Doutorado em Enfermagem
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Navegando Doutorado em Enfermagem por Assunto "Ciências da Saúde"
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Item Acesso aberto (Open Access) Complicações por COVID19 e fatores sociodemográficos, clínicos e psicossociais associados: coorte ELOCOVID(2025-12-01) Oliveira, Alessandra Mara; Sawada, Namie Okino; Fava, Silvana Maria Coelho Leite; Robazzi, Maria Lucia do Carmo Cruz; Dázio, Eliza Maria Rezende; Barichello, ElizabethINTRODUÇÃO: A pandemia da COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, impôs desafios significativos ao sistema de saúde global, com políticas de saúde pública focadas em contenção e isolamento para reduzir a disseminação do vírus. As complicações são exacerbadas pela idade avançada e comorbidades, enquanto as populações de baixa renda enfrentam maior vulnerabilidade econômica e de saúde. Além das implicações físicas, a saúde mental da população, com sintomas de ansiedade e depressão, também foi gravemente afetada. OBJETIVO: Investigar as complicações clínicas decorrentes da infecção pelo SARS-CoV-2 ao longo do tempo em uma coorte de pacientes. MÉTODO: Estudo de coorte prospectivo, realizado na cidade de Alfenas/MG, a partir de 1.566 indivíduos diagnosticados com COVID-19 entre março e outubro de 2020, dentre os quais foram selecionados participantes com idade igual ou superior a 20 anos e não residentes em instituição de longa permanência. A coleta de dados envolveu entrevistas presenciais e acompanhamentos por telefone e WhatsApp, com uso de instrumentos como o de Avaliação do Perfil Sociodemográfico e Clínico e o Inventário de Depressão de Beck (BDI-II). RESULTADOS: O estudo contou com 115 participantes no seguimento (T1), sendo 30 internados e 85 comunitários. Em termos sociodemográficos, não houve diferenças significativas entre os grupos quanto a sexo, idade, estado civil, escolaridade, religião, arranjo domiciliar, situação de trabalho e renda. As complicações clínicas relacionadas à COVID-19 foram observadas em dois momentos: primeiro contato (T0) e um período subsequente (T1). Nos casos de pessoas que haviam passado por internação prévia, houve uma redução nos escores de depressão entre T0 e T1, enquanto no grupo comunitário as variações foram menores. Não houve diferenças significativas nos escores de depressão entre os grupos internados e comunitários ao longo do tempo. A análise revelou agravamento dos sintomas de depressão ao longo do tempo (T0 e T 1) em ambos os grupos, com variações significativas na classificação de depressão apenas no grupo internado. Isso enfatiza a importância de monitorar e intervir precocemente nos sintomas de depressão em pessoas afetados pela COVID-19, especialmente aqueles hospitalizados. No modelo univariado, o sexo feminino e a presença de comorbidades mostraram-se associados com o número total de complicações. No modelo parcial, algumas dessas associações perderam significância. O número de comorbidades em T0 e a diferença nos escores globais de depressão entre T0 e T1 foram associados ao número total de complicações. Esses achados indicam que indivíduos com mais comorbidades prévias e aqueles com maior persistência de depressão enfrentam mais complicações devido à COVID-19. CONCLUSÃO: O número de complicações relacionadas à COVID-19 estava associado ao histórico de comorbidades dos participantes, sugerindo uma maior suscetibilidade a complicações adicionais para esses indivíduos. A persistência da depressão também foi relacionada a um maior número de complicações, destacando a importância de abordar a saúde mental no contexto da pandemia, pois o impacto psicológico da doença pode influenciar negativamente o curso clínico e o prognóstico das pessoas. Este estudo sublinha a necessidade de intervenções de enfermagem eficazes que abordam tanto as complicações físicas quanto os desafios de saúde mental enfrentados pelas pessoas com COVID-19, visando melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida desses indivíduos.Item Acesso aberto (Open Access) Educação permanente em saúde na estratégia de saúde da família rural: transformações nos saberes e práticas de agentes comunitários sobre equipamentos de proteção e agrotóxicos(2025-11-10) Dias, Natércia Taveira Carvalhaes; Martinez, Maria Regina; Nascimento, Murilo César do; Souza, Ana Cristina Gonçalves de Abreu; Ramos, Elana Maria; Ritá, Fabricio dos SantosO presente estudo teve como objetivo compreender e promover, no âmbito da Educação Permanente em Saúde, a transformação dos saberes de Agentes Comunitários de Saúde Rurais sobre o uso de Equipamentos de Proteção Individual e o manejo de agrotóxicos, por meio da utilização de seminários interacionistas, baseados na teoria sociointeracionista de Vygotsky. Trata-se de uma pesquisa-ação, de abordagem qualitativa, com natureza descritiva e analítica, desenvolvida a partir de uma sequência de etapas operacionais que envolveram a aplicação de instrumentos, a tematização e a programação/ação. A investigação foi realizada no município de Muzambinho, estado de Minas Gerais, com a participação de dezesseis ACS vinculados a duas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) situadas em áreas rurais. A coleta de dados ocorreu em três fases: Fase (1) diagnóstico situacional, mediante aplicação de formulário semiestruturado, visando identificar os saberes dos ACS sobre EPI e agrotóxicos e duas perguntas abertas sobre os desafios de conduzir essas práticas seguras junto aos trabalhadores rurais ; Fase (2) realização da EPS com uso de uma nova metodologia de ensino e aprendizagem, seminários interacionistas, baseados nos pressupostos metodológicos de Vygotsky, abordando os mesmos temas; e (3) reaplicação do formulário da primeira fase e aplicação de um instrumento avaliativo para verificar as mudanças da intervenção. Os dados qualitativos foram analisados com base no método proposta por Minayo e realizado a análise de similitude no Iramuteq, enquanto os dados quantitativos foram organizados em categorias e analisados por meio de estatística descritiva. Os resultados indicaram que os seminários interacionistas exerceram papel relevante no processo de EPS, ao favorecer a troca de saberes e a interação entre os participantes. A ação educativa foi positivamente avaliada pelos ACS, destacando-se a integração entre ensino, serviço e comunidade, bem como a contribuição para o aprimoramento das práticas no contexto do trabalho. Ressalta-se, contudo, a importância da implementação sistemática dessa abordagem nas unidades de saúde, diante da escassez de programas voltados ao uso de EPI e ao manejo de agrotóxicos nas ESF. Recomenda-se, por fim, a realização de novos estudos que investiguem e monitorem a efetividade de estratégias de EPS, com ênfase em métodos que promovam a aplicabilidade prática das competências dos profissionais da saúde.Item Acesso aberto (Open Access) Protocolo de consulta de enfermagem às pessoas com diabetes mellitus na atenção primária à saúde: pesquisa convergente assistencial(2025-12-03) Assunção, Munyra Rocha Silva; Fava, Silvana Maria Coelho Leite; Dázio, Eliza Maria Rezende; Godinho, Mônica La Salette da Costa; Gomes, Lilian Cristiane; Peloso, Eduardo de FigueiredoO Diabetes mellitus é uma condição crônica com expressiva magnitude e crescente prevalência mundial, configurando-se como um dos principais desafios para os sistemas de saúde. Na Atenção Primária à Saúde, o enfermeiro desempenha papel estratégico no manejo do diabetes, tendo a consulta de enfermagem, sustentada pelo Processo de Enfermagem e por referenciais teóricos, eixo fundamental para o cuidado integral e sistematizado. Entretanto, a consulta ainda é conduzida de forma fragmentada, pouco respaldada por referenciais teóricos e carente de padronização metodológica. Estudo com objetivo geral de desenvolver em conjunto com os enfermeiros da Atenção Primária à Saúde de um município do Sul do estado de Minas Gerais um protocolo de consulta de enfermagem às pessoas com Diabetes mellitus. Trata-se de uma Pesquisa Convergente Assistencial, ancorada no referencial teórico do Construcionismo Social, que integrou o fazer e o pensar da enfermagem em um processo participativo e transformador. O percurso metodológico compreendeu duas etapas, uma revisão de escopo, conduzida segundo os princípios do Joanna Briggs Institute, que mapeou a produção científica sobre a consulta de enfermagem à pessoa com Diabetes mellitus na atenção primária; e um estudo qualitativo, realizado em quatro Estratégias de Saúde da Família, duas Equipes de Atenção Primária e um Centro de Saúde, com a participação de oito enfermeiros. A coleta ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, e os dados foram analisados segundo a Análise de Conteúdo de Bardin; e três grupos de convergência, com o uso de diário de campo e registros das notas. A revisão, composta por 78 estudos, revelou que a consulta de enfermagem é frequentemente restrita à dimensão clínica imediata, com baixa incorporação das etapas do processo de enfermagem e escassez de instrumentos sistematizados que orientem o cuidado. As entrevistas evidenciaram a valorização da consulta como instrumento para o cuidado integral, a ampliação da autonomia profissional e a qualificação da prática clínica, mas também apontaram limitações estruturais e sobrecarga de trabalho como barreiras à sua implementação. Nos grupos de convergência, os enfermeiros participaram ativamente da construção e seleção dos conteúdos prioritários, organização das etapas do processo e definição dos componentes estruturantes do protocolo. Foram pactuadas diretrizes clínicas, discutidas barreiras e potencialidades e delineadas orientações de autocuidado. A integração entre o conhecimento científico e os saberes locais resultou na elaboração e validação participativa do protocolo de consulta de enfermagem à pessoa com diabetes na atenção primária, garantindo adequação à realidade dos serviços e viabilidade de aplicação. O protocolo constitui uma tecnologia cuidativo-educacional de natureza leve-dura, sustentada pela Teoria das Necessidades Humanas Básicas e Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem. O protocolo propõe um modelo sistematizado, participativo e centrado na pessoa, capaz de orientar a prática clínica, fortalecer a autonomia profissional e aprimorar a resolutividade da atenção primária no cuidado à pessoa com diabetes. Conclui-se que o desenvolvimento do protocolo, por meio da Pesquisa Convergente Assistencial, reafirma o potencial desse método para integrar investigação, prática e transformação social, promovendo a produção de tecnologias assistenciais inovadoras e contribuindo para a consolidação da enfermagem como ciência aplicada ao cuidado.Item Acesso aberto (Open Access) Representações sociais de homens em atendimento oncológico sobre a prostatectomia radical e o seu cotidiano de vida(2025-04-24) Carvalho, Bianca de Moura Peloso; Fava, Silvana Maria Coelho Leite; Lima, Rogério Silva; Silva, José Vitor da; Dázio, Eliza Maria Rezende; Lefèvre, FernandoEstudo com o objetivo geral de compreender as representações sociais de homens em atendimento oncológico sobre a prostatectomia radical e o seu cotidiano de vida. Objetivos específicos: identificar o perfil de homens atendidos em um serviço de referência de alta complexidade oncológica da região sul mineira, segundo aspectos sociodemográficos e clínicos; analisar as representações sociais de homens sobre a prostatectomia e as representações sociais sobre o cotidiano de vida após o procedimento cirúrgico. Trata-se de pesquisa qualitativa, descritiva, fundamentada nos referenciais da Teoria das Representações Sociais e do Método do Discurso do Sujeito Coletivo. Participaram 60 homens diagnosticados com câncer de próstata, submetidos à cirurgia de prostatectomia, em acompanhamento oncológico em um município do Sul de Minas Gerais. Coleta de dados entre fevereiro e setembro de 2022, por meio de entrevistas semiestruturadas e acesso aos prontuários, guiados por roteiro semiestruturado, contendo questões relacionadas à caracterização dos participantes e duas questões norteadoras sobre os significados da prostatectomia e do cotidiano pósoperatório. Os dados correspondentes à caracterização sociodemográfica/clínica foram tabulados no programa Microsoft Excel 2010 e apresentados em formato de texto, de tabelas e de gráficos, utilizando-se distribuições absolutas e relativas. As entrevistas foram transcritas e analisadas com base na técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alfenas sob número do parecer: 5.131.466. Constatou-se predomínio de homens com idades entre 70 a 79 anos; ensino fundamental I completo; casados ou em união estável; aposentados; renda mensal aproximada de um salário mínimo, sendo que esta não se alterou após a prostatectomia. Quanto à realização do procedimento cirúrgico, observou-se maior distribuição entre 2019-2022. Além do procedimento cirúrgico, um maior percentual dos homens se submeteu à radioterapia e à hormonioterapia associadas. Quanto às representações sociais da prostatectomia, identificaram-se 11 Ideias Centrais: “Foi bom, uma beleza”; “Comprometimento na função sexual”; “Não mudou nada, vida normal”, “Problemas urinários”; “Retirar o problema, não morrer, curar o câncer”; “Algo que era preciso ser feito, senão o tumor crescia e piorava”; “Sofrimento, experiência ruim demais, difícil, desagradável e triste”; “Mudanças, sequelas variadas e consequências negativas”; “Algo com o que se acostuma, não adianta lamentar”; “Susto, preocupação, choque” e “Algo que podia já ter sido feito”. O cotidiano de vida pósprostatectomia foi descrito em oito Ideias Centrais: “Tocando a Vida”; “Mudanças na Vida Sexual”; “Vida Normal”; “Restrições Físicas com Mudanças no Trabalho”; “Bem-Estar e Satisfação na Vida Diária”; “Vida Transformada”; “Não é Fácil, Acabou Tudo” e “Mudança de Papéis na Vida Conjugal”. Os achados apontam para a necessidade de modelos assistenciais mais abrangentes que incorporem a complexidade das experiências vividas e ofereçam suporte contínuo para a adaptação às mudanças impostas pela cirurgia. Compreendeu-se que as representações sobre a prostatectomia foram relacionadas à adaptação, à satisfação e à insatisfação quanto aos resultados pós-operatórios. As representações sobre o cotidiano de vida foram influenciadas pela percepção da vida, pelos processos de ressignificação e pelos aspectos psicossociais que resultam do processo de enfermidade pelo câncer, o que demonstra a complexidade da experiência do homem no enfrentamento do câncer e de seu tratamento.
