Interseccionalidade e resistência: violências estruturais vivenciadas por docentes mulheres nas ciências exatas

dc.contributor.advisorCarrijo Ince, Manuella Heloisa
dc.contributor.authorSantos, Debora Marques
dc.contributor.refereeSilva, Fabiane Ferreira da
dc.contributor.refereeSilva, Guilherme Henrique Gomes da
dc.date.accessioned2026-01-06T17:05:24Z
dc.date.available2026-01-06T17:05:24Z
dc.date.issued2025-11-24
dc.description.abstractEsta pesquisa analisa as trajetórias acadêmicas e profissionais de mulheres docentes da área de Ciências Exatas em universidades federais do sul de Minas Gerais, considerando os atravessamentos de gênero, raça e poder que configuram o campo científico e produzem diferentes formas de desigualdade. O referencial teórico adota a interseccionalidade como ferramenta analítica central, articulada com os Estudos Feministas e os Estudos de Gênero. Para a produção de dados, iniciou-se com um mapeamento manual das docentes efetivas das instituições federais analisadas, que possuíam, no mínimo, graduação em alguma das áreas das Ciências Exatas. A partir de informações públicas, foi construído um banco de dados com o perfil dessas profissionais. Em seguida, elaborou-se um questionário semiestruturado, aplicado online. O instrumento foi organizado em quatro blocos temáticos: perfil sociodemográfico, vivências em ações afirmativas, formação acadêmica e experiências profissionais. A análise dos dados, conduzida à luz do referencial teórico adotado e inspirada na Análise Crítica do Discurso, revelou um perfil majoritariamente branco, com baixa diversidade racial e regional, além da postergação da maternidade, associada à ausência de apoio institucional. Também foi constatada a falta de uma formação multicultural nos currículos de graduação dessas docentes. Apesar disso, observou-se um significativo engajamento na inserção de temáticas de gênero, raça e diversidade em suas práticas pedagógicas, compreendendo o currículo como ferramenta de justiça social. As participantes reconheceram a importância das políticas de ações afirmativas como mecanismos de reparação histórica e de reconhecimento de grupos sub-representados, embora poucas tenham se beneficiado diretamente delas. Por fim, as narrativas revelam trajetórias marcadas por microagressões, misoginia, assédio moral e sexual, evidenciando como práticas de opressão e exclusão de mulheres persistem nos espaços acadêmicos por meio de violências institucionais e intencionais. Com base nesses achados, este estudo pretende contribuir para o debate sobre gênero e interseccionalidade no ensino superior e, sobretudo, incentivar a revisão de normas institucionais, a inserção de currículos multiculturais e o fortalecimento de políticas de ações afirmativas voltadas ao corpo docente. Busca-se, assim, fomentar iniciativas que promovam uma formação no ensino superior inclusiva, diversa e no combate a práticas discriminatórias de gênero e raça.
dc.description.abstract2This study aimed to expand discussions on intersectionality with a focus on the field of education. Its central objective was to problematize and understand the experiences that shaped the training and professional practices of female faculty members in the field of Exact Sciences at the Federal University of Alfenas (UNIFAL-MG) and the Federal University of Itajubá (UNIFEI). This is a qualitative study with an exploratory approach. The theoretical framework adopts intersectionality as the central analytical tool, articulated with Feminist Studies and Gender Studies. Regarding methodology and data collection, an initial manual mapping of all tenured faculty members at the aforementioned institutions who held at least a bachelor’s degree in a field of Exact Sciences was conducted. Using publicly available information, a database profiling these professionals was created. A semi-structured questionnaire consisting of 48 questions was then developed and administered online. The instrument was sent to 143 mapped faculty members, of whom 35 participated. For analysis purposes, the questionnaire was organized into four thematic blocks: sociodemographic profile, experiences with affirmative actions, academic training, and professional experiences. Data analysis was conducted in light of the adopted theoretical framework, drawing on procedures from Critical Discourse Analysis. Among the main findings, the participants were predominantly white, reflecting low racial and regional diversity, with half of the respondents originating from the same state as the institution. Delayed motherhood was observed, associated with the lack of institutional support. The absence of multicultural training in the faculty members’ undergraduate curricula was also highlighted. Despite these challenges, the study found significant engagement by these women in integrating topics related to gender, race, and diversity into their pedagogical practices, understanding the curriculum as a tool for social justice. Another notable finding was the recognition by participants of the importance of affirmative action policies, even though few had directly benefited from them. Faculty members emphasized the role of such policies as mechanisms for historical redress and recognition of underrepresented groups, while also noting the need for improvements, particularly concerning the faculty body. Finally, participants’ narratives revealed trajectories marked by microaggressions, misogyny, and both moral and sexual harassment, demonstrating how oppression and exclusion of women in academic spaces persist through institutional and deliberate forms of violence. Based on the collected data, this study seeks to contribute to a deeper debate on gender and intersectionality in higher education and, above all, to encourage the revision of institutional norms, the inclusion of multicultural curricula, and the implementation of affirmative action policies directed at faculty. The aim is to promote initiatives that foster inclusive and diverse higher education and combat discriminatory practices based on gender and race.
dc.description.additionalinformationTermo de autorização SEI 1703621
dc.description.physical203
dc.description.sponsorshipNão recebeu apoio/financiamento
dc.identifier.credential2021.1.218.007
dc.identifier.lattesAdvisorhttp://lattes.cnpq.br/6353436161500379
dc.identifier.lattesAuthorhttp://lattes.cnpq.br/4326109448379822
dc.identifier.urihttps://repositorio.unifal-mg.edu.br/handle/123456789/3259
dc.language.isopt
dc.publisher.campiSede
dc.publisher.courseMestrado em Educação
dc.publisher.departmentInstituto de Ciências Exatas
dc.publisher.initialsUNIFAL-MG
dc.publisher.institutionUniversidade Federal de Alfenas
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Educação
dc.rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess
dc.subject.cnpqCiências Humanas::Educação
dc.subject.cnpqCiências Exatas e da Terra
dc.subject.enWomen in science
dc.subject.enAffirmative actions
dc.subject.enMicroaggressions
dc.subject.enMisogyny
dc.subject.enFaculty
dc.subject.pt-BRMulheres na ciência
dc.subject.pt-BRAções afirmativas
dc.subject.pt-BRMicroagressões
dc.subject.pt-BRMisoginia
dc.subject.pt-BRCorpo docente
dc.titleInterseccionalidade e resistência: violências estruturais vivenciadas por docentes mulheres nas ciências exatas
dc.typeinfo:eu-repo/semantics/masterThesis

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