Leitura decolonial de Becos da Memória de Conceição Evaristo
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Resumo
Neste artigo, propomos uma leitura de Becos da memória, de Conceição Evaristo, a partir da Decolonialidade compreendida como método de vida, numa perspectiva que valoriza as resistências e evidencia a potência narrativa da favela enquanto espaço de enunciação. A discussão percorre questões socioculturais e raciais, ressaltando os impactos da expropriação sobre a sociedade brasileira, em especial no que concerne ao direito à moradia. O estudo também discute o ingresso de pessoas negras nas universidades, com atenção particular às trajetórias e às experiências de mulheres. Sem recorrer a eufemismos, o artigo problematiza temas como violência doméstica, machismo estrutural, feminicídio, cultura do estupro e invisibilidade racial, fenômenos cuja transparência dolorosa frequentemente conduz a experiências-limite, como o suicídio. A intersecção de opressões e a noção de “Lócus Fraturado” constituem eixos da análise por fornecer o arcabouço necessário para a análise-interpretação da permanência das estruturas coloniais nas dinâmicas que atravessam as comunidades periféricas. Por fim, enfatizamos as formas de (re)existência que emergem dessas fraturas, com o propósito de registrar a força vital e simbólica das populações historicamente marginalizadas por uma exclusão sistêmica.
