A relação comercial Brasil–China entre 2009 e 2024: desafios e perspectivas para a inserção brasileira
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Resumo
A relação comercial entre Brasil e China ganhou destaque nas últimas décadas e passou a desempenhar papel central na dinâmica econômica brasileira, sobretudo pela forte presença de bens primários nas exportações brasileiras e de manufaturas nas importações oriundas da China. Nesse cenário, compreender como essa interação se insere nas Cadeias Globais de Valor e quais implicações traz para a estrutura produtiva nacional torna-se fundamental, especialmente diante das transformações recentes da economia mundial. Assim, este trabalho tem como objetivo analisar a evolução do comércio bilateral entre Brasil e China, considerando também o posicionamento de cada país nas Cadeias Globais de Valor e o grau tecnológico dos produtos comercializados de 2009 a 2024. Para isso, utilizaram-se dados de comércio exterior e indicadores tecnológicos, analisados por meio de métodos estatísticos descritivos e interpretação comparativa. Os principais resultados revelam que, embora o Brasil obtenha ganhos relevantes com a exportação de commodities, esse padrão reforça a especialização primária e amplia a dependência de produtos industriais chineses, dificultando o avanço em setores mais complexos. Além disso, os dados mostram que as importações provenientes da China se concentram em bens de média e alta tecnologia, o que evidencia um descompasso produtivo entre os países. De modo geral, o estudo indica que, apesar dos benefícios econômicos de curto prazo, a relação comercial atual desafia o Brasil a fortalecer sua base industrial e tecnológica para mitigar vulnerabilidades e se firmar na nova configuração geopolítica global.
