De rejeitos a subprodutos: uma década de transformações na legislação brasileira sobre rejeitos de mineração

dc.contributor.advisorRoveri, Carolina Del
dc.contributor.authorGonçalves, Carolina Mendes
dc.contributor.authorRibeiro, Francisco Eduardo Fernandes
dc.contributor.refereeAncelmi, Matheus Fernando
dc.contributor.refereeNavarro, Fabiano Cabañas
dc.date.accessioned2025-12-16T19:05:58Z
dc.date.available2025-12-16T19:05:58Z
dc.date.issued2025-12-12
dc.description.abstractA mineração no Brasil constitui um setor estratégico para o desenvolvimento econômico e tecnológico, mas historicamente marcado por fragilidades socioambientais que se tornaram evidentes nos desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019). Esses eventos, de caráter irreversível, não apenas expuseram vulnerabilidades técnicas e regulatórias, mas também catalisaram mudanças profundas na legislação e na governança mineral, impulsionando a reformulação de normas voltadas à segurança de barragens e à destinação de rejeitos. Entre 2015 e 2025, o setor passou por uma década de intensas transformações regulatórias, aprendendo com erros passados e buscando consolidar mecanismos mais eficazes de prevenção e valorização de rejeitos. O Brasil dispõe de um arcabouço jurídico considerado robusto, que abrange desde a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981) até dispositivos específicos para a mineração, como o Código de Mineração (Decreto-Lei nº 227/1967) e seu regulamento atualizado pelo Decreto nº 10.965/2022. A esse conjunto somam-se a Lei nº 14.066/2020, que fortalece a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), a Lei nº 9.605/1998, sobre crimes ambientais, e, mais recentemente, a Resolução ANM nº 189/2024, que institui o Plano de Aproveitamento de Rejeitos e Estéreis (PARE). Este último representa um marco regulatório ao consolidar rejeitos como ativos econômicos, alinhando o setor mineral às diretrizes da economia circular e às metas globais de descarbonização. Apesar da amplitude normativa, a efetividade das leis permanece condicionada a fatores estruturais como fiscalização rigorosa, disponibilidade de recursos técnicos e cumprimento consistente por empresas e instituições estatais. Persistem lacunas relacionadas à capacidade operacional de mineradoras de pequeno porte, à integração entre diferentes esferas de poder e à transparência dos processos de gestão. Nesse sentido, a década analisada revela avanços significativos, mas também desafios persistentes que comprometem a plena implementação das políticas públicas. Este estudo realiza uma análise crítico-interpretativa da evolução regulatória brasileira entre 2015 e 2025, destacando como os desastres minerários impulsionaram não apenas reformas técnicas, mas também mobilizações sociais, ações judiciais coletivas e maior pressão por transparência. A valorização de rejeitos emerge como eixo estratégico, conectando-se às demandas contemporâneas por sustentabilidade, inovação tecnológica e competitividade global. Conclui-se que, embora o Brasil tenha avançado substancialmente em termos normativos, a efetividade das mudanças depende de uma governança integrada, da participação social e da capacidade de fiscalização contínua. A valorização de rejeitos, quando incorporada de forma consistente às práticas empresariais e políticas públicas, pode representar não apenas uma solução ambiental, mas também uma oportunidade econômica capaz de reposicionar o setor mineral brasileiro no cenário internacional.
dc.description.abstract2Mining in Brazil is a strategic sector for economic and technological development, yet it has long been marked by socio-environmental vulnerabilities, made evident by the Mariana (2015) and Brumadinho (2019) disasters. These irreversible events not only exposed technical and regulatory weaknesses but also catalyzed profound changes in legislation and mineral governance, driving the reformulation of standards on dam safety and tailings management. Between 2015 and 2025, the sector underwent a decade of intense regulatory transformation, learning from past failures while seeking to consolidate more effective mechanisms for prevention and tailings valorization. Brazil possesses a comprehensive legal framework that ranges from the National Environmental Policy (Law No. 6,938/1981) to mining-specific instruments such as the Mining Code (Decree-Law No. 227/1967) and its updated regulation (Decree No. 10,965/2022). This framework is further reinforced by Law No. 14,066/2020, which strengthens the National Dam Safety Policy (PNSB), Law No. 9,605/1998 on environmental crimes, and, more recently, ANM Resolution No. 189/2024, which established the Tailings and Waste Utilization Plan (PARE). The latter represents a regulatory milestone by consolidating tailings as economic assets, aligning the mining sector with circular economy principles and global decarbonization goals. Despite the breadth of this framework, its effectiveness remains contingent upon structural factors such as rigorous oversight, technical capacity, and consistent compliance by companies and public institutions. Persistent gaps include the limited operational capacity of small-scale mining enterprises, the lack of integration across different levels of government, and insufficient transparency in management processes. Thus, the decade under review reveals significant progress but also enduring challenges that hinder the full implementation of public policies. This study provides a critical-interpretative analysis of Brazil’s regulatory evolution between 2015 and 2025, emphasizing how mining disasters spurred not only technical reforms but also social mobilization, collective legal actions, and heightened demands for transparency. Tailings valorization emerges as a strategic axis, directly linked to contemporary demands for sustainability, technological innovation, and global competitiveness. The findings suggest that, although Brazil has advanced substantially in regulatory terms, the effectiveness of these changes depends on integrated governance, active social participation, and continuous enforcement. When consistently incorporated into corporate practices and public policies, tailings valorization can represent not only an environmental solution but also an economic opportunity capable of repositioning Brazil’s mining sector in the international arena.
dc.description.additionalinformationTermo de autorização SEI 1694534
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dc.identifier.credential2018.2.35.001
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dc.identifier.lattesAuthorhttp://lattes.cnpq.br/2222643250076674
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dc.language.isopt
dc.publisher.campiCampus Poços de Caldas
dc.publisher.courseEngenharia de Minas
dc.publisher.departmentInstituto de Ciência e Tecnologia
dc.publisher.initialsUNIFAL-MG
dc.publisher.institutionUniversidade Federal de Alfenas
dc.rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess
dc.rights.creativeCommonsAttribution-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
dc.subject.cnpqEngenharias::Engenharia de Minas
dc.subject.enResponsible mining
dc.subject.enLegal framework
dc.subject.enTailings management
dc.subject.enDam safety
dc.subject.enCircular economy
dc.subject.pt-BRMineração responsável
dc.subject.pt-BRArcabouço jurídico
dc.subject.pt-BRGestão de rejeitos
dc.subject.pt-BRSegurança de barragens
dc.subject.pt-BREconomia circular
dc.titleDe rejeitos a subprodutos: uma década de transformações na legislação brasileira sobre rejeitos de mineração
dc.typeinfo:eu-repo/semantics/bachelorThesis

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