Mestrado e Doutorado
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Item Acesso aberto (Open Access) Autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores acompanhadas nas estratégias saúde da família de um município do Sul de Minas Gerais(2025-12-02) Oliveira, Heverton Paulino de; Dázio, Eliza Maria Rezende; Fava, Silvana Maria Coelho Leite; Godinho, Mônica La Salette da CostaAs feridas de difícil cicatrização destacam-se entre os problemas de saúde pública, pela alta prevalência e incidência, acometem a população em diversas faixas etárias, gênero e etnia. Produzem impacto negativo sobre a qualidade de vida, principalmente quando localizadas nos membros inferiores, pela longa duração do tratamento, tendo como desfecho, em algumas situações, a amputação. Nesse contexto, apreende-se que o cuidado de enfermagem deve ir além das ações técnicas voltadas para o tratamento da lesão, sendo importante compreender as necessidades específicas dessas pessoas e reconhecer que o impacto da lesão é singular, podendo afetar o autocuidado e a qualidade de vida de maneiras distintas. O objetivo foi compreender o autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores acompanhadas nas Estratégias Saúde da Família de um município do Sul de Minas Gerais. Estudo de abordagem qualitativa do tipo descritivo, desenvolvido com vinte e uma pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores. A coleta de dados foi realizada no domicílio dos participantes, pelo pesquisador treinado pela orientadora para este fim. Utilizou-se observação não participante, diário de campo, formulário de caracterização sociodemográfica e clínica, e as seguintes questões norteadoras para entrevista semiestruturada: como você se sente com esta ferida? Como você tem se cuidado com esta ferida? Como é para você realizar o seu tratamento na Estratégia Saúde da Família? Com cada participante foi realizada apenas uma entrevista gravada com autorização e duração média de 10 minutos. Os dados de caracterização sociodemográfica e clínica passaram por análise estatística descritiva simples e estão apresentados em dados absolutos e percentuais. Com os dados qualitativos realizou-se a análise temática de Minayo, fundamentada na Teoria de Enfermagem do Déficit de Autocuidado de Dorothea Orem. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Alfenas sob o parecer nº 7.448.594 e os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os resultados evidenciaram o predomínio de participantes do sexo feminino 12 (57,1%), com idades entre 47 e 86 anos, 14 (66%) com renda mensal de um salário mínimo, sendo 16 (76,19%) aposentados e 14 (66%) católicos. Quanto ao grau de instrução, 11 (52,38%) cursaram o ensino fundamental incompleto e 10 (47%) eram viúvos. Referente às comorbidades mais prevalentes 11 (52,38%) reportaram hipertensão arterial sistêmica e 10 (47,62%) diabetes mellitus. Quanto aos hábitos de vida, 15 (71,43%) negaram tabagismo e 20 (95,24%), afirmaram não fazer uso de álcool (95,24%). O uso de medicamentos contínuos foi relatado por 20 (95,24%), sendo os anti-hipertensivos os mais citados por 11 (55%), os hipoglicemiantes orais por 7 (35%) e insulina por 4 (20%). O tempo médio de convivência com a ferida foi de 15 anos. Por meio da análise dos dados qualitativos identificou-se os núcleos de sentido para compreender as múltiplas facetas que envolvem o autocuidado das pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores. Assim, construídas as seguintes categorias temáticas: Autocuidado comprometido: reflexo das marcas vísiveis e invisíveis da ferida de difícil cicatrização; A busca pela competência para o manejo da ferida: uma trajetória solitária para o autocuidado; O sistema de enfermagem como suporte para promoção do autocuidado de pessoas com feridas: potencialidades e limitações; Autocuidado de pessoas com feridas: desafios à equidade no processo terapêutico. A primeira categoria temática representa os sentimentos da pessoa com ferida de difícil cicatrização e revela que a vivência do ser humano com a lesão transcende a dimensão puramente física, afeta também o bem-estar psicossocial, emocional e espiritual. A segunda categoria temática foca nos comportamentos dos participantes em relação ao cuidado com a ferida e à saúde geral, por isso a Teoria do Déficit de Autocuidado de Orem se torna uma ferramenta analítica central, uma vez que, a "agência de autocuidado", refere-se a capacidade de a pessoa se engajar em ações para cuidar de si mesmo. A terceira categoria apresenta a Estratégia Saúde da Família e a rede familiar como os principais sistemas de apoio que atuam para compensar os déficits de autocuidado. E ainda, os elementos de suporte que fortalecem a agência de autocuidado e os obstáculos que limitam a eficácia desse sistema. Já na última categoria estão descritos alguns dos fatores condicionantes básicos, sendo estes, capazes de influenciar e afetar a capacidade de autocuidado por criar um cenário de vulnerabilidade. Conclui-se que o autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização é um processo dinâmico, influenciado por fatores biopsicossociais, espirituais e culturais. Desenvolver este estudo representou uma jornada de aprendizado científico e humano, consolidando a enfermagem como ciência voltada ao empoderamento e à promoção do autocuidado e da autonomia do ser humano.Item Acesso aberto (Open Access) Avaliação do conhecimento em primeiros socorros dos professores do ensino fundamental(2025-12-05) Araujo, Aniele Garcia de Lima; Moreira, Denis da Silva; Neves, Eliane Tatsch; Lima, Rogério SilvaCom o caráter obrigatório da ‘Lei Lucas’, o treinamento em primeiros socorros para os professores e funcionários vem sendo concretizado em diferentes locais do Brasil. Compreender se o treinamento realizado possibilitou que os professores agregassem conhecimentos sobre técnicas básicas em primeiros socorros é mais um passo na busca pela promoção da segurança e saúde da criança. Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o conhecimento teórico dos professores do ensino fundamental em primeiros socorros após treinamento. Trata-se de uma pesquisa descritiva transversal, analítica, com abordagem quantitativa, conduzida em uma cidade no interior de Minas Gerais. A pesquisa contemplou 201 professores de escolas municipais de ensino fundamental, que atuam direta ou indiretamente em sala de aula e que participaram do treinamento em primeiros socorros realizado pelo Núcleo de Educação em Urgência do SAMU. A coleta de dados foi realizada por meio de um instrumento validado pela técnica e-Delphi, entre os meses de novembro e dezembro de 2024. Os dados foram analisados de forma descritiva e por regressão logística. Quanto as características dos participantes, 78,1% (n=157) dos professores são do gênero feminino, com média de idade de 48,4 anos, predominantemente graduados em pedagogia (48,8% / n=98) e com atuação maior de 15 anos na área. O treinamento ministrado aos professores e funcionários teve média de tempo de cinco horas. Os resultados demostraram que apenas 57,2% (n=115) alcançaram o mínimo esperado para um bom aproveitamento ao que se refere ao conhecimento teórico em primeiros socorros com média de acerto de 11,69 questões. As principais lacunas existentes no conhecimento dos professores são: relação compressão-ventilação na PCR em criança, desobstrução de vias aéreas, sangramento nasal, choque anafilático, picada por animal peçonhento, febre, luxação e entorse. A análise inferencial demonstrou que, docentes do gênero masculino, com formação em pedagogia, menor tempo de experiência profissional e que participaram de capacitações com maior carga horária apresentaram melhores desempenhos. Em contrapartida, quanto maior a idade e tempo de atuação dos professores, exercício profissional de forma ininterrupta no último ano letivo, menor carga horária de treinamento e formação em licenciatura, menor o nível de conhecimento. Constata-se que os aspectos individuais e formativos exercem influência direta sobre o desempenho em primeiros socorros, o que reforça a urgência de estratégias educacionais permanentes e específicas, voltadas à homogeneização do preparo docente diante de situações emergenciais. Destaca-se que o professor devidamente capacitado e em consonância com os princípios fundamentais dos primeiros socorros assume papel essencial na prevenção de agravos e na garantia de um desfecho mais favorável para crianças e adolescentes em contextos de urgência no ambiente escolar. Dessa forma, a capacitação ultrapassa o âmbito meramente instrucional, configurando-se como ação estratégica de saúde pública e de responsabilidade institucional articulada à atuação técnica e educativa do enfermeiro do Programa Saúde na Escola, permitindo a transformação do conhecimento em prática efetiva, fortalecimento da cultura de prevenção. Assim, fortalecimento de uma base científica possibilitará a sustentação não apenas de atualização contínua, mas também a corresponsabilidade dos entes federativos pelo cumprimento das diretrizes preconizadas pela Lei Lucas.Item Acesso aberto (Open Access) Complicações pós-operatórias e cuidados de enfermagem prestados: análise de fatores associados em pacientes de um hospital filantrópico do Sul de Minas Gerais(2025-11-28) Silva, Taline Gonçalves da; Andreia Cristina Barbosa Costa; Sawada, Namie Okino; Silva, Renata Cristina de Campos Pereira; Fava, Silvana Maria Coelho LeiteObjetivo: Esse estudo objetiva analisar as complicações pós-operatórias que afetam os pacientes submetidos a qualquer tipo de cirurgia e seus fatores associados, além de identificar os cuidados de enfermagem aplicados para cada tipo de complicação encontrada. Método: Trata-se de um estudo observacional descritivo, analítico, retrospectivo com abordagem quantitativa. A coleta de dados ocorreu em um hospital situado no sul do Estado de Minas Gerais, no período de setembro a novembro de 2024, pela pesquisadora, por meio de busca ativa dos prontuários dos pacientes que foram submetidos a procedimentos cirúrgicos em 2023, sendo N = 3585, foi realizado cálculo amostral para a definição do quantitativo de prontuários a serem analisados, obtendo-se um n = 329, em seguida foi realizado sorteio da amostra. O roteiro de coleta de dados foi construído pelos pesquisadores com base na literatura e passou por um teste piloto com 10 prontuários. Os dados coletados foram agrupados em um banco de dados utilizando-se uma planilha eletrônica, foi efetuado em dupla digitação a fim de evitar erros de transcrição. Posteriormente, as análises estatísticas foram conduzidas no software RStudio, os resultados foram apresentados em figuras e tabelas. O presente trabalho seguiu a Resolução nº 466/2012, sendo aprovado pelo CEP da Universidade Federal de Alfenas com parecer n. 7.025.491 e CAAE: 81424324.0.0000.5142. Resultados: Foram coletados um total de 353 prontuários, destes 185 (52,4%) apresentaram algum tipo de complicação, sendo as mais incidentes dor, náusea e vômito, respectivamente. As cirurgias gerais foram as mais recorrentes, e a intervenção de enfermagem que mais se destacou foi a administração de medicamentos, seguido da realização de curativos e instalação de oxigenioterapia. A realização de antibioticoprofilaxia e de enteroclisma associou-se à menor prevalência de complicações pós-operatórias, indicando efeito protetivo dessas práticas. Por outro lado, maior tempo cirúrgico, potencial de contaminação elevado , uso de dispositivos pós-operatórios e reinternação correlacionaram-se com prevalência mais elevada do desfecho. Conclusões: O estudo analisou as complicações pós-operatórias, identificando tanto os fatores que contribuem para a redução do risco desses eventos quanto aqueles relacionados ao aumento de sua ocorrência. Destacou-se a atuação essencial da equipe de enfermagem na prevenção, detecção precoce e manejo eficaz das complicações cirúrgicas.Item Acesso aberto (Open Access) Diferenças de sexo na associação entre capital social e mortalidade por todas as causas: achados do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros(2025-11-28) Belineli, Lilian Miranda; Brito, Tábatta Renata Pereira de; Fava, Silvana Maria Coelho Leite; Alexandre, Tiago da SilvaIntrodução: O capital social é definido como o conjunto de recursos reais ou potenciais advindos de uma rede sólida de relacionamentos. Logo, o nível de inserção e engajamento dos indivíduos pertencentes aos grupos sociais garante acesso a determinadas vantagens e benefícios. Ao envelhecer, a pessoa idosa pode encontrar dificuldade em manter seus papeis sociais dentro de suas famílias/comunidades, o que pode resultar em níveis diferentes de capital social. Além disso, homens e mulheres idosas tem socialização e redes sociais muito diversas, trazendo impactos significativos quanto a forma como o capital social pode interferir na saúde desse grupo etário. Levando em consideração a influência positiva do capital social na promoção da saúde e prevenção de doenças entre pessoas mais velhas, o mesmo pode diminuir as chances de desfechos negativos de saúde e, consequentemente, o risco de óbito entre as pessoas mais velhas. Objetivo: Verificar se aspectos relacionados ao capital social estão associados a mortalidade por todas as causas entre homens e mulheres com idade de 50 anos ou mais. Método: Estudo de coorte prospectiva que utilizou os dados do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-BRASIL). Os dados da linha de base são de 2015/16 e o acompanhamento foi feito até a segunda onda (2019/21). A amostra inclui indivíduos com 50 anos ou mais, residentes em 70 municípios das diferentes regiões do país. O capital social foi avaliado por meio de questões autorreferidas, sendo que o capital estrutural foi avaliado por meio da realização de trabalho voluntário e participação social, e o capital social cognitivo foi avaliado por meio da confiança interpessoal e da percepção do indivíduo quanto a possuir amigos. As informações sobre os óbitos foram vinculadas ao Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). As análises de associação entre o capital social e a mortalidade foram realizadas por meio de modelos de regressão de riscos proporcionais de Cox. Resultados: Das 7.791pessoas com 50 anos ou mais acompanhadas, a maioria é do sexo feminino (54,51%), está na faixa etária de 50 a 59 anos (49,76%) e tem renda insuficiente para suas necessidades diárias (40,83%). Quanto às questões de saúde, a maioria apresenta doenças crônicas, como a hipertensão arterial sistêmica (51,42%) e diabetes (15,70%). Já quanto aos tipos de capital social, a maioria não realiza atividades de trabalho voluntário (80,82%), mas participam de atividades sociais organizadas (50,40%), têm amigos (90,23%) e confiam nos vizinhos/pessoas próximas (81,58%). A participação social (HR=0,74; IC95%=0,56-0,97) e a percepção de amigos (HR=0,72; IC95%=0,52-0,99) reduzem em 26% e 28% o risco de óbito entre as mulheres, independentemente de aspectos socioeconômicos, clínicos e de estilo de vida. Não foi observada associação entre aspectos do capital social e mortalidade entre os homens. Conclusão: Observou-se diferença de sexo, sendo que o maior capital social estrutural e cognitivo esteve associado a menor risco de óbito entre as mulheres participantes do estudo. Este estudo traz contribuições importantes quanto ao papel do capital social na prevenção de agravos para as mulheres idosas, mas ainda são necessários mais estudos para compreender como este construto pode influenciar os homens mais velhos.Item Acesso aberto (Open Access) Efeito da reflexologia podal no alívio da dor em pessoas com câncer: revião sistemática(2025-12-08) Oliveira, Geovana Maria; Kosour, Carolina; Dázio, Eliza Maria Rezende; Via, Fabiana DellaA dor é um sintoma altamente prevalente em pacientes oncológicos, afetando de 60% a 90% das pessoas com câncer e impactando significativamente a qualidade de vida. As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), como a reflexologia podal (RP), têm sido utilizadas no Sistema Único de Saúde para manejo de sintomas, incluindo dor, promovendo relaxamento, melhora da circulação sanguínea e bem-estar físico e emocional. Estudos indicam que a estimulação de pontos reflexos, como o plexo solar, pode modular a percepção dolorosa e favorecer alívio físico e emocional. Objetivo: Avaliar o efeito da RP como prática integrativa no manejo da dor em pessoas com câncer. Método: Trata-se de uma revisão sistemática (RS) conduzida segundo as diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI) e PRISMA, com protocolo registrado no PROSPERO (CRD42024541519) e publicado previamente. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (ECR) com adultos oncológicos, nos idiomas português, inglês e espanhol, que avaliaram dor como desfecho primário. A busca eletrônica contemplou bases como PubMed, Scopus, Embase, Web of Science, PEDro, ProQuest, BVS e Google Acadêmico, complementada por literatura cinzenta. Critérios de exclusão incluíram pacientes em cuidados paliativos exclusivos, uso concomitante de terapias complementares ou tratamento medicamentoso específico para dor. A extração de dados considerou características populacionais, intervenções, escalas de dor utilizadas, protocolos de RP e qualidade metodológica avaliada pelo JBI. Resultados: Foram incluídos 10 estudos, com amostras variando de <40 a 385 participantes. A idade média dos participantes concentrou-se entre 40 e 60 anos, e a maioria das amostras apresentou predomínio feminino. Quanto ao tipo de câncer, linfoma e leucemia foram mais frequentes, com escassa informação sobre estadiamento avançado. A intervenção de RP variou entre sessões únicas e múltiplas, com duração de 20 a 30 minutos, conduzida predominantemente por profissionais capacitados, em ambiente calmo e privado. Protocolos utilizados incluíram método Ingham (20%) e Josef Eugster (10%). O grupo controle recebeu cuidados habituais, leitura ou toque placebo. A avaliação da dor utilizou principalmente a Escala Numérica (80%), e em menor proporção Escala Wong-Baker FACES, Pain Rating Scale e Brief Pain Inventory. Seis estudos (60%) relataram redução estatisticamente significativa da dor, com diminuição média de 1,1 a 2,7 pontos, especialmente em subgrupos com dor moderada a intensa. Um estudo observou efeito cumulativo, com alívio total da dor na quarta e quintas semanas. Três estudos (30%) não encontraram diferenças significativas, possivelmente relacionadas a heterogeneidade individual e limitações metodológicas. A maioria dos estudos (70%) não relatou eventos adversos. Conclusão: A RP pode ter efeito analgésico consistente em pacientes oncológicos, sendo especialmente eficaz em casos de dor moderada a intensa, promovendo redução significativa da dor e melhora do bem-estar. Apesar das limitações metodológicas e heterogeneidade dos estudos, os achados reforçam o potencial da RP como intervenção complementar segura e eficaz no manejo da dor oncológica, evidenciando a necessidade de pesquisas futuras com protocolos padronizados e maior rigor metodológico.Item Embargo Liderança na unidade de pronto-atendimento: análise das pecepções de enfermeiros e equipe multiprofissional(2025-12-09) Rodrigues, Ariane Aparecida; Lima, Rogério Silva; Sanches , Roberta Seron; Bernardes, AndreiaA liderança configura-se como elemento central para a qualidade da assistência prestada em serviços de urgência e emergência, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), onde a articulação entre diferentes categorias profissionais é essencial para a resolutividade do cuidado. Este estudo teve como objetivo analisar as percepções dos enfermeiros e dos demais profissionais da equipe multiprofissional sobre a liderança na UPA. Trata-se de pesquisa qualitativa, orientada pelo referencial teórico do Construcionismo Social. Para análise dos dados, utilizou-se a Análise Temática Reflexiva. Participaram 47 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e outras categorias da equipe multiprofissional. Os dados foram coletados por meio de entrevistas individuais semiestruturadas, gravadas em áudio e transcritas na íntegra em editor de texto. A análise dos dados permitiu a elaboração de dois temas principais. Os resultados permitiram observar que a liderança é compreendida pelos profissionais majoritariamente como uma prática gerencial, centrada na organização de atividades, resolução de problemas e condução de processos, indicando pouca clareza acerca do significado de liderança debatido na literatura contemporânea. O enfermeiro foi associado a principal figura de liderança, sobretudo pelo desempenho cotidiano de funções que articulam gestão e cuidado, mediando conflitos e promovendo a continuidade da assistência. Os participantes relacionam algumas caracteristicas a liderança tanto relacionais, quanto normativos. A construção da ideia sobre a liderança demonstrou-se associada à experiência, ao envolvimento assistencial e à capacidade de articulação entre os diversos setores. Conclui-se que a liderança na UPA é construída nas práticas e perpasando pelas relações cotidianas de trabalho. Reitera-se a necessidade de estratégias de formação que promovam lideranças clínicas, locais, colaborativas e ajustadas às especificidades do cuidado em contextos de alta complexidade. PalavrasItem Acesso aberto (Open Access) Potencial terapêutico da poesia como intervenção em saúde no contexto de cuidados paliativos: revisão integrativa(2025-12-01) Santos, Lourdes Helena de Paula; Garcia, Ana Cláudia Mesquita; Freitas, Patrícia Scotini; Souza, Fabiana Bolela deCuidado Paliativo trata-se de uma abordagem de cuidados que busca promover a qualidade de vida e o alívio de sintomas angustiantes por meio de uma abordagem integral e humanizada diante do sofrimento causado por doenças graves. Nesse sentido, a poesia tem emergido como uma estratégia terapêutica que favorece a expressão emocional, ressignificação da experiência e suporte espiritual. Este teve como objetivo de analisar as evidências disponíveis na literatura sobre o potencial terapêutico da poesia como intervenção em saúde no contexto dos cuidados paliativos. Foi desenvolvida uma revisão integrativa, conforme proposto por Toronto e Remington. A questão de pesquisa foi elaborada com base na PICo: Quais são as evidências disponíveis na literatura sobre o potencial terapêutico da poesia como intervenção em saúde no contexto de hospice e cuidados paliativos. O protocolo foi registrado no Open Science Framework. Foram incluidos doze estudos publicados entre os anos de 1997 e 2024 incluídos nesta revisão. A partir da análise dos dados, foram identificados três temas: 1) Expressão e processamento emocional; 2) Facilitação da Comunicação e Vínculo interpessoal, 3) Ressignificação da experiência de adoecimento e finitude. A avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos foi realizada pelo Evidence Level and Quality Guide Johns Hopkins Nursing Evidence Based Practice. Os estudos, com predominância de delineamentos observacionais, identificaram efeitos benéficos da poesia em variáveis como qualidade de vida, resiliência emocional, expressão de sentimentos e auto conexão. O uso da poesia como medida terapêutica nos cuidados paliativos tem se mostrado uma abordagem promissora para pacientes com câncer e outras doenças graves. A poesia favorece o desenvolvimento de conexão com a natureza, com os outros e com questões internas. Além disso, é capaz de minimizar sintomas emocionais negativos como ansiedade e omissão de sentimentos.Item Acesso aberto (Open Access) Processo de trabalho dos enfermeiros na Atenção Primária à Saúde em uma região de saúde de Minas Gerais : estudo qualitativo(2025-12-02) Silva, Karla de Oliveira; Silva, Simone Albino da; Loyola, Edilaine Assunção Caetano de; Resck, Zélia Marilda RodriguesO enfermeiro desempenha um papel central nas equipes da Atenção Primária à Saúde, principal porta de entrada para o Sistema Único de Saúde. Compreender a organização do seu processo de trabalho é fundamental para fortalecer as práticas assistenciais e superar fragilidades, impactando positivamente na qualidade do cuidado. Este estudo teve como objetivo compreender a organização e as dinâmicas do processo de trabalho dos enfermeiros nas equipes de Atenção Primária à Saúde em uma região de saúde de Minas Gerais, com enfoque nas características sociodemográficas, formação profissional, autonomia, facilidades, dificuldades e práticas individuais e coletivas. Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa e transversal, realizado com 23 enfermeiros de cinco municípios selecionados por amostragem por conglomerados. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, analisados mediante Análise de Conteúdo De Bardin (2016) e processados no software NVivo®. Os resultados indicaram predominância de enfermeiros do sexo feminino, autodeclarados brancos, com idade superior a 40 anos, formação superior há mais de 10 anos e com pelo menos uma especialização; evidenciaram-se facilidades como vínculo com a comunidade, estabilidade no cargo, bom relacionamento com a equipe e apoio institucional; identificaram-se dificuldades relacionadas à sobrecarga de funções, falta de recursos humanos e materiais, ausência de estrutura para retomada de ações coletivas pós- pandemia, falta de protocolos e dependência do profissional médico para solicitações e prescrições; constatou-se autonomia em atendimentos específicos (saúde da mulher, pré-natal e curativos) e a mobilização de estratégias profissionais para garantir continuidade do cuidado. Na interpretação dos achados destacaram-se cinco categorias que expressam tensões e potencialidades no processo de trabalho: Gestão e governança da prática em saúde; Autonomia profissional e processo de trabalho; Desafios éticos e políticos; Dinâmicas interpessoais e engajamento; Reconhecimento, valorização e satisfação profissional. Conclui-se que o processo de trabalho do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde é marcado pela articulação entre ações assistenciais e gerenciais, permeado por condições estruturais, organizacionais, éticas, políticas e relacionais, e que o fortalecimento da autonomia, da educação permanente e do reconhecimento profissional é essencial para qualificar a assistência e consolidar os princípios do SUS na Atenção Primária à Saúde.Item Acesso aberto (Open Access) Profissionais de enfermagem como segunda vítima em eventos adversos: vivências de enfermeiros hospitalares na função gerencial(2025-12-01) Silva, Vitória Cristina; Resck, Zélia Marilda Rodrigues; Terra, Fábio de Souza; Soares, Mirelle InácioOs profissionais de enfermagem, por sua atuação direta na assistência, apresentam maior vulnerabilidade à ocorrência de eventos adversos. A vivência desses incidentes pode gerar impactos emocionais e temor de sanções disciplinares ou legais, configurando o fenômeno da “Segunda Vítima”. Nesse contexto, enfermeiros que ocupam funções de liderança exercem papel estratégico na consolidação da cultura de segurança do paciente. Objetivou-se analisar a vivência dos enfermeiros na função gerencial em instituições hospitalares face aos cuidados aos profissionais de enfermagem como segunda vítima de eventos adversos. Estudo descritivo e analítico, de abordagem qualitativa, fundamentado no referencial teórico-metodológico da hermenêutica-dialética. Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, foi realizada a coleta de dados, entre outubro de 2024 e março de 2025, em ambiente virtual, por meio da plataforma Google Meet, e consistiu em entrevista única por participante. Foram 11 enfermeiras atuantes em funções gerenciais em instituições hospitalares, selecionadas por meio da técnica de amostragem snowball. A entrevista semiestruturada foi norteada por um instrumento elaborado pelas autoras, composto por um questionário de caracterização pessoal e profissional e por duas questões abertas, gravadas e posteriormente transcritas. Os dados de caracterização pessoal e profissional foram apresentados em tabelas por meio da estatística descritiva e para a organização e análise dos dados oriundos da entrevista utilizou-se a análise temática reflexiva. Adotou-se como fundamentação teórica a abordagem “TRUST: The 5 Right of the Second Victim”. As participantes eram todas do sexo feminino, na faixa etária de 41 a 50 anos, em sua maioria casadas ou em união estável, distribuídas em dois estados e oito municípios. Possuíam de 15 a 20 anos de experiência na enfermagem, com mais de seis anos de atuação na instituição e na função ou cargo gerencial atual, destacando-se nos cargos de enfermeira responsável técnica e enfermeira de qualidade e segurança. A análise temática reflexiva possibilitou a definição de três temas: “Eventos adversos e a interface com os profissionais de enfermagem como segunda vítima”, “Cultura organizacional, gestão e liderança e a interface com os profissionais de enfermagem como segunda vítima de eventos adversos” e “Ações estratégicas de apoio aos profissionais de enfermagem como segunda vítima de eventos adversos”. No primeiro tema, evidenciou-se a compreensão do conceito e da complexidade que envolve a segunda vítima ainda incipientes. No segundo, apreendeu-se que a cultura institucional, os modelos de gestão e as práticas de liderança influenciam diretamente na condução dos eventos adversos e na forma como a segunda vítima vivencia essa experiência. Por fim, no terceiro tema identificou-se que as iniciativas de apoio permanecem pontuais e pouco institucionalizadas e reforçou a importância de ações preventivas voltadas à redução dos incidentes. Conclui-se que, mesmo com o reconhecimento da natureza sistêmica dos eventos, a cultura punitiva ainda persiste em muitos contextos. As ações estratégicas institucionais constituem desafio para a realidade vivenciada, o que reforça a necessidade de programas estruturados de suporte à segunda vítima.Item Acesso aberto (Open Access) Saúde mental dos adolescentes no olhar dos enfermeiros da atenção primária: um percurso para o cuidado(2025-12-02) Martins, Thais; Felipe, Adriana Olimpia Barbosa; Resck, Zélia Marilda Rodrigues; Andrade, Maria Betânia Tinti deA adolescência constitui um dos processos de vida mais relevantes no que se refere à construção e ao fortalecimento dos vínculos sociais. É também uma fase marcada pela emergência de conflitos e angústias significativas. Nesse período do desenvolvimento humano, o indivíduo encontra-se em condição de maior vulnerabilidade para a manifestação de problemas relacionados à saúde mental, em razão das intensas transformações físicas, emocionais e sociais que vivencia. Este estudo teve como objetivo analisar, na perspectiva do olhar dos enfermeiros da Atenção Primária, a saúde mental dos adolescentes à luz da Teoria do Cuidado Humano Transpessoal de Jean Watson. Trata-se de um estudo transversal, descritivo, de abordagem qualitativa, discutido com base nos pressupostos da referida teoria. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob parecer número 7.150.480, e conduzida com 26 enfermeiros atuantes na Atenção Primária à Saúde. A coleta de dados ocorreu entre janeiro e maio de 2025, utilizando-se grupos focais presenciais como estratégia. Após análise dos dados, as falas dos participantes convergiram e foram organizadas em cinco categorias: “Olhar dos enfermeiros na paternidade dos adolescentes: da superproteção à negligência”; “Adolescente no mundo das drogas: gota d’água para o sofrimento e as alterações mentais”; “Despertar do adolescente na busca pela identidade de gênero e a relação sexual (des)protegida: caminhos de luta e sofrimento para si e para o outro”; “Alterações em saúde mental do adolescente na ótica dos enfermeiros: entre o visível e o oculto”; e “Saúde mental do adolescente: percurso do enfermeiro para o cuidado”. Conclui-se pelo olhar do enfermeiro que os adolescentes vivenciam um grande sofrimento emocional, como ansiedade, depressão, autolesão não suicida e ideação suicida. E que os fatores de risco se referem à sexualidade, à identidade de gênero, às relações familiares desestruturadas e ao uso de substâncias lícitas e ilícitas. Os enfermeiros retratam que a família emerge como um elemento central na promoção da saúde mental do adolescente, contudo existe negligência, incompreensão e banalização do sofrimento pela família. Além disso, a resistência do adolescente em procurar a unidade de saúde, associada à necessidade de capacitação dos enfermeiros e à falta de intervenções interprofissionais e intersetoriais, compromete a qualidade do cuidado, o que demanda capacitação contínua e implementação de ações interprofissionais e intersetoriais tanto para o adolescente, quanto para a família. Os mesmos ainda consideram que a escola é um espaço privilegiado e efetivo para a promoção e prevenção da saúde. Portanto, o cuidado em saúde mental de adolescentes na Atenção Primária à Saúde constitui um desafio complexo, neste cenário, a Teoria do Cuidado Humano Transpessoal de Jean Watson oferece uma base ética e prática, essencial para o cuidado integral pautado na empatia, na presença autêntica e no respeito à singularidade do sujeito. A partir dessa perspectiva, o enfermeiro não apenas atua na cura das feridas visíveis, mas sobretudo no acolhimento das dores invisíveis, ao promover ambientes seguros e humanizados que favorecem a expressão dos sentimentos e o fortalecimento da autoestima e da resiliência emocional dos mesmos.Item Acesso aberto (Open Access) Trabalho interprofissional e sua relação com o alcance dos indicadores da atenção primária à saúde: estudo qualitativo(2024-12-03) Ribeiro, Nielly Andrade Carvalho; Lima, Rogério Silva; Silva, Simone Albino da; Chini, Lucélia TerraA Atenção Primária em saúde (APS) configura-se como ferramenta imprescindível para o gerenciamento do cuidado em saúde no contexto brasileiro. Considera-se que a íntima relação entre a natureza do trabalho interprofissional e o alcance dos objetivos da APS deva ser objeto de mais estudos que provoquem novas reflexões e direcionamentos para a formação inicial e continuada dos profissionais integrantes da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Assume-se como objetivo geral dessa investigação: Analisar a influência do trabalho interprofissional no alcance dos indicadores de desempenho para financiamento da APS na visão dos profissionais de saúde. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, analítica, realizada em duas ESF. Participaram 23 profissionais que atuavam diretamente na assistência, integrantes de duas equipes de ESF do município do Sul de Minas Gerais. Foram selecionadas por conveniência as equipes que atendessem aos seguintes critérios: a com melhor alcance das metas dos indicadores de desempenho e aquela com menor taxa de alcance dos mesmos indicadores. Adicionalmente, as equipes deveriam também atender uma população com características sociodemográficas semelhantes, cobrirem um território contíguo e possuírem a mesma composição de profissionais. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas norteadas por um roteiro semiestruturado, gravadas em áudio. Para a organização e análise de dados foi utilizada a Análise Temática Reflexiva. Elaborou-se dois temas, intitulados: “O trabalho multiprofissional e sua lógica de linha de produção para o alcance dos indicadores e metas da Atenção Primária” e “O Paradoxo do bom relacionamento entre a equipe e o desconhecimento dos papéis de seus membros no alcance dos indicadores”. Pôde-se observar que os profissionais entendem que a adequada integração da equipe influencia o trabalho e, consequentemente, o alcance dos indicadores. No entanto, não se notou um alto nível de integração, esperado em um trabalho de cunho interprofissional. Da mesma forma, não foi possível assegurar que exista o reconhecimento mútuo de papéis entre os membros e objetivos claros e compartilhados entre a equipe no processo de obtenção dos resultados observados no SISAB. Sugere-se mais estudos para explorar como a formação básica e continuada dos profissionais de saúde podem ser direcionados com vistas à melhoria da integração da equipe para maior colaboração interprofissional, avançando para um modelo de trabalho em que os papéis e responsabilidades são claramente definidos e os objetivos compartilhados.
