Digestão simulada in vitro e liberação de peptídeos bioativos de globulina total de grão-de-bico (Cicer arietinum L.) da cultivar GB Cappuccino
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Resumo
As proteínas de leguminosas têm despertado crescente interesse devido ao seu potencial para a liberação de peptídeos bioativos durante a digestão humana. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo investigar o potencial de liberação de peptídeos bioativos a partir da fração globulina extraída do grão-de-bico (Cicer arietinum L.) da cultivar GB Cappuccino, por meio de digestão gastrointestinal simulada in vitro, bem como avaliar suas bioatividades e a influência das faixas de peso molecular e dos compostos fenólicos. Para isso, os grãos foram submetidos a três tratamentos distintos para obtenção das farinhas: grão integral, grão descascado e grão descascado submetido à extração de compostos fenólicos com acetona 70%. A partir dessas farinhas, a fração globulina foi isolada, quantificada e caracterizada, sendo comparadas globulinas extraídas na presença e ausência de compostos fenólicos. Em seguida, as amostras foram submetidas à digestão simulada, e os hidrolisados obtidos foram fracionados de acordo com o peso molecular dos peptídeos. As bioatividades avaliadas incluíram o potencial inibitório sobre a α-glicosidase, a inibição da enzima conversora de angiotensina (ECA) e a atividade antioxidante, determinada pelos métodos ABTS, DPPH e FRAP. Os resultados demonstraram que a fração globulina constitui a principal fração proteica do grão-de-bico GB Cappuccino e apresenta elevada suscetibilidade à hidrólise enzimática, favorecendo a liberação de peptídeos de diferentes faixas de peso molecular. A presença ou ausência de compostos fenólicos não promoveu alterações significativas no perfil estrutural das globulinas. Os hidrolisados apresentaram potencial não inibitório sobre a α-glicosidase, porém relevante atividade antioxidante e consistente capacidade de inibição da ECA, com valores de IC₅₀ semelhantes entre os diferentes grupos avaliados, indicando preservação da bioatividade independentemente do tratamento da farinha. Entretanto, as variações observadas no comportamento dose–resposta sugerem a necessidade de estudos adicionais para elucidar os mecanismos envolvidos, especialmente quanto à interação entre peptídeos e compostos fenólicos. De forma geral, os resultados indicam que as globulinas do grão-de-bico GB Cappuccino representam uma fonte promissora de peptídeos bioativos, com potencial aplicação no desenvolvimento de ingredientes funcionais e nutracêuticos.
