Trilhas da Deusa: corpo-e-sujeito mulher no Sagrado Feminino do século XXI
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Resumo
Esta dissertação tem como objetivo geral compreender como se constrói o corpo-e-sujeito mulher no interior do movimento social contemporâneo do Sagrado Feminino, partindo do pressuposto de que existe um padrão normativo de corpo-e-sujeito mulher, produzido historicamente por estruturas patriarcais que operam como referência para a significação do que é “ser mulher”. Supõe-se, ainda, que tais estruturas são continuamente atualizadas no contexto do neoliberalismo, de modo a atender às demandas desse sistema. A investigação fundamenta-se em ampla revisão da literatura pertinente ao tema, articulando contribuições de autores como Weber (2004), Lugones (2020), Oyěwùmí (2021), Stone (2022), Ruether (2005), Federici (2023) e Butler (2018), bem como no campo teórico-metodológico da Análise do Discurso de linhas francesa e brasileira, fundamentado principalmente nas obras de Michel Pêcheux (1995) e Eni Orlandi (2007; 2012) e articulado com as mídias digitais. As análises tomam como corpus materialidades discursivas que foram escolhidas a partir das seguintes páginas: “Mulheres Despertas”, “Danza Medicina” e “Sagrado Feminino Real”. Essa seleção se baseou na premissa de que o movimento do Sagrado Feminino apresenta uma multiplicidade de vertentes que podem orientar sua filiação para formações discursivas diferentes. Assim, supõe-se que os três projetos adotem, em certa medida, posicionamentos contrastantes. Ademais, a relevância da pesquisa reside na possibilidade de contribuir para a produção acadêmica sobre o tema e de fomentar reflexões críticas acerca de narrativas de gênero que, mesmo apresentando-se como alternativas ou emancipatórias, podem reiterar sentidos normativos e excludentes sobre as mulheridades em determinados contextos sociais.
