece não estar relacionada com altos níveis de cálcio intracelular ou liberação aumentada de lactato. Além disso, os resultados indicam que a astrogliose pode estar relacionada não apenas à exposição aos MEAE, mas também aos potenciais efeitos benéficos do CBD.
