Engenharia de Minas
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Navegando Engenharia de Minas por Assunto "Circular economy"
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Item Acesso aberto (Open Access) De rejeitos a subprodutos: uma década de transformações na legislação brasileira sobre rejeitos de mineração(2025-12-12) Gonçalves, Carolina Mendes; Ribeiro, Francisco Eduardo Fernandes; Roveri, Carolina Del; Ancelmi, Matheus Fernando; Navarro, Fabiano CabañasA mineração no Brasil constitui um setor estratégico para o desenvolvimento econômico e tecnológico, mas historicamente marcado por fragilidades socioambientais que se tornaram evidentes nos desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019). Esses eventos, de caráter irreversível, não apenas expuseram vulnerabilidades técnicas e regulatórias, mas também catalisaram mudanças profundas na legislação e na governança mineral, impulsionando a reformulação de normas voltadas à segurança de barragens e à destinação de rejeitos. Entre 2015 e 2025, o setor passou por uma década de intensas transformações regulatórias, aprendendo com erros passados e buscando consolidar mecanismos mais eficazes de prevenção e valorização de rejeitos. O Brasil dispõe de um arcabouço jurídico considerado robusto, que abrange desde a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981) até dispositivos específicos para a mineração, como o Código de Mineração (Decreto-Lei nº 227/1967) e seu regulamento atualizado pelo Decreto nº 10.965/2022. A esse conjunto somam-se a Lei nº 14.066/2020, que fortalece a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), a Lei nº 9.605/1998, sobre crimes ambientais, e, mais recentemente, a Resolução ANM nº 189/2024, que institui o Plano de Aproveitamento de Rejeitos e Estéreis (PARE). Este último representa um marco regulatório ao consolidar rejeitos como ativos econômicos, alinhando o setor mineral às diretrizes da economia circular e às metas globais de descarbonização. Apesar da amplitude normativa, a efetividade das leis permanece condicionada a fatores estruturais como fiscalização rigorosa, disponibilidade de recursos técnicos e cumprimento consistente por empresas e instituições estatais. Persistem lacunas relacionadas à capacidade operacional de mineradoras de pequeno porte, à integração entre diferentes esferas de poder e à transparência dos processos de gestão. Nesse sentido, a década analisada revela avanços significativos, mas também desafios persistentes que comprometem a plena implementação das políticas públicas. Este estudo realiza uma análise crítico-interpretativa da evolução regulatória brasileira entre 2015 e 2025, destacando como os desastres minerários impulsionaram não apenas reformas técnicas, mas também mobilizações sociais, ações judiciais coletivas e maior pressão por transparência. A valorização de rejeitos emerge como eixo estratégico, conectando-se às demandas contemporâneas por sustentabilidade, inovação tecnológica e competitividade global. Conclui-se que, embora o Brasil tenha avançado substancialmente em termos normativos, a efetividade das mudanças depende de uma governança integrada, da participação social e da capacidade de fiscalização contínua. A valorização de rejeitos, quando incorporada de forma consistente às práticas empresariais e políticas públicas, pode representar não apenas uma solução ambiental, mas também uma oportunidade econômica capaz de reposicionar o setor mineral brasileiro no cenário internacional.Item Acesso aberto (Open Access) Potencial tecnológico e ambiental no aproveitamento de rejeitos de quartzito e ferro para obtenção de sílica de alta pureza(2026-06-09) Barbosa, Tales Marcos; Capodifoglio, Pedro Emídio; Cubi, Guilherme José Oliveira; Ancelmi, Matheus Fernando; Reis, Vilson Carlesso dosA intensa atividade minerária global, embora fundamental para o desenvolvimento socioeconômico, gera volumes massivos de rejeitos, cuja disposição em barragens na forma de polpa representa elevados riscos geotécnicos, ambientais e sociais. Diante da necessidade urgente de transição ecológica e adoção de práticas de economia circular, o presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) analisa o potencial tecnológico e ambiental no aproveitamento de duas proeminentes e distintas tipologias de passivos: os rejeitos da lavra de quartzito e os da mineração de ferro. O objetivo geral desta pesquisa consiste em avaliar a viabilidade técnica da extração e purificação da sílica (SiO₂) contida nesses materiais, visando a obtenção de sílica de alta pureza para aplicações industriais de elevado valor agregado, como as indústrias de vidro, cerâmica e semicondutores. Para tal, utilizou-se uma metodologia fundamentada em revisão de literatura e análise comparativa de dados de caracterização física, química e mineralógica das frações residuais. Investigaram-se as principais rotas de beneficiamento aplicadas à purificação do quartzo, incluindo separação magnética, flotação e lixiviação ácida. Destaca-se a análise de sistemas sustentáveis de lixiviação que utilizam combinações de ácidos orgânicos ativados por fluorita, minimizando os impactos ambientais dos ácidos minerais tradicionais. Os resultados indicam que, enquanto o rejeito de quartzito apresenta vantagem inicial pelo elevado teor nativo de quartzo livre, o rejeito de minério de ferro requer etapas rigorosas de separação magnética para a eliminação das fases hematítica e magnetítica residuais. Conclui-se que o reaproveitamento desses materiais para a produção de sílica de alta pureza é tecnicamente viável, configurando uma solução estratégica que reduz passivos ambientais e insere a cadeia mineral no contexto da economia circular ao converter esses rejeitos em valiosos co-produtos e matérias-primas críticas para a indústria tecnológica.
