Efeito de extratos de Hymenaea courbaril L. na ação tumoral e citogenotóxica induzida pela quimioterapia em camundongos portadores de melanoma
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Resumo
O melanoma é um tipo de câncer de pele com alta capacidade metastática. Embora eficaz no tratamento de diversos tipos de tumores, a cisplatina (CDDP) apresenta elevada toxicidade sistêmica, especialmente para órgãos como o rim e o fígado. Neste contexto, estudos que investigam extratos vegetais como potenciais adjuvantes à quimioterapia visam reduzir a toxicidade sistêmica sem comprometer a eficácia antitumoral. Hymenaea courbaril L., conhecida no Brasil como Jatobá, é uma espécie vegetal com atividades antioxidantes e anti inflamatórias descritas na literatura. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos sistêmicos dos extratos orgânicos da casca (HCC), da polpa (HCP) e das sementes (HCS) do fruto de H. courbaril L. em camundongos com melanoma induzido submetidos à quimioterapia com CDDP. Foram utilizados camundongos machos da espécie Mus musculus, linhagem C57BL/6, nos quais foram implantadas células de melanoma murino B16-F10. Após o tumor atingir a área de 0,7 cm², os tratamentos foram iniciados e administrados uma vez ao dia por 5 dias consecutivos. A CDDP [7 mg/kg de peso corporal (pc)] foi administrada por via subcutânea (sc). Os extratos HCC, HCP e HCS foram administrados por via oral (vo) nas doses de 100 e 200 mg/kg pc (HCFP, HCP) e de 6,25 e 12,5 mg/kg pc (HCS). A atividade antitumoral foi avaliada por meio da mensuração do peso e área tumoral. A toxicidade sistêmica foi avaliada por parâmetros bioquímicos, incluindo ureia, creatinina, aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT) como também por análise de citotoxicidade e genotoxicidade na medula óssea. A associação dos extratos (HCC) e da polpa (HCP) com a CDDP manteve efeito antitumoral semelhante ao da CDDP isolada. Em contraste, a associação do extrato HCS com a CDDP resultou em menor redução tumoral em relação à CDDP. O tratamento isolado com HCC (200 mg/kg) reduziu significativamente o peso tumoral em relação aos controles implante (CI) e solvente (CS), enquanto os demais extratos isolados não apresentaram efeito significativo. O consumo alimentar foi semelhante entre os grupos, exceto no grupo HCC100 + CDDP. A eficiência alimentar foi positiva apenas no controle negativo (CN) e significativamente menor nos grupos HCC200 + CDDP e HCP200 + CDDP quando comparados ao grupo CDDP. Não foram observadas diferenças significativas na glicemia de jejum entre os grupos tratados. O peso relativo dos órgãos (fígado, rins e baço) não apresentou alterações significativas. Os parâmetros bioquímicos séricos (ureia, creatinina, AST e ALT), como também as análises de citotoxicidade e genotoxicidade na medula óssea, não indicaram efeito protetor dos extratos frente à toxicidade induzida pela CDDP. Os dados evidenciam que os extratos de Hymenaea courbaril L. exercem efeitos distintos quando associados à quimioterapia, destacando que o extrato HCS pode interferir negativamente na eficácia da CDDP, exigindo cautela em seu uso. Em contraste, o extrato HCC apresentou potencial antitumoral independente, sem induzir toxicidade sistêmica. Esses achados reforçam a necessidade de avaliações criteriosas antes da aplicação de produtos naturais como adjuvantes terapêuticos.
