Mestrado em Enfermagem
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.unifal-mg.edu.br/handle/123456789/2656
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Item Embargo Liderança na unidade de pronto-atendimento: análise das pecepções de enfermeiros e equipe multiprofissional(2025-12-09) Rodrigues, Ariane Aparecida; Lima, Rogério Silva; Sanches , Roberta Seron; Bernardes, AndreiaA liderança configura-se como elemento central para a qualidade da assistência prestada em serviços de urgência e emergência, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), onde a articulação entre diferentes categorias profissionais é essencial para a resolutividade do cuidado. Este estudo teve como objetivo analisar as percepções dos enfermeiros e dos demais profissionais da equipe multiprofissional sobre a liderança na UPA. Trata-se de pesquisa qualitativa, orientada pelo referencial teórico do Construcionismo Social. Para análise dos dados, utilizou-se a Análise Temática Reflexiva. Participaram 47 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e outras categorias da equipe multiprofissional. Os dados foram coletados por meio de entrevistas individuais semiestruturadas, gravadas em áudio e transcritas na íntegra em editor de texto. A análise dos dados permitiu a elaboração de dois temas principais. Os resultados permitiram observar que a liderança é compreendida pelos profissionais majoritariamente como uma prática gerencial, centrada na organização de atividades, resolução de problemas e condução de processos, indicando pouca clareza acerca do significado de liderança debatido na literatura contemporânea. O enfermeiro foi associado a principal figura de liderança, sobretudo pelo desempenho cotidiano de funções que articulam gestão e cuidado, mediando conflitos e promovendo a continuidade da assistência. Os participantes relacionam algumas caracteristicas a liderança tanto relacionais, quanto normativos. A construção da ideia sobre a liderança demonstrou-se associada à experiência, ao envolvimento assistencial e à capacidade de articulação entre os diversos setores. Conclui-se que a liderança na UPA é construída nas práticas e perpasando pelas relações cotidianas de trabalho. Reitera-se a necessidade de estratégias de formação que promovam lideranças clínicas, locais, colaborativas e ajustadas às especificidades do cuidado em contextos de alta complexidade. PalavrasItem Acesso aberto (Open Access) Efeito da reflexologia podal no alívio da dor em pessoas com câncer: revião sistemática(2025-12-08) Oliveira, Geovana Maria; Kosour, Carolina; Dázio, Eliza Maria Rezende; Via, Fabiana DellaA dor é um sintoma altamente prevalente em pacientes oncológicos, afetando de 60% a 90% das pessoas com câncer e impactando significativamente a qualidade de vida. As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), como a reflexologia podal (RP), têm sido utilizadas no Sistema Único de Saúde para manejo de sintomas, incluindo dor, promovendo relaxamento, melhora da circulação sanguínea e bem-estar físico e emocional. Estudos indicam que a estimulação de pontos reflexos, como o plexo solar, pode modular a percepção dolorosa e favorecer alívio físico e emocional. Objetivo: Avaliar o efeito da RP como prática integrativa no manejo da dor em pessoas com câncer. Método: Trata-se de uma revisão sistemática (RS) conduzida segundo as diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI) e PRISMA, com protocolo registrado no PROSPERO (CRD42024541519) e publicado previamente. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (ECR) com adultos oncológicos, nos idiomas português, inglês e espanhol, que avaliaram dor como desfecho primário. A busca eletrônica contemplou bases como PubMed, Scopus, Embase, Web of Science, PEDro, ProQuest, BVS e Google Acadêmico, complementada por literatura cinzenta. Critérios de exclusão incluíram pacientes em cuidados paliativos exclusivos, uso concomitante de terapias complementares ou tratamento medicamentoso específico para dor. A extração de dados considerou características populacionais, intervenções, escalas de dor utilizadas, protocolos de RP e qualidade metodológica avaliada pelo JBI. Resultados: Foram incluídos 10 estudos, com amostras variando de <40 a 385 participantes. A idade média dos participantes concentrou-se entre 40 e 60 anos, e a maioria das amostras apresentou predomínio feminino. Quanto ao tipo de câncer, linfoma e leucemia foram mais frequentes, com escassa informação sobre estadiamento avançado. A intervenção de RP variou entre sessões únicas e múltiplas, com duração de 20 a 30 minutos, conduzida predominantemente por profissionais capacitados, em ambiente calmo e privado. Protocolos utilizados incluíram método Ingham (20%) e Josef Eugster (10%). O grupo controle recebeu cuidados habituais, leitura ou toque placebo. A avaliação da dor utilizou principalmente a Escala Numérica (80%), e em menor proporção Escala Wong-Baker FACES, Pain Rating Scale e Brief Pain Inventory. Seis estudos (60%) relataram redução estatisticamente significativa da dor, com diminuição média de 1,1 a 2,7 pontos, especialmente em subgrupos com dor moderada a intensa. Um estudo observou efeito cumulativo, com alívio total da dor na quarta e quintas semanas. Três estudos (30%) não encontraram diferenças significativas, possivelmente relacionadas a heterogeneidade individual e limitações metodológicas. A maioria dos estudos (70%) não relatou eventos adversos. Conclusão: A RP pode ter efeito analgésico consistente em pacientes oncológicos, sendo especialmente eficaz em casos de dor moderada a intensa, promovendo redução significativa da dor e melhora do bem-estar. Apesar das limitações metodológicas e heterogeneidade dos estudos, os achados reforçam o potencial da RP como intervenção complementar segura e eficaz no manejo da dor oncológica, evidenciando a necessidade de pesquisas futuras com protocolos padronizados e maior rigor metodológico.Item Acesso aberto (Open Access) Processo de trabalho dos enfermeiros na Atenção Primária à Saúde em uma região de saúde de Minas Gerais : estudo qualitativo(2025-12-02) Silva, Karla de Oliveira; Silva, Simone Albino da; Loyola, Edilaine Assunção Caetano de; Resck, Zélia Marilda RodriguesO enfermeiro desempenha um papel central nas equipes da Atenção Primária à Saúde, principal porta de entrada para o Sistema Único de Saúde. Compreender a organização do seu processo de trabalho é fundamental para fortalecer as práticas assistenciais e superar fragilidades, impactando positivamente na qualidade do cuidado. Este estudo teve como objetivo compreender a organização e as dinâmicas do processo de trabalho dos enfermeiros nas equipes de Atenção Primária à Saúde em uma região de saúde de Minas Gerais, com enfoque nas características sociodemográficas, formação profissional, autonomia, facilidades, dificuldades e práticas individuais e coletivas. Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa e transversal, realizado com 23 enfermeiros de cinco municípios selecionados por amostragem por conglomerados. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, analisados mediante Análise de Conteúdo De Bardin (2016) e processados no software NVivo®. Os resultados indicaram predominância de enfermeiros do sexo feminino, autodeclarados brancos, com idade superior a 40 anos, formação superior há mais de 10 anos e com pelo menos uma especialização; evidenciaram-se facilidades como vínculo com a comunidade, estabilidade no cargo, bom relacionamento com a equipe e apoio institucional; identificaram-se dificuldades relacionadas à sobrecarga de funções, falta de recursos humanos e materiais, ausência de estrutura para retomada de ações coletivas pós- pandemia, falta de protocolos e dependência do profissional médico para solicitações e prescrições; constatou-se autonomia em atendimentos específicos (saúde da mulher, pré-natal e curativos) e a mobilização de estratégias profissionais para garantir continuidade do cuidado. Na interpretação dos achados destacaram-se cinco categorias que expressam tensões e potencialidades no processo de trabalho: Gestão e governança da prática em saúde; Autonomia profissional e processo de trabalho; Desafios éticos e políticos; Dinâmicas interpessoais e engajamento; Reconhecimento, valorização e satisfação profissional. Conclui-se que o processo de trabalho do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde é marcado pela articulação entre ações assistenciais e gerenciais, permeado por condições estruturais, organizacionais, éticas, políticas e relacionais, e que o fortalecimento da autonomia, da educação permanente e do reconhecimento profissional é essencial para qualificar a assistência e consolidar os princípios do SUS na Atenção Primária à Saúde.Item Acesso aberto (Open Access) Autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores acompanhadas nas estratégias saúde da família de um município do Sul de Minas Gerais(2025-12-02) Oliveira, Heverton Paulino de; Dázio, Eliza Maria Rezende; Fava, Silvana Maria Coelho Leite; Godinho, Mônica La Salette da CostaAs feridas de difícil cicatrização destacam-se entre os problemas de saúde pública, pela alta prevalência e incidência, acometem a população em diversas faixas etárias, gênero e etnia. Produzem impacto negativo sobre a qualidade de vida, principalmente quando localizadas nos membros inferiores, pela longa duração do tratamento, tendo como desfecho, em algumas situações, a amputação. Nesse contexto, apreende-se que o cuidado de enfermagem deve ir além das ações técnicas voltadas para o tratamento da lesão, sendo importante compreender as necessidades específicas dessas pessoas e reconhecer que o impacto da lesão é singular, podendo afetar o autocuidado e a qualidade de vida de maneiras distintas. O objetivo foi compreender o autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores acompanhadas nas Estratégias Saúde da Família de um município do Sul de Minas Gerais. Estudo de abordagem qualitativa do tipo descritivo, desenvolvido com vinte e uma pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores. A coleta de dados foi realizada no domicílio dos participantes, pelo pesquisador treinado pela orientadora para este fim. Utilizou-se observação não participante, diário de campo, formulário de caracterização sociodemográfica e clínica, e as seguintes questões norteadoras para entrevista semiestruturada: como você se sente com esta ferida? Como você tem se cuidado com esta ferida? Como é para você realizar o seu tratamento na Estratégia Saúde da Família? Com cada participante foi realizada apenas uma entrevista gravada com autorização e duração média de 10 minutos. Os dados de caracterização sociodemográfica e clínica passaram por análise estatística descritiva simples e estão apresentados em dados absolutos e percentuais. Com os dados qualitativos realizou-se a análise temática de Minayo, fundamentada na Teoria de Enfermagem do Déficit de Autocuidado de Dorothea Orem. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Alfenas sob o parecer nº 7.448.594 e os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os resultados evidenciaram o predomínio de participantes do sexo feminino 12 (57,1%), com idades entre 47 e 86 anos, 14 (66%) com renda mensal de um salário mínimo, sendo 16 (76,19%) aposentados e 14 (66%) católicos. Quanto ao grau de instrução, 11 (52,38%) cursaram o ensino fundamental incompleto e 10 (47%) eram viúvos. Referente às comorbidades mais prevalentes 11 (52,38%) reportaram hipertensão arterial sistêmica e 10 (47,62%) diabetes mellitus. Quanto aos hábitos de vida, 15 (71,43%) negaram tabagismo e 20 (95,24%), afirmaram não fazer uso de álcool (95,24%). O uso de medicamentos contínuos foi relatado por 20 (95,24%), sendo os anti-hipertensivos os mais citados por 11 (55%), os hipoglicemiantes orais por 7 (35%) e insulina por 4 (20%). O tempo médio de convivência com a ferida foi de 15 anos. Por meio da análise dos dados qualitativos identificou-se os núcleos de sentido para compreender as múltiplas facetas que envolvem o autocuidado das pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores. Assim, construídas as seguintes categorias temáticas: Autocuidado comprometido: reflexo das marcas vísiveis e invisíveis da ferida de difícil cicatrização; A busca pela competência para o manejo da ferida: uma trajetória solitária para o autocuidado; O sistema de enfermagem como suporte para promoção do autocuidado de pessoas com feridas: potencialidades e limitações; Autocuidado de pessoas com feridas: desafios à equidade no processo terapêutico. A primeira categoria temática representa os sentimentos da pessoa com ferida de difícil cicatrização e revela que a vivência do ser humano com a lesão transcende a dimensão puramente física, afeta também o bem-estar psicossocial, emocional e espiritual. A segunda categoria temática foca nos comportamentos dos participantes em relação ao cuidado com a ferida e à saúde geral, por isso a Teoria do Déficit de Autocuidado de Orem se torna uma ferramenta analítica central, uma vez que, a "agência de autocuidado", refere-se a capacidade de a pessoa se engajar em ações para cuidar de si mesmo. A terceira categoria apresenta a Estratégia Saúde da Família e a rede familiar como os principais sistemas de apoio que atuam para compensar os déficits de autocuidado. E ainda, os elementos de suporte que fortalecem a agência de autocuidado e os obstáculos que limitam a eficácia desse sistema. Já na última categoria estão descritos alguns dos fatores condicionantes básicos, sendo estes, capazes de influenciar e afetar a capacidade de autocuidado por criar um cenário de vulnerabilidade. Conclui-se que o autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização é um processo dinâmico, influenciado por fatores biopsicossociais, espirituais e culturais. Desenvolver este estudo representou uma jornada de aprendizado científico e humano, consolidando a enfermagem como ciência voltada ao empoderamento e à promoção do autocuidado e da autonomia do ser humano.Item Acesso aberto (Open Access) Diferenças de sexo na associação entre capital social e mortalidade por todas as causas: achados do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros(2025-11-28) Belineli, Lilian Miranda; Brito, Tábatta Renata Pereira de; Fava, Silvana Maria Coelho Leite; Alexandre, Tiago da SilvaIntrodução: O capital social é definido como o conjunto de recursos reais ou potenciais advindos de uma rede sólida de relacionamentos. Logo, o nível de inserção e engajamento dos indivíduos pertencentes aos grupos sociais garante acesso a determinadas vantagens e benefícios. Ao envelhecer, a pessoa idosa pode encontrar dificuldade em manter seus papeis sociais dentro de suas famílias/comunidades, o que pode resultar em níveis diferentes de capital social. Além disso, homens e mulheres idosas tem socialização e redes sociais muito diversas, trazendo impactos significativos quanto a forma como o capital social pode interferir na saúde desse grupo etário. Levando em consideração a influência positiva do capital social na promoção da saúde e prevenção de doenças entre pessoas mais velhas, o mesmo pode diminuir as chances de desfechos negativos de saúde e, consequentemente, o risco de óbito entre as pessoas mais velhas. Objetivo: Verificar se aspectos relacionados ao capital social estão associados a mortalidade por todas as causas entre homens e mulheres com idade de 50 anos ou mais. Método: Estudo de coorte prospectiva que utilizou os dados do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-BRASIL). Os dados da linha de base são de 2015/16 e o acompanhamento foi feito até a segunda onda (2019/21). A amostra inclui indivíduos com 50 anos ou mais, residentes em 70 municípios das diferentes regiões do país. O capital social foi avaliado por meio de questões autorreferidas, sendo que o capital estrutural foi avaliado por meio da realização de trabalho voluntário e participação social, e o capital social cognitivo foi avaliado por meio da confiança interpessoal e da percepção do indivíduo quanto a possuir amigos. As informações sobre os óbitos foram vinculadas ao Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). As análises de associação entre o capital social e a mortalidade foram realizadas por meio de modelos de regressão de riscos proporcionais de Cox. Resultados: Das 7.791pessoas com 50 anos ou mais acompanhadas, a maioria é do sexo feminino (54,51%), está na faixa etária de 50 a 59 anos (49,76%) e tem renda insuficiente para suas necessidades diárias (40,83%). Quanto às questões de saúde, a maioria apresenta doenças crônicas, como a hipertensão arterial sistêmica (51,42%) e diabetes (15,70%). Já quanto aos tipos de capital social, a maioria não realiza atividades de trabalho voluntário (80,82%), mas participam de atividades sociais organizadas (50,40%), têm amigos (90,23%) e confiam nos vizinhos/pessoas próximas (81,58%). A participação social (HR=0,74; IC95%=0,56-0,97) e a percepção de amigos (HR=0,72; IC95%=0,52-0,99) reduzem em 26% e 28% o risco de óbito entre as mulheres, independentemente de aspectos socioeconômicos, clínicos e de estilo de vida. Não foi observada associação entre aspectos do capital social e mortalidade entre os homens. Conclusão: Observou-se diferença de sexo, sendo que o maior capital social estrutural e cognitivo esteve associado a menor risco de óbito entre as mulheres participantes do estudo. Este estudo traz contribuições importantes quanto ao papel do capital social na prevenção de agravos para as mulheres idosas, mas ainda são necessários mais estudos para compreender como este construto pode influenciar os homens mais velhos.Item Acesso aberto (Open Access) Complicações pós-operatórias e cuidados de enfermagem prestados: análise de fatores associados em pacientes de um hospital filantrópico do Sul de Minas Gerais(2025-11-28) Silva, Taline Gonçalves da; Andreia Cristina Barbosa Costa; Sawada, Namie Okino; Silva, Renata Cristina de Campos Pereira; Fava, Silvana Maria Coelho LeiteObjetivo: Esse estudo objetiva analisar as complicações pós-operatórias que afetam os pacientes submetidos a qualquer tipo de cirurgia e seus fatores associados, além de identificar os cuidados de enfermagem aplicados para cada tipo de complicação encontrada. Método: Trata-se de um estudo observacional descritivo, analítico, retrospectivo com abordagem quantitativa. A coleta de dados ocorreu em um hospital situado no sul do Estado de Minas Gerais, no período de setembro a novembro de 2024, pela pesquisadora, por meio de busca ativa dos prontuários dos pacientes que foram submetidos a procedimentos cirúrgicos em 2023, sendo N = 3585, foi realizado cálculo amostral para a definição do quantitativo de prontuários a serem analisados, obtendo-se um n = 329, em seguida foi realizado sorteio da amostra. O roteiro de coleta de dados foi construído pelos pesquisadores com base na literatura e passou por um teste piloto com 10 prontuários. Os dados coletados foram agrupados em um banco de dados utilizando-se uma planilha eletrônica, foi efetuado em dupla digitação a fim de evitar erros de transcrição. Posteriormente, as análises estatísticas foram conduzidas no software RStudio, os resultados foram apresentados em figuras e tabelas. O presente trabalho seguiu a Resolução nº 466/2012, sendo aprovado pelo CEP da Universidade Federal de Alfenas com parecer n. 7.025.491 e CAAE: 81424324.0.0000.5142. Resultados: Foram coletados um total de 353 prontuários, destes 185 (52,4%) apresentaram algum tipo de complicação, sendo as mais incidentes dor, náusea e vômito, respectivamente. As cirurgias gerais foram as mais recorrentes, e a intervenção de enfermagem que mais se destacou foi a administração de medicamentos, seguido da realização de curativos e instalação de oxigenioterapia. A realização de antibioticoprofilaxia e de enteroclisma associou-se à menor prevalência de complicações pós-operatórias, indicando efeito protetivo dessas práticas. Por outro lado, maior tempo cirúrgico, potencial de contaminação elevado , uso de dispositivos pós-operatórios e reinternação correlacionaram-se com prevalência mais elevada do desfecho. Conclusões: O estudo analisou as complicações pós-operatórias, identificando tanto os fatores que contribuem para a redução do risco desses eventos quanto aqueles relacionados ao aumento de sua ocorrência. Destacou-se a atuação essencial da equipe de enfermagem na prevenção, detecção precoce e manejo eficaz das complicações cirúrgicas.Item Acesso aberto (Open Access) Saúde mental dos adolescentes no olhar dos enfermeiros da atenção primária: um percurso para o cuidado(2025-12-02) Martins, Thais; Felipe, Adriana Olimpia Barbosa; Resck, Zélia Marilda Rodrigues; Andrade, Maria Betânia Tinti deA adolescência constitui um dos processos de vida mais relevantes no que se refere à construção e ao fortalecimento dos vínculos sociais. É também uma fase marcada pela emergência de conflitos e angústias significativas. Nesse período do desenvolvimento humano, o indivíduo encontra-se em condição de maior vulnerabilidade para a manifestação de problemas relacionados à saúde mental, em razão das intensas transformações físicas, emocionais e sociais que vivencia. Este estudo teve como objetivo analisar, na perspectiva do olhar dos enfermeiros da Atenção Primária, a saúde mental dos adolescentes à luz da Teoria do Cuidado Humano Transpessoal de Jean Watson. Trata-se de um estudo transversal, descritivo, de abordagem qualitativa, discutido com base nos pressupostos da referida teoria. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob parecer número 7.150.480, e conduzida com 26 enfermeiros atuantes na Atenção Primária à Saúde. A coleta de dados ocorreu entre janeiro e maio de 2025, utilizando-se grupos focais presenciais como estratégia. Após análise dos dados, as falas dos participantes convergiram e foram organizadas em cinco categorias: “Olhar dos enfermeiros na paternidade dos adolescentes: da superproteção à negligência”; “Adolescente no mundo das drogas: gota d’água para o sofrimento e as alterações mentais”; “Despertar do adolescente na busca pela identidade de gênero e a relação sexual (des)protegida: caminhos de luta e sofrimento para si e para o outro”; “Alterações em saúde mental do adolescente na ótica dos enfermeiros: entre o visível e o oculto”; e “Saúde mental do adolescente: percurso do enfermeiro para o cuidado”. Conclui-se pelo olhar do enfermeiro que os adolescentes vivenciam um grande sofrimento emocional, como ansiedade, depressão, autolesão não suicida e ideação suicida. E que os fatores de risco se referem à sexualidade, à identidade de gênero, às relações familiares desestruturadas e ao uso de substâncias lícitas e ilícitas. Os enfermeiros retratam que a família emerge como um elemento central na promoção da saúde mental do adolescente, contudo existe negligência, incompreensão e banalização do sofrimento pela família. Além disso, a resistência do adolescente em procurar a unidade de saúde, associada à necessidade de capacitação dos enfermeiros e à falta de intervenções interprofissionais e intersetoriais, compromete a qualidade do cuidado, o que demanda capacitação contínua e implementação de ações interprofissionais e intersetoriais tanto para o adolescente, quanto para a família. Os mesmos ainda consideram que a escola é um espaço privilegiado e efetivo para a promoção e prevenção da saúde. Portanto, o cuidado em saúde mental de adolescentes na Atenção Primária à Saúde constitui um desafio complexo, neste cenário, a Teoria do Cuidado Humano Transpessoal de Jean Watson oferece uma base ética e prática, essencial para o cuidado integral pautado na empatia, na presença autêntica e no respeito à singularidade do sujeito. A partir dessa perspectiva, o enfermeiro não apenas atua na cura das feridas visíveis, mas sobretudo no acolhimento das dores invisíveis, ao promover ambientes seguros e humanizados que favorecem a expressão dos sentimentos e o fortalecimento da autoestima e da resiliência emocional dos mesmos.Item Acesso aberto (Open Access) Capacitação sobre a população LGBTQIAPN+ para enfermeiros(as) da atenção primária à saúde: estudo quase experimental(2025-12-05) Campos, Giovana de Souza; Freitas, Patrícia Scotini; Silva, Simone Albino; Pitrafesa, Gisele Acerra BiondoA população LGBTQIAPN+ enfrenta desafios significativos, no acesso e na utilização dos serviços de saúde, frequentemente resultantes do despreparo, da desinformação e da falta de sensibilidade dos profissionais, para lidar com suas especificidades. No contexto da Atenção Primária à Saúde, onde o cuidado deve ser pautado na universalidade, integralidade e equidade, torna-se essencial a qualificação dos(as) enfermeiros(as), para que possam prestar uma assistência acolhedora e resolutiva às pessoas LGBTQIAPN+. O presente estudo tem como objetivo analisar os efeitos de uma capacitação no conhecimento dos(as) enfermeiros(as) da Atenção Primária à Saúde em relação à assistência, à vigilância em saúde e à integralidade da atenção à população LGBTQIAPN+. Estudo de delineamento quantitativo, do tipo quase experimental e de grupo único. A população foi constituída por enfermeiros(as) da Atenção Primária à Saúde de um município do sul de Minas Gerais. O desfecho primário foi a promoção do conhecimento desses sobre a temática. Os instrumentos utilizados foram validados por três juízas especialistas na área correlata, utilizando a Técnica Delphi, após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Este estudo foi dividido em duas etapas: avaliação e intervenção. A primeira ocorreu antes do início do primeiro encontro e no último dia da capacitação. A intervenção consistiu em seis encontros de capacitação sobre a assistência, vigilância em saúde e integralidade da atenção à população LGBTQIAPN+. Os dados foram digitados em planilhas do Microsoft Excel®365, com dupla conferência, e exportados para o Software Statistical Package for the Social Science (SPSS)®. A análise contemplou estatística descritiva sobre a distribuição de frequências simples e relativas, para as variáveis categóricas nominais e ordinais, medidas de posição e de dispersão (média, desvios-padrão, mediana e intervalos interquartis), para as variáveis quantitativas contínuas previstas. Para a abordagem inferencial, os dados foram analisados considerando um nível de significância de 5,0%. Entre os(as) 18 enfermeiros(as) participantes, a média de idade foi de 43,9 anos; 100,0% eram do sexo biológico fêmea e 94,4% se identificaram como mulher cisgênero. A maioria se declarou heterossexual (88,9%), branca (83,3%), católica (72,2%) e casada (50,0%). A média de atuação na Atenção Primária à Saúde foi de 8,6 anos. Apenas 5,6% realizaram capacitação sobre a temática LGBTQIAPN+ e 94,4% nunca atenderam a essa população. Apresentaram resultados estatisticamente significante, participação ou não de alguma associação ou instituição voltada à população LGBTQIAPN+ no conhecimento inicial (p=0,05), melhora do conhecimento dos(as) profissionais sem formação Stricto Sensu (p=0,05), satisfação total entre os grupos que fizeram e não pós-graduação Stricto Sensu (p= 0,04) e significância entre satisfação e conhecimento final (r=0,52; p=0,02). Os(as) enfermeiros(as) apresentaram alta satisfação e autoconfiança (média 41,0 pontos) na aprendizagem e um aumento no conhecimento sobre a temática (11,6 para 12,6 acertos). A capacitação mostrou efeito positivo no conhecimento do enfermeiro(a), fortalecendo competências no cuidado à população LGBTQIAPN+.Item Acesso aberto (Open Access) Profissionais de enfermagem como segunda vítima em eventos adversos: vivências de enfermeiros hospitalares na função gerencial(2025-12-01) Silva, Vitória Cristina; Resck, Zélia Marilda Rodrigues; Terra, Fábio de Souza; Soares, Mirelle InácioOs profissionais de enfermagem, por sua atuação direta na assistência, apresentam maior vulnerabilidade à ocorrência de eventos adversos. A vivência desses incidentes pode gerar impactos emocionais e temor de sanções disciplinares ou legais, configurando o fenômeno da “Segunda Vítima”. Nesse contexto, enfermeiros que ocupam funções de liderança exercem papel estratégico na consolidação da cultura de segurança do paciente. Objetivou-se analisar a vivência dos enfermeiros na função gerencial em instituições hospitalares face aos cuidados aos profissionais de enfermagem como segunda vítima de eventos adversos. Estudo descritivo e analítico, de abordagem qualitativa, fundamentado no referencial teórico-metodológico da hermenêutica-dialética. Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, foi realizada a coleta de dados, entre outubro de 2024 e março de 2025, em ambiente virtual, por meio da plataforma Google Meet, e consistiu em entrevista única por participante. Foram 11 enfermeiras atuantes em funções gerenciais em instituições hospitalares, selecionadas por meio da técnica de amostragem snowball. A entrevista semiestruturada foi norteada por um instrumento elaborado pelas autoras, composto por um questionário de caracterização pessoal e profissional e por duas questões abertas, gravadas e posteriormente transcritas. Os dados de caracterização pessoal e profissional foram apresentados em tabelas por meio da estatística descritiva e para a organização e análise dos dados oriundos da entrevista utilizou-se a análise temática reflexiva. Adotou-se como fundamentação teórica a abordagem “TRUST: The 5 Right of the Second Victim”. As participantes eram todas do sexo feminino, na faixa etária de 41 a 50 anos, em sua maioria casadas ou em união estável, distribuídas em dois estados e oito municípios. Possuíam de 15 a 20 anos de experiência na enfermagem, com mais de seis anos de atuação na instituição e na função ou cargo gerencial atual, destacando-se nos cargos de enfermeira responsável técnica e enfermeira de qualidade e segurança. A análise temática reflexiva possibilitou a definição de três temas: “Eventos adversos e a interface com os profissionais de enfermagem como segunda vítima”, “Cultura organizacional, gestão e liderança e a interface com os profissionais de enfermagem como segunda vítima de eventos adversos” e “Ações estratégicas de apoio aos profissionais de enfermagem como segunda vítima de eventos adversos”. No primeiro tema, evidenciou-se a compreensão do conceito e da complexidade que envolve a segunda vítima ainda incipientes. No segundo, apreendeu-se que a cultura institucional, os modelos de gestão e as práticas de liderança influenciam diretamente na condução dos eventos adversos e na forma como a segunda vítima vivencia essa experiência. Por fim, no terceiro tema identificou-se que as iniciativas de apoio permanecem pontuais e pouco institucionalizadas e reforçou a importância de ações preventivas voltadas à redução dos incidentes. Conclui-se que, mesmo com o reconhecimento da natureza sistêmica dos eventos, a cultura punitiva ainda persiste em muitos contextos. As ações estratégicas institucionais constituem desafio para a realidade vivenciada, o que reforça a necessidade de programas estruturados de suporte à segunda vítima.Item Acesso aberto (Open Access) Avaliação do conhecimento em primeiros socorros dos professores do ensino fundamental(2025-12-05) Araujo, Aniele Garcia de Lima; Moreira, Denis da Silva; Neves, Eliane Tatsch; Lima, Rogério SilvaCom o caráter obrigatório da ‘Lei Lucas’, o treinamento em primeiros socorros para os professores e funcionários vem sendo concretizado em diferentes locais do Brasil. Compreender se o treinamento realizado possibilitou que os professores agregassem conhecimentos sobre técnicas básicas em primeiros socorros é mais um passo na busca pela promoção da segurança e saúde da criança. Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o conhecimento teórico dos professores do ensino fundamental em primeiros socorros após treinamento. Trata-se de uma pesquisa descritiva transversal, analítica, com abordagem quantitativa, conduzida em uma cidade no interior de Minas Gerais. A pesquisa contemplou 201 professores de escolas municipais de ensino fundamental, que atuam direta ou indiretamente em sala de aula e que participaram do treinamento em primeiros socorros realizado pelo Núcleo de Educação em Urgência do SAMU. A coleta de dados foi realizada por meio de um instrumento validado pela técnica e-Delphi, entre os meses de novembro e dezembro de 2024. Os dados foram analisados de forma descritiva e por regressão logística. Quanto as características dos participantes, 78,1% (n=157) dos professores são do gênero feminino, com média de idade de 48,4 anos, predominantemente graduados em pedagogia (48,8% / n=98) e com atuação maior de 15 anos na área. O treinamento ministrado aos professores e funcionários teve média de tempo de cinco horas. Os resultados demostraram que apenas 57,2% (n=115) alcançaram o mínimo esperado para um bom aproveitamento ao que se refere ao conhecimento teórico em primeiros socorros com média de acerto de 11,69 questões. As principais lacunas existentes no conhecimento dos professores são: relação compressão-ventilação na PCR em criança, desobstrução de vias aéreas, sangramento nasal, choque anafilático, picada por animal peçonhento, febre, luxação e entorse. A análise inferencial demonstrou que, docentes do gênero masculino, com formação em pedagogia, menor tempo de experiência profissional e que participaram de capacitações com maior carga horária apresentaram melhores desempenhos. Em contrapartida, quanto maior a idade e tempo de atuação dos professores, exercício profissional de forma ininterrupta no último ano letivo, menor carga horária de treinamento e formação em licenciatura, menor o nível de conhecimento. Constata-se que os aspectos individuais e formativos exercem influência direta sobre o desempenho em primeiros socorros, o que reforça a urgência de estratégias educacionais permanentes e específicas, voltadas à homogeneização do preparo docente diante de situações emergenciais. Destaca-se que o professor devidamente capacitado e em consonância com os princípios fundamentais dos primeiros socorros assume papel essencial na prevenção de agravos e na garantia de um desfecho mais favorável para crianças e adolescentes em contextos de urgência no ambiente escolar. Dessa forma, a capacitação ultrapassa o âmbito meramente instrucional, configurando-se como ação estratégica de saúde pública e de responsabilidade institucional articulada à atuação técnica e educativa do enfermeiro do Programa Saúde na Escola, permitindo a transformação do conhecimento em prática efetiva, fortalecimento da cultura de prevenção. Assim, fortalecimento de uma base científica possibilitará a sustentação não apenas de atualização contínua, mas também a corresponsabilidade dos entes federativos pelo cumprimento das diretrizes preconizadas pela Lei Lucas.Item Acesso aberto (Open Access) Potencial terapêutico da poesia como intervenção em saúde no contexto de cuidados paliativos: revisão integrativa(2025-12-01) Santos, Lourdes Helena de Paula; Garcia, Ana Cláudia Mesquita; Freitas, Patrícia Scotini; Souza, Fabiana Bolela deCuidado Paliativo trata-se de uma abordagem de cuidados que busca promover a qualidade de vida e o alívio de sintomas angustiantes por meio de uma abordagem integral e humanizada diante do sofrimento causado por doenças graves. Nesse sentido, a poesia tem emergido como uma estratégia terapêutica que favorece a expressão emocional, ressignificação da experiência e suporte espiritual. Este teve como objetivo de analisar as evidências disponíveis na literatura sobre o potencial terapêutico da poesia como intervenção em saúde no contexto dos cuidados paliativos. Foi desenvolvida uma revisão integrativa, conforme proposto por Toronto e Remington. A questão de pesquisa foi elaborada com base na PICo: Quais são as evidências disponíveis na literatura sobre o potencial terapêutico da poesia como intervenção em saúde no contexto de hospice e cuidados paliativos. O protocolo foi registrado no Open Science Framework. Foram incluidos doze estudos publicados entre os anos de 1997 e 2024 incluídos nesta revisão. A partir da análise dos dados, foram identificados três temas: 1) Expressão e processamento emocional; 2) Facilitação da Comunicação e Vínculo interpessoal, 3) Ressignificação da experiência de adoecimento e finitude. A avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos foi realizada pelo Evidence Level and Quality Guide Johns Hopkins Nursing Evidence Based Practice. Os estudos, com predominância de delineamentos observacionais, identificaram efeitos benéficos da poesia em variáveis como qualidade de vida, resiliência emocional, expressão de sentimentos e auto conexão. O uso da poesia como medida terapêutica nos cuidados paliativos tem se mostrado uma abordagem promissora para pacientes com câncer e outras doenças graves. A poesia favorece o desenvolvimento de conexão com a natureza, com os outros e com questões internas. Além disso, é capaz de minimizar sintomas emocionais negativos como ansiedade e omissão de sentimentos.Item Acesso aberto (Open Access) Trabalho interprofissional e sua relação com o alcance dos indicadores da atenção primária à saúde: estudo qualitativo(2024-12-03) Ribeiro, Nielly Andrade Carvalho; Lima, Rogério Silva; Silva, Simone Albino da; Chini, Lucélia TerraA Atenção Primária em saúde (APS) configura-se como ferramenta imprescindível para o gerenciamento do cuidado em saúde no contexto brasileiro. Considera-se que a íntima relação entre a natureza do trabalho interprofissional e o alcance dos objetivos da APS deva ser objeto de mais estudos que provoquem novas reflexões e direcionamentos para a formação inicial e continuada dos profissionais integrantes da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Assume-se como objetivo geral dessa investigação: Analisar a influência do trabalho interprofissional no alcance dos indicadores de desempenho para financiamento da APS na visão dos profissionais de saúde. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, analítica, realizada em duas ESF. Participaram 23 profissionais que atuavam diretamente na assistência, integrantes de duas equipes de ESF do município do Sul de Minas Gerais. Foram selecionadas por conveniência as equipes que atendessem aos seguintes critérios: a com melhor alcance das metas dos indicadores de desempenho e aquela com menor taxa de alcance dos mesmos indicadores. Adicionalmente, as equipes deveriam também atender uma população com características sociodemográficas semelhantes, cobrirem um território contíguo e possuírem a mesma composição de profissionais. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas norteadas por um roteiro semiestruturado, gravadas em áudio. Para a organização e análise de dados foi utilizada a Análise Temática Reflexiva. Elaborou-se dois temas, intitulados: “O trabalho multiprofissional e sua lógica de linha de produção para o alcance dos indicadores e metas da Atenção Primária” e “O Paradoxo do bom relacionamento entre a equipe e o desconhecimento dos papéis de seus membros no alcance dos indicadores”. Pôde-se observar que os profissionais entendem que a adequada integração da equipe influencia o trabalho e, consequentemente, o alcance dos indicadores. No entanto, não se notou um alto nível de integração, esperado em um trabalho de cunho interprofissional. Da mesma forma, não foi possível assegurar que exista o reconhecimento mútuo de papéis entre os membros e objetivos claros e compartilhados entre a equipe no processo de obtenção dos resultados observados no SISAB. Sugere-se mais estudos para explorar como a formação básica e continuada dos profissionais de saúde podem ser direcionados com vistas à melhoria da integração da equipe para maior colaboração interprofissional, avançando para um modelo de trabalho em que os papéis e responsabilidades são claramente definidos e os objetivos compartilhados.Item Acesso aberto (Open Access) Influência da educação permanente em saúde no conhecimento e percepções dos enfermeiros da atenção primária sobre prevenção e cuidado com pé de pessoas com diabetes mellitus(Universidade Federal de Alfenas, 2024-11-29) Gregorini, Monise Galante Paiva; Fava, Silvana Maria Coelho Leite; Gomes, Lilian Cristiane; Sawada, Namie OkinoDiabetes mellitus é uma condição crônica de impacto global e quando não controlada, pode causar complicações graves, incluindo o pé diabético, uma das principais causas de incapacidade. Estudo com objetivo de analisar a influência da educação permanente em saúde no conhecimento e nas percepções dos enfermeiros sobre prevenção, cuidado com o pé diabético e os desafios para a implementação das medidas preventivas e assistenciais às pessoas com risco de pé diabético em seu processo de trabalho. Trata-se de estudo quase experimental de intervenção, com abordagem quanti-qualitativa, fundamentado no referencial do processo de trabalho e na educação permanente em saúde. A intervenção foi um curso de qualificação híbrida de 120 horas. Participaram 36 enfermeiros de uma diretoria regional de saúde do estado de São Paulo. Dados foram coletados por meio de questionários de caracterização sociodemográfica e laboral, instrumento de avaliação do conhecimento e da percepção antes e após a intervenção e questões norteadoras. Os dados sociodemográficos e laborais foram analisados por estatística descritiva, e as comparações pré e pós-intervenção pelo teste de McNemar, para avaliar mudanças nas proporções de respostas. Quanto aos dados qualitativos, foram realizadas análise temática reflexiva e Análise focal estratégica. Verificou-se que a capacitação aumentou significativamente o conhecimento dos enfermeiros sobre o cuidado com o pé diabético. A disponibilidade de insumos (p-valor 0,0455), o uso de ferramentas clínicas, como o diapasão de 128 Hz (p-valor 0,00006), e o uso correto de calçados (p-valor 0,0001) e meias (p-valor 0,0098) apresentaram resultados estatisticamente significativos. Melhorou o conhecimento sobre o trabalho multiprofissional, sobre protocolos assistenciais e práticas de cuidado, incluindo avaliação dos pés e calçados, exames laboratoriais e orientações sobre a modificação do estilo de vida. Da análise qualitativa construiu-se o tema central: Pé diabético: uma jornada de conhecimento e ação - desvendando os desafios da gestão e da gerência do cuidado e dois subtemas: Gestão do sistema de saúde: o conhecimento e percepção dos enfermeiros sobre as ações para prevenção do pé diabético e Gerência do Cuidado: o conhecimento e a percepção dos enfermeiros sobre as ações para prevenção do pé diabético. No subtema, Gestão do sistema de saúde, evidenciaram-se como facilitadores, a capacitação, o conhecimento dos indicadores e o uso de sistemas de informação. Quanto às barreiras, a infraestrutura, a falta de investimentos, a rotatividade de profissionais e a sobrecarga de trabalho. No subtema, Gerência do Cuidado, constataram-se a consulta de enfermagem, a educação em saúde e o trabalho em equipe como facilitadores, enquanto a adesão dos pacientes ao autocuidado e a falta de insumos como barreiras. A educação permanente influenciou no conhecimento e na percepção dos enfermeiros sobre a prevenção e o cuidado com o pé diabético. A pesquisa revela que as ações de prevenção e de cuidado do pé diabético são complexas e exigem a articulação entre a gestão do sistema de saúde e a gerência do cuidado com foco na capacitação dos profissionais, na promoção do trabalho em equipe e na implementação de políticas públicas que garantam acesso a um cuidado integral e de qualidade.Item Acesso aberto (Open Access) Função gerencial do enfermeiro na Estratégia Saúde da Família e seu impacto na assistência(Universidade Federal de Alfenas, 2024-12-02) Lourenço, Lidiane De Fátima Felipe; Resck, Zélia Marilda Rodrigues; Soares, Mirelle Inácio; Terra, Fábio De SouzaNo que diz respeito à função gerencial, a divisão entre gerenciamento do cuidado e da unidade é considerada meramente didática, pois, na prática, ambas devem estar interligadas e serem complementares. Este estudo tem por objetivo analisar a função gerencial do enfermeiro na Estratégia Saúde da Família e seu impacto na assistência. Trata-se de abordagem metodológica descritiva, qualitativa, a luz da hermenêutica dialética. Foi realizado com onze enfermeiros da Estratégia Saúde da Família, selecionados por meio da técnica de amostragem Snowball, desenvolvido em ambiente virtual, por meio da Plataforma Google Meet, com uma única entrevista por participante, nos meses de abril e maio de 2024. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alfenas, Parecer Consubstanciado: n.6.701.230/2024. Foi utilizado para a coleta de dados, um questionário, elaborado pelas autoras, para caracterização pessoal e profissional dos participantes e com a questão norteadora - Fale sobre a sua vivência no desempenho da função gerencial e assistencial na Estratégia Saúde da Família. Utilizou-se análise descritiva para caracterização pessoal e profissional e, para a organização dos dados qualitativos, a análise de conteúdo com o referencial teórico metodológico da hermenêutica dialética. Observou-se predomínio de 82% dos participantes do sexo feminino, casadas/união estável e 73% na faixa etária acima de 30 até 40 anos. A maioria (82%) cursou pós-graduação lato sensu. O tempo de experiência profissional dos onze enfermeiros variou de cinco a vinte anos. E na função gerencial, 55% dos enfermeiros relataram de 10 até 20 anos de experiência. Todos os entrevistados (100%) trabalhavam em municípios situados no sul do Estado de Minas Gerais. Apreendeu-se três categorias e duas subcategorias. Em relação à Integração gestão e assistência: ser gerente versus gerência de enfermagem, evidenciaram em seus depoimentos, a inconsonância quanto ao exercício da gerência da assistência e do serviço. Na Superposição de atividades burocráticas: desafio na gerência de enfermagem e impacto na assistência, desvelaram que no cotidiano da práxis experienciaram a sobrecarga de atividades e desvio de função e, a impotência em face da simultaneidade entre o gerenciar e o assistir. No que se refere à Equipe multiprofissional: desafio da interdisciplinaridade na Estratégia Saúde da Família, apresentaram que se encontra aquém de alcançar a proposta das diretrizes preconizadas. Conclui-se que urge a continuidade da educação permanente. Evidencia-se a ausência do gerente de unidade na maioria dos municípios, sendo a função assumida pelo enfermeiro. Enfatiza-se que o encadeamento contínuo com as atividades burocráticas tem gerado sobrecarga de trabalho e desvio de função, resultando em sentimentos de insatisfação, frustração e impotência, que refletem na saúde do enfermeiro e na resolubilidade do serviço. E em relação à equipe multiprofissional, ainda apresenta desafios para a interprofissionalidade, com vistas à prática colaborativa para atingir a integralidade do cuidado e a qualidade da assistência.Item Acesso aberto (Open Access) Papel do profissional de enfermagem em procedimentos cirúrgicos robó2cos: revisão de escopo(Universidade Federal de Alfenas, 2024-11-22) Roseira, Luis Guilherme Fernandes; Costa, Andreia Cristina Barbosa; Santos, Sérgio Valverde Marques Dos; Pinto, Isabelle CristinneO número de cirurgias tem crescido globalmente, o que aumenta a demanda por novas tecnologias para atender a essa necessidade. Além disso, os profissionais de enfermagem precisam se atualizar continuamente para enfrentar os desafios e as exigências, garantindo a continuidade e a eficiência do atendimento. Este estudo tem como objetivo mapear as evidências científicas sobre o papel do profissional de enfermagem nos procedimentos cirúrgicos robóticos. Trata-se de uma revisão de escopo conduzida segundo a metodologia da Colaboração JBI, com busca realizada em seis bases de dados internacionais e na literatura cinzenta, sem restrição de idioma ou recorte temporal. Para responder à questão de pesquisa, foram usados os descritores "Perioperative Nursing", “Nurse's Role” e “Robotic Surgical Procedures”, cujos termos alternativos foram combinados empregando os operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos 2036 estudos, todos eles resgatados das bases de dados e exportados para o gerenciador de referências Endnote Online, onde ocorreu a exclusão das duplicatas. Posteriormente, os estudos foram transferidos para o software Rayyan, a fim de realizar a seleção dos trabalhos elegíveis. Após o processo de seleção, a amostra foi composta por 24 estudos, cujos dados foram extraídos com base em um roteiro elaborado pelos autores deste trabalho.Os resultados demonstram que o papel da enfermagem nas cirurgias robóticas envolve responsabilidades diversas, que abrangem o planejamento e a coordenação do procedimento, além da necessidade de adquirir conhecimento técnico e científico específico. Os profissionais de enfermagem também precisam desenvolver competências no manuseio do robô e de suas funções, atuando em conjunto com os cirurgiões e garantindo a segurança do paciente. Entre os desafios enfrentados, destacam-se a capacitação da equipe para atuar nas cirurgias robóticas, a necessidade de implementar ações para a redução de custos e o enfrentamento das dificuldades associadas à implantação dessa tecnologia.Conclui-se que a enfermagem desempenha um importante papel nas cirurgias robóticas, destacando-se pela sua atuação em todas as fases do procedimento e pela necessidade de habilidades técnicas e capacitação contínua. Os avanços tecnológicos têm contribuído para tornar os procedimentos cirúrgicos mais seguros e eficientes, e o papel da enfermagem é fundamental para garantir a segurança e a eficácia desses processos.Item Acesso aberto (Open Access) Processo de trabalho de enfermeiros na atenção primária à saúde de uma região do Estado de Minas Gerais(Universidade Federal de Alfenas, 2024-11-27) Moreira, Juliana Aparecida Pacheco; Silva, Simone Albino Da; Godinho, Mônica La-Salette Da Costa; Resck, Zelia Marilda RodriguesIntrodução: O enfermeiro desempenha um papel central na equipe multiprofissional da Atenção Primária à Saúde (APS), que é considerada a principal porta de entrada para o sistema público de saúde brasileiro. Nesse contexto, compreender os processos de trabalho dos enfermeiros na APS é essencial para aprimorar a assistência à saúde. Objetivo Geral: compreender a constituição dos processos de trabalho dos enfermeiros nas equipes de APS do Sistema Único de Saúde (SUS), em uma região do Estado de Minas Gerais. Método: Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem quantitativa e transversal. A pesquisa foi realizada com 88 enfermeiros vinculados às equipes de APS de 24 municípios de uma região de saúde do Estado de Minas Gerais, Brasil. A coleta de dados foi realizada por meio de um instrumento padronizado e estruturado, contendo perguntas fechadas e abertas, enviado por e-mail, sendo preenchido de forma on-line, via formulário Google. As variáveis analisadas foram agrupadas em seis blocos: identificação pessoal; formação profissional; gestão da informação e tradução de conhecimento; condições de emprego, de trabalho e salários; práticas coletivas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) – Estratégia de Saúde da Família (ESF); e práticas individuais. Os dados foram analisados com o uso de estatística descritiva e inferencial. Resultados: A caracterização social e demográfica dos participantes revelou que a maioria é do sexo feminino, branca, católica, jovem, entre 31 e 45 anos, não reside no local de nascimento, trabalha no município onde mora e tem entre 11 e 20 anos de experiência na APS/ESF. Quanto às condições de emprego, a maioria integra uma eSF (equipe de saúde da família), com carga horária de 40 horas semanais, como servidor público, sem plano de cargos, de carreira e de salários, nem gratificação por desempenho. As condições de trabalho nas UBS/ESF são avaliadas como boas pela maioria. Predominam profissionais formados em instituições privadas, entre 2005 e 2009, com pós-graduação Lato Sensu em saúde da família e em saúde pública. Os meios digitais e o ambiente de trabalho são as principais fontes de acesso à informação, mas há dificuldades em utilizar evidências científicas para embasar práticas e em participar de eventos científicos. As práticas coletivas e individuais dos enfermeiros estão consolidadas em seis dimensões: controle social, vigilância e informação, educação e comunicação em saúde, equidade, integralidade, gestão da UBS e atuação no território. Observou-se um alto desempenho desses profissionais, o que evidencia a consolidação de seus processos de trabalho tanto em atividades gerenciais quanto no cuidado direto aos usuários. Destacou-se, contudo, a necessidade de investimentos contínuos para a sustentabilidade das ações dos enfermeiros. Considerações Finais: Este estudo contribui para o campo da APS, ao caracterizar o processo de trabalho dos enfermeiros. Estudos futuros, com abordagens qualitativas, poderão aprofundar a investigação sobre as facilidades e os desafios do processo de trabalho do enfermeiro, para comparar diferentes tipos de equipes e avaliar a efetividade da APS nos territórios atendidos, a fim de aprimorar estratégias de cuidado.Item Acesso aberto (Open Access) Capacidade de autocuidado segundo a qualidade de vida entre pessoas idosas, residentes em um município do sul de Minas Gerais(Universidade Federal de Alfenas, 2024-12-02) Dias, Jonas Paulo Batista; Sawada, Namie Okino; Silva, José Vitor Da; Coelho, Silvana MariaO envelhecimento é um processo complexo e afeta diferentes sistemas do organismo e esferasde vida do indivíduo. A melhoria de qualidade de vida e diminuição de agravos a saúde está ligado a realização de atividade física, de exames periódicos, controle alimentar e atividades delazer. Ou seja, o autocuidado influencia a qualidade de vida do indivíduo. O objetivo geral é analisar a capacidade deautocuidado segundo a qualidade de vida entre pessoas idosas, residentes em um município dosul de Minas Gerais. Método: abordagem quantitativa e transversal. Os participantes do estudoforam pessoas idosas de 60 anos ou maistanto do sexo masculino quanto do feminino,residentesem uma cidade no Sul de Minas Gerais. Critérios de Inclusão: Ser capaz de comunicar-se do ponto de vista verbal e cognitivo, condição avaliada por meio do Questionário de Avaliação Mental. Critérios de exclusão: Pessoa idosa institucionalizada. Para coleta de dados, foi utilizado, quatro instrumentos de pesquisa: Questionário de Avaliação Mental (Proposto por Khan, Goldfarb, Pollack e Peck em 1960) (utilizado para critério de inclusão), Caracterização sociodemográfica e de saúde, Escala de Avaliação daQualidade de Vida de WHOQOL-Bref Abreviada e WHOQOL-OLD, Escala para Avaliar as Capacidades de Autocuidado (EACAC). Para análise dos dados, foi utilizado um banco de dados(SPSS versão 22.0) a partir dos dados dos instrumentos. Aplicado estatística descritiva (médiae frequencia) para os dados sociodemográficos e de saúde e análise multivariada exploratória (análise de agrupamentos) para as variáveis referentes ao autocuidado e qualidade de vida. Resultados: com uma amostra de 100 pessoas idosas, o estudo demonstrou que a habilidade de um indivíduo em gerenciar sua própria saúde e bem-estar, por meio do autocuidado, pode refletir positivamente em sua qualidade de vida. 98% da amostra foram classificados com capacidade de autocuidado superior (boa, muito boa e ótima), . Quanto a qualidade de vida tem-se que 69% dos participantes tem melhor qualidade de vida e 31% obtiveram pior qualidade de vida. Além disso, dados sociodemográficos (idade, sexo, escolaridade, filhos, estado conjugal, renda, religião, prática de atividade física, uso de medicamentos e presença de doenças crônicas) desempenham um papel crucial na capacidade de autocuidado e, consequentemente, na qualidade de vida de indivíduos, especialmente entre os idosos. Conclui-se que o autocuidado desempenha um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida de pessoas idosas. A pesquisa evidenciou que a maioria dos participantes demonstrou uma capacidade elevada de autocuidado, o que reflete diretamente em melhores índices de qualidade de vida. No entanto, fatores sociodemográficos, como escolaridade, estado conjugal e condições de saúde, também se mostraram determinantes importantes na variação da qualidade de vida entre os idosos. Assim, promover o autocuidado e entender as influências desses fatores é essencial para desenvolver estratégias de saúde pública voltadas à população idosa, visando ao bem-estar e à longevidade com qualidade.Item Acesso aberto (Open Access) Transição ao envelhecimento no contexto das capacidades de autocuidado entre residentes de um município do sul de Minas Gerais(Universidade Federal de Alfenas, 2024-11-28) Bitencourt, Angélica De Cássia; Dázio, Eliza Maria Rezende; Silva, José Vitor Da; Fava, Silvana Maria Coelho LeiteA maneira como a pessoa passa pela transição da vida adulta para idosa pode ser influenciada por diferentes fatores que interferem nas capacidades de autocuidado. Conhecer o processo de transição ao envelhecimento das pessoas com ótima capacidade de autocuidado é de suma importância, pois permite uma melhor compreensão deste processo, o que poderá subsidiar modelos para o envelhecimento ativo e saudável a serem replicados nos programas de saúde da pessoa idosa para potencializar as capacidades de autocuidado com vistas a manutenção da longevidade. Estudo com o objetivo de compreender a transição ao envelhecimento entre pessoas idosas com ótima capacidade para o autocuidado em um município do Sul de Minas Gerais. Trata-se de estudo descritivo e exploratório de abordagem qualitativa realizado em um município do Sul de Minas Gerais com 92 pessoas idosas com ótima capacidade para o autocuidado. Teve como critérios de elegibilidade: estar cadastrado em Equipes de Saúde da Família ou Equipes de Atenção Primária do município e apresentar capacidade de compreensão e comunicação verbal, o que foi verificado por meio do Questionário de Avaliação Mental. A coleta de dados deu-se no período de julho a dezembro de 2023 em ambiente domiciliar após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Alfenas, sob o parecer nº 6.081.953. Empregou-se como instrumentos: Questionário de Avaliação Mental, Formulário de caracterização sociodemográfica e de saúde, Roteiro de entrevista semiestruturada e Escala de avaliação das Capacidades de Autocuidado. A análise dos dados de caracterização socioeconômica e de saúde foi por meio da estatística descritiva. Para os dados originados a partir da entrevista semiestruturada, foi adotado o referencial metodológico da Análise Temática Reflexiva de Braun e Clarke, com perspectiva dedutiva fundamentada no referencial teórico da Teoria das Transições de Afaf Ibrahim Meleis. Dentre os participantes, 59,8% eram do sexo feminino, idade média de 68,9 anos, 38,0% tinham ensino médio completo, 85,9% afirmaram praticar alguma(s) religião(ões), 69,6% tinham alguma condição de saúde ou doença crônica, 79,3% faziam uso de medicamentos e 56,5% praticavam alguma atividade física. Referente aos dados qualitativos, foram gerados sete temas: Envelhecimento: (in) consciencialização decorrente da construção social do idadismo, Envelhecimento: sofrimento diante das perdas, Envelhecimento: mudança na percepção do autocuidado, Envelhecimento: resultado de como se vive e de como se cuida, Envelhecimento: conceitos e preconceitos, Envelhecimento: aquisição de competências e habilidades, Envelhecimento: um outro olhar sobre a vida. O maior tempo para estar consigo mesmo, a melhoria do status financeiro, o apoio familiar e social e o acesso aos serviços de saúde foram percebidos como condicionantes facilitadores e contribuíram para a consciencialização do envelhecimento e para a melhoria das capacidades de autocuidado.Item Acesso aberto (Open Access) Sedação paliativa no controle do sofrimento existencial em pessoas com doenças graves: Revisão Integrativa(Universidade Federal de Alfenas, 2024-11-27) Isidoro, Geovanna Maria; Garcia, Ana Cláudia Mesquita; Souza, Fabiana Bolela De; Freitas, Patrícia ScotiniEmbora cuidados paliativos de qualidade estejam disponíveis, algumas pessoas em fim de vida sofrem de sintomas refratários, para os quais os tratamentos convencionais falham. A sedação paliativa é uma opção indicada nesses casos, inclusive para o tratamento do sofrimento existencial refratário de pessoas em fim de vida. Este estudo teve como objetivo analisar as evidências disponíveis na literatura sobre o uso da sedação paliativa para o controle do sofrimento existencial em pessoas com doenças graves. Foi desenvolvida uma revisão integrativa relatada de acordo com os itens do Preferred Reporting Items for Systematic Review and MetaAnalysis. Foram incluídos 36 estudos publicados entre os anos de 2000 a 2024. A partir da análise dos dados, realizada por meio da utilização de prompts específicos no ChatGPT 4, foram identificados temas e subtemas, de acordo com padrões e temas recorrentes. Os dois grandes temas foram: 1) Sedação paliativa no controle do Sofrimento existencial: desafios para a prática clínica, e 2) Definição e avaliação do Sofrimento existencial. A avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos foi realizada pelo Evidence Level and Quality Guide - Johns Hopkins Nursing Evidence-Based Practice. A aceitação da sedação paliativa para o alívio de sintomas refratários físicos é amplamente consolidada, enquanto seu uso para sofrimento existencial permanece controverso. Preocupações éticas, especialmente em relação à distinção entre sedação paliativa, eutanásia e morte assistida são comuns entre os profissionais da saúde. O receio quanto ao uso da sedação paliativa para sofrimento existencial por parte desses profissionais é legítimo, considerando-se a falta de evidências robustas que indiquem a eficácia da sedação paliativa para sofrimento existencial refratário, bem como de diretrizes claras que orientem estes profissionais quanto à definição de sofrimento existencial refratário, como identificá-lo e como utilizar a sedação paliativa nestes casos. Além disso, a formação e experiência em cuidados paliativos dos profissionais de saúde influenciam a tomada de decisões, sugerindo que educação e treinamento dos mesmos são essenciais para assegurar a prática adequada da sedação paliativaItem Acesso aberto (Open Access) Implicações da certificação ONA em acreditação hospitalar para a gestão em assistência de enfermagem : revisão integrativa(Universidade Federal de Alfenas, 2024-11-11) Vizzotto, Dianefer; Martinez, Maria Regina; Freire, Elana Maria Ramos; Freitas, Patrícia ScotiniEste trabalho objetivou delinear as evidências disponíveis na literatura quanto as implicações da certificação ONA em acreditação hospitalar para assistência e gestão em enfermagem. Trata-se de uma revisão integrativa. Utilizou-se as recomendações do JBI Manual for Evidence Synthesis e do checklist Systematic Reviews and MetaAnalyses (PRISMA-ScR), bem como a estratégia PICo para elaboração da pergunta: Quais as evidências disponíveis na literatura acerca das implicações da certificação ONA em Acreditação Hospitalar para a gestão em assistência de Enfermagem? Foram incluídos estudos primários, indexados, nos idiomas português, inglês e espanhol, com recorte temporal entre 2001 a 2024. Os manuais de acreditação foram limitados ao período de 2020 a 2024 para que os conteúdos utilizados estejam em suas versões atualizadas. Utilizou-se as fontes de informação: PubMed; Web of Science; LILACS; CINAHL e Embase. A estratégia de busca foi ajustada para cada fonte de informação, utilizando os descritores principais: Cuidados de Enfermagem, Acreditação Hospitalar e Hospitais. Foram combinados por meio dos operadores booleanos OR e AND. A pré-seleção e seleção foram realizadas nos softwares Endnote e Rayyan, por dois revisores às cegas e os conflitos revistos por um terceiro revisor. De 1.110 estudos identificados, foram eleitos 23 estudos. Por se tratar de uma Acreditação nacional os estudos com maior abrangência foram nos estados de Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pará e Amazonas. Os estudos qualitativos tiveram um expressivo destaque. Sendo os enfermeiros os profissionais que mais desenvolveram estudos em reação ao objetivo proposto. Tendo como população estudada profissionais da área de saúde, administração e contabilidade. As principais implicações identificadas no estudo foram: organização das instituições acreditadas, padronização dos processos de assistência e gestão de enfermagem, e o desenvolvimento de habilidades e competências. No entanto, foi observada uma implicação negativa relacionada à motivação, ao estresse e à sobrecarga das equipes envolvidas no processo de acreditação. A implementação dos padrões ONA exige uma padronização rigorosa dos processos, o que resulta em maior eficiência e segurança do paciente, promovendo a criação de indicadores de desempenho e efetividade, possibilitando o monitoramento contínuo e a melhoria das práticas clínicas e administrativas.
