Estudo da alteração da susceptibilidade de Leishmania (L.) amazonensis frente a alteração de forma de vida
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Resumo
A leishmaniose é uma doença tropical negligenciada causada pelo protozoário do gênero Leishmania e cujo controle ainda depende de quimioterápicos de significativa toxicidade, com relatos crescentes de resistência. Nesse cenário, modelos experimentais in vitro são essenciais na triagem de novas alternativas e compostos candidatos, de modo a reduzir custos, minimizar o uso de modelos animais e otimizar resultados. O presente estudo teve como objetivo avaliar criticamente o uso de amastigotas axênicos como modelo experimental, por meio da análise da atividade de híbridos metronidazol-eugenol contra Leishmania (L.) amazonensis, cepa MHOM/BR/1973/M2269, comparando promastigotas e amastigotas axênicos, e examinando como o histórico (exposição subinibitória) e a mudança de forma de vida (axenização e reconversão) modulam a susceptibilidade. Também foi avaliada a citotoxicidade (CC50) dos híbridos em macrófagos RAW 264.7 para determinação do índice de seletividade (IS). A viabilidade de promastigotas foi determinada por meio do teste da resazurina, enquanto amastigotas axênicos e macrófagos foram avaliados pelo teste do MTT. Os híbridos exibiram atividade leishmanicida relevante, com concentração efetiva de 50% (EC50) menores em amastigotas do que em promastigotas, indicando maior eficácia na forma clinicamente relevante. O composto AD08 se destacou como o mais efetivo (EC50-AA = 11,94 ± 2,19 μM), porém o melhor índice de seletividade foi obtido com o híbrido AD06 (IS = 7,63), que foi também o menos tóxico (CC50 = 136,3 ± 11,9 μM). Na avaliação da susceptibilidade, o pré-tratamento com compostos resultou em aumento do EC50 (aumento médio de 25%), a axenização + reconversão reduziu o EC₅₀ (diminuição média de 27%) e a combinação de ambos acentuou a queda (diminuição média de 97%). Com isso, os resultados evidenciam que a resposta a fármacos em Leishmania é estado-dependente e sujeita a histerese. Os híbridos metronidazol-eugenol — em especial AD06 — emergem como candidatos promissores contra Leishmania (L.) amazonensis; os achados em amastigotas axênicos são indicativos de tendência, mas exigem validação em amastigotas intracelulares, que permanecem como padrão-ouro na prospecção de novas alternativas contra a leishmaniose.
