As anatomistas: mulheres notáveis na história da anatomia no Renascimento e no Iluminismo
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Resumo
O trabalho analisa o papel das principais mulheres anatomistas no contexto da arte, ciência e medicina no Renascimento e no Iluminismo, destacando esses períodos como etapas centrais de um processo de emancipação intelectual que redefiniu a produção do conhecimento no Ocidente. Inicialmente, demonstra-se que o Renascimento promoveu a valorização da observação empírica, da dissecação anatômica e da retomada dos ideais clássicos, rompendo gradualmente com o dogmatismo medieval e consolidando novas bases para a anatomia e para a medicina. Em seguida, evidencia-se que o Iluminismo aprofundou esse movimento ao fortalecer o racionalismo, o método científico e a laicização do saber, embora tenha preservado contradições sociais importantes, sobretudo no que se refere à exclusão feminina. O estudo examina, então, como as mulheres eram representadas e tratadas no campo artístico e médico, mostrando que, embora o corpo feminino ocupasse lugar central na produção estética, as mulheres eram sistematicamente afastadas dos espaços formais de ensino, criação e validação científica. Nesse contexto, o trabalho recupera trajetórias de mulheres que se destacaram na anatomia e na medicina, como Anna Morandi Manzolini, Angélique Marguerite Le Boursier, Marie-Marguerite Bihéron, Louise Bourgeois, Jane Sharp e Dorothea Erxleben, ressaltando suas contribuições para a ceroplastia anatômica, a obstetrícia, o ensino médico, a prática clínica e a crítica às barreiras institucionais impostas ao sexo feminino. Conclui-se que a construção da ciência moderna não foi exclusivamente masculina, mas também sustentada por mulheres cujas contribuições foram historicamente invisibilizadas, tornando sua recuperação indispensável tanto para a justiça histórica quanto para uma compreensão mais ampla da formação da anatomia e da medicina modernas.
