Análise da presença de ilustrações anatômicas de indivíduos de pele negra nos principais livros e atlas de anatomia recomendados na educação médica brasileira
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Resumo
Introdução: O ensino da anatomia humana constitui o alicerce epistemológico da formação médica, sendo os seus conteúdos indispensáveis no ciclo básico das faculdades de medicina. Esta disciplina articula componentes teóricos e práticos — prioritariamente mediante a dissecação de cadáveres — e utiliza abordagens metodológicas subsidiadas por atlas anatômicos e livros-texto. Nesse cenário, a representatividade da diversidade de tons de pele no ambiente acadêmico, e especificamente na literatura de referência, revela-se imperativa para a qualificação de profissionais aptos a atuar na realidade brasileira, caracterizada por vasta pluralidade étnico-racial. O presente artigo objetiva inventariar as principais obras recomendadas no ensino de anatomia em cursos de Medicina no Brasil, analisando a frequência de representações de indivíduos negros. Metodologia: Realizou-se um levantamento dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) de graduações em Medicina no país, por meio de consulta pública aos repositórios oficiais das instituições de ensino superior, a fim de identificar as bibliografias básicas constantes nos planos de ensino de Anatomia Humana. Resultados: Os dados coletados evidenciaram uma escassez de ilustrações que representem indivíduos negros nas obras de referência, ratificando um histórico de ensino predominantemente eurocêntrico, com hegemonia de modelos caucasianos (pele branca). Conclusão: O estudo demonstra que as bibliografias básicas adotadas apresentam baixa representatividade racial, expondo um descompasso entre o material didático e a realidade fenotípica da população assistida pelos futuros médicos no Brasil.
