Condições de saúde bucal em um município brasileiro

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Data

2019-12-18

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Universidade Federal de Alfenas

Resumo

Os levantamentos epidemiológicos são importantes para o conhecimento da prevalência e tipologia das doenças bucais, podendo-se a partir dos dados coletados, planejar, executar e avaliar ações e intervenções em saúde bucal no município. O objetivo desta pesquisa foi avaliar as principais condições de saúde bucal em escolares de 5 e 12 anos de um município brasileiro. Estudo do tipo observacional transversal no qual foram examinadas 453 crianças da rede pública de ensino da zona urbana do município de Alfenas/MG. Pesquisou-se aos 5 anos a prevalência e gravidade de cárie dentária em coroa e prevalência de oclusopatias; e aos 12 anos a condição periodontal, a prevalência e gravidade da fluorose dentária, e a prevalência de traumatismo dentário. Os dados foram coletados nas unidades escolares, seguindo todas as recomendações éticas para este tipo de estudo. Uma calibração foi realizada para cada agravo, com dentistas e auxiliares da rede pública, e obteve-se uma concordância inter-examinadores geral de 93,8% e um coeficiente kappa de 0,86. Os exames epidemiológicos foram realizados sob iluminação natural conforme os critérios preconizados pelo SB Brasil 2010 - Condições de Saúde Bucal da População Brasileira. Realizou-se ainda um estudo descritivo retrospectivo do município (2008 a 2018), a partir das informações em saúde bucal disponibilizadas nos sistemas de informações públicos. A prevalência da cárie dentária de coroa aos 5 anos (N = 215) foi de 49,77%, e aos 12 anos (N=238), foi de 69,33%. O índice CPO-D médio encontrado aos 5 e 12 anos de idade foram, respectivamente, 1,93 (IC95% 1,59-2,32) e 2,13 (IC95% 2,01-2,64), com predomínio do componente cariado em ambas idades. A necessidade mais frequente de algum tratamento para cárie foi de restaurações de uma superfície para 12 anos e de restaurações de duas ou mais superfícies para 5 anos. Na condição oclusal, 68,84% das crianças de 5 anos apresentam pelo menos uma alteração que necessitasse de assistência, sendo mais prevalentes a sobressaliência (28,16%) e sobremordida (53,81%); e aos 12 anos a prevalência de oclusopatia definida, severa e muito severa foram de 22,69%, 12,18% e 9,66%, respectivamente. Aos 12 anos 69,33% das crianças apresentaram todos os sextantes hígidos, e a presença de cálculo foi a pior condição periodontal observada (24,37%), sendo o sextante inferior central o mais acometido (21,85%). Ainda aos 12 anos foram identificados apenas 2,15% de dentes com lesões traumáticas dentárias, e prevaleceram 10,92% crianças com fluorose, nível de severidade muito leve. Por fim, verificou-se nos dados secundários uma redução dos procedimentos coletivos-preventivos e um aumento dos individuais-curativos de urgência, mesmo com uma cobertura de saúde bucal na atenção básica expressiva. O presente estudo apontou uma tendência de crescimento da prevalência e da gravidade da cárie dentária com o avançar da idade, além de uma prevalência alta de oclusopatias em ambas as idades. Além disso, constatou-se uma redução nos indicadores dos serviços odontológicos, principalmente preventivos coletivos e manutenção do modelo curativo-mutilador. Diante desses resultados, são necessárias medidas preventivas e assistenciais para cárie dentária e condições oclusais, bem como mudança no modelo de atenção à saúde bucal.



Palavras-chave

Saúde Pública, Epidemiologia, Inquéritos de Saúde Bucal, Sistemas de Informação em Saúde, Cárie Dentária

Citação

MARTINS, Heron Ataide. Condições de saúde bucal em um município brasileiro. 2019. 128 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Odontológicas) - Universidade Federal de Alfenas, Alfenas, MG, 2019.