Mestrado em Ciências Fisiológicas
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Navegando Mestrado em Ciências Fisiológicas por Assunto "Arthritis"
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Item Embargo Interação viral promovida pelo sulfato de condroitina: impactos na entrada do vírus chikungunya e no desenvolvimento de antivirais seletivos.(2026-06-16) Silva, Camila de Oliveira; Souza, Giovane Galdino de; Almeida, Leonardo Augusto de; Maricato, Juliana TerziA febre chikungunya é uma arbovirose emergente de grande impacto global, causada pelo vírus chikungunya (CHIKV), um alphavírus da família Togaviridae. Clinicamente, manifesta-se por uma fase aguda febril e artralgia debilitante que, em muitos casos, evolui para uma fase crônica marcada por artrite persistente. O sucesso da infecção pelo CHIKV está ligado ao seu acentuado tropismo pelo tecido articular, onde o vírus interage com componentes da matriz extracelular. Entre esses, os glicosaminoglicanos (GAGs), como o sulfato de condroitina (CS), atuam como fatores de adesão que facilitam a concentração de partículas virais na superfície celular, favorecendo a entrada e replicação viral. O objetivo central deste estudo foi investigar os mecanismos moleculares da patogênese viral associados ao CS, compreendendo como esta molécula contribui para o tropismo tecidual e a progressão inflamatória. Paralelamente, buscou se identificar potenciais antagonistas ou bloqueadores capazes de interferir na interface vírus célula para mitigar a infecção. Para tanto, utilizou-se uma abordagem multidisciplinar envolvendo modelagem computacional, ensaios in vitro e experimentação animal. A análise in silico revelou uma interação favorável entre o CS e a glicoproteína E2 do envelope viral, com energia de ligação de –7,5 kcal/mol, sugerindo um ancoradouro estável para o vírion. Experimentalmente, os ensaios in vitro confirmaram o papel facilitador do CS na replicação viral. Nos testes in vivo, a suplementação exógena com CS intensificou significativamente o edema plantar em camundongos desafiados com o vírus (p < 0,001), confirmando seu caráter pró-viral e pró-inflamatório. Diante da necessidade de estratégias terapêuticas, a quitosana (ChT) foi investigada como um potencial agente bloqueador devido à sua natureza policatiônica. Os resultados foram promissores: o tratamento com ChT promoveu uma redução na carga genômica viral (p < 0,01) e uma mitigação do inchaço plantar (p = 0,0079). Notavelmente, a quitosana exerceu um efeito predominante mesmo sob a influência pró-viral do CS (p = 0,0119), sugerindo que sua carga positiva possui maior interação com os sítios de ligação negativos do CS, dificultando a ancoragem viral. Em conclusão, os dados estatísticos comprovam que o CS é um fator determinante na patogênese da CHIKV e que a ChT atua como um bloqueador desta interação. Estes achados abrem novas perspectivas para o desenvolvimento de polímeros terapêuticos seletivos no controle da febre chikungunya e de suas complicações articulares crônicas.
