Interações afetivas breves não melhoram a leitura de gestos humanos por cães de abrigo

dc.contributor.advisorCunha, Rogério Grasseto Teixeira da
dc.contributor.authorSergino, Vivian Ceccon
dc.contributor.coadvisorGeneroso, Carolina Wood
dc.contributor.refereeCabral, Francisco Giugliano de Souza
dc.contributor.refereeAyruosa Filho, Flávio Marques da Silva
dc.date.accessioned2025-12-15T17:00:02Z
dc.date.available2025-12-15T17:00:02Z
dc.date.issued2025-12-09
dc.description.abstractA habilidade de cães domésticos em interpretar gestos de apontar realizados por humanos é amplamente documentada na literatura científica. No entanto, essa capacidade ainda não foi devidamente avaliada em cães de abrigo, sujeitos a históricos de vida diferentes dos de animais de estimação, que podem influenciar seus processos de desenvolvimento, bem como suas características cognitivas e comportamentais. Este estudo teve como objetivo testar a hipótese de que uma interação afetiva breve exerce influência positiva sobre a capacidade dos cães de abrigo em seguir gestos de apontar realizados por humanos. Participaram 56 cães, divididos em dois grupos: Familiar (n=24), que recebeu interação afetiva com a experimentadora por 5 dias antes do teste, e Não Familiar (n=32), com contato apenas no dia do teste. Cada cão participou de 2 ou 3 testes, totalizando 166 ensaios. Em cada ensaio, a posição do pote com comida (lado direito ou esquerdo) foi randomizada (controlando para lateralidade). Registramos se o cão se aproximava do pote correto ou incorreto, conforme apontado pela experimentadora. Analisamos os dados mediante modelo linear generalizado misto com efeito aleatório para cão, testando o efeito da familiaridade (fator fixo) na precisão de seguir o gesto nos dois grupos (escolha correta ou incorreta). Os resultados mostraram probabilidades médias de acerto ajustadas de 61,5% (IC95%: 51,4-70,6%) para o grupo Não Familiar e 52,9% (IC95%: 41,2-64,2%) para o grupo Familiar, que não diferem estatisticamente. Porém, ao testar contra o nível de acaso (50%), o grupo Não Familiar apresentou desempenho significativamente acima do esperado (p=0,0261), enquanto o grupo Familiar não diferiu do acaso (p=0,6328). Não encontramos efeito do lado da comida (p=0,6414), porém houve preferências laterais (p=0,0003) na precisão, com cães escolhendo mais o lado direito no geral. Esses resultados sugerem que a interação afetiva breve prévia pode não ser condição necessária para a compreensão de gestos humanos por cães de abrigo. Contrariamente às hipóteses iniciais, os resultados indicaram que cães sem esta interação breve estabelecida seguiram o gesto com maior precisão. A diferença na responsividade de cães na resolução de problemas, particularmente ao se comparar a leitura de gestos de um humano familiar e um não familiar, pode ser explicada por três mecanismos interligados. O maior foco atencional e neofilia indicam que cães com histórico de privação social (como os de abrigo) podem entender o humano não familiar como um estímulo novo que atrai um certo foco investigativo. Esse estímulo permite uma possível concentração maior na tarefa e possível redução de distrações sociais, já que a pessoa não familiar não carrega a previsibilidade de uma pessoa familiar. A interferência emocional sugere que a presença de uma pessoa familiar pode criar um estado de excitação, prejudicando a atenção do cão a pistas sutis. Sendo assim, cães com maior familiaridade podem vir a priorizar a recompensa social (carinhos, elogios) da pessoa familiar, que compete com o foco na tarefa, enquanto cães não familiarizados são possivelmente mais motivados por recompensas instrumentais (comida, brinquedo), tornando seu desempenho mais focado na resolução da tarefa do que na interação social. Portanto, esses resultados sugerem que a ontogenia individual dos cães deve ser considerada em relação a sua responsividade a sinais comunicativos humanos.
dc.description.abstract2The ability of domestic dogs to interpret pointing gestures made by humans is widely documented in the scientific literature. However, this capacity has not yet been properly assessed in shelter dogs, who have life histories different from those of pets, which may influence their developmental processes as well as their cognitive and behavioral characteristics. This study aimed to test the hypothesis that brief affective interaction has a positive influence on the ability of shelter dogs to follow human pointing gestures. A total of 56 dogs participated, divided into two groups: Familiar (n=24), which received affective interaction with the experimenter for 5 days before testing, and Non-Familiar (n=32), which had contact only on the day of testing. Each dog participated in 2 or 3 tests, totaling 166 trials. In each trial, the position of the food bowl (right or left side) was randomized (controlling for laterality). We recorded whether the dog approached the correct or incorrect bowl, as indicated by the experimenter. Data were analyzed using a generalized linear mixed model with a random effect for dog, testing the effect of familiarity (fixed factor) on pointing-following accuracy in the two groups (correct or incorrect choice). Results showed adjusted mean accuracy probabilities of 61.5% (95% CI: 51.4–70.6%) for the Non-Familiar group and 52.9% (95% CI: 41.2–64.2%) for the Familiar group, which did not differ statistically. However, when tested against chance level (50%), the Non-Familiar group performed significantly above chance (p=0.0261), while the Familiar group did not differ from chance (p=0.6328). We found no effect of food side (p=0.6414), but there were lateral preferences (p=0.0003) in accuracy, with dogs choosing the right side more overall. These results suggest that prior brief affective interaction may not be a necessary condition for shelter dogs' understanding of human gestures. Contrary to initial hypotheses, the results indicated that dogs without this brief established interaction followed the pointing gesture more accurately. The difference in dogs' responsiveness in problem-solving, particularly when comparing the reading of gestures from a familiar versus an unfamiliar human, may be explained by three interconnected mechanisms. Greater attentional focus and neophilia indicate that dogs with a history of social deprivation (such as shelter dogs) may perceive an unfamiliar human as a novel stimulus that attracts investigative focus. This stimulus may allow for greater possible concentration on the task and a potential reduction in social distractions, since the unfamiliar person lacks the predictability of a familiar one. Emotional interference suggests that the presence of a familiar person may create a state of arousal, impairing the dog's attention to subtle cues. Thus, dogs with greater familiarity may prioritize social rewards (affection, praise) from the familiar person, which competes with task focus, while unfamiliar dogs are possibly more motivated by instrumental rewards (food, toys), making their performance more focused on solving the task than on social interaction. Therefore, these results suggest that the individual ontogeny of dogs should be considered in relation to their responsiveness to human communicative signals.
dc.description.additionalinformationTermo de autorização SEI 1692844
dc.description.physical35
dc.identifier.credential2019.2.05.006
dc.identifier.lattesAuthor9629280822906342
dc.identifier.urihttps://repositorio.unifal-mg.edu.br/handle/123456789/3146
dc.language.isopt
dc.publisher.campiSede
dc.publisher.courseCiências Biológicas (Licenciatura)
dc.publisher.departmentInstituto de Ciências da Natureza
dc.publisher.initialsUNIFAL-MG
dc.publisher.institutionUniversidade Federal de Alfenas
dc.rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess
dc.rights.creativeCommonsAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.subject.cnpqCiências Biológicas
dc.subject.enCanine behavior
dc.subject.enGestural communication
dc.subject.enHuman-animal affective interaction
dc.subject.pt-BRComportamento canino
dc.subject.pt-BRComunicação gestual
dc.subject.pt-BRInteração afetiva humano-animal
dc.titleInterações afetivas breves não melhoram a leitura de gestos humanos por cães de abrigo
dc.typeinfo:eu-repo/semantics/bachelorThesis

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