Mestrado em Ciências Farmacêuticas
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Item Acesso aberto (Open Access) Abordagens termoanalíticas, cinética e indicativa de estabilidade: por CLAE-UV/DAD para Minoxidil (em Cápsulas Magistrais)(2026-03-27) Oliveira, Gustavo Terra de; Araújo, Magali Benjamim de; Soares, Cristina Duarte Vianna; Silva, Lucélia Magalhães daO minoxidil, utilizado no tratamento da alopecia androgenética, é um fármaco de baixo índice terapêutico que requer rigoroso controle de qualidade quando empregado em formulações sóli-das, como cápsulas magistrais. Nesse contexto, torna-se essencial dispor de método físico-químico e analíticos de alta sensibilidade e robustez, além de compreender seu comportamento térmico, sua estabilidade por meio de métodos analíticos cromatográficos seu controle. Estudos termoanalíticos por TG/DTG e DSC realizados com o objetivo de avaliar a estabilidade térmica e a cinética de mostraram que o minoxidil é termicamente estável até aproximadamente 265 °C, apresentando decomposição em múltiplas etapas. Um evento endotérmico em torno de 187 °C foi atribuído a um rearranjo estrutural da rede cristalina, sem evidências de degradação química. A análise cinética indicou que o processo de decomposição ocorre por um mecanismo comple-xo e multietapas. Estudos de compatibilidade térmica, mostraram que o fármaco é compatível com excipientes como celulose microcristalina, amido de milho e dióxido de silício coloidal. O tensoativo lauril sulfato de sódio não apresentou incompatibilidade nas proporções usuais de uso, porém a lactose promoveu alterações térmicas sugestivas de possível interação. Estudos de degradação forçada em conformidade com a RDC nº 318/2019, evidenciaram que o minoxidil apresentou degradação superior a 5% em condições ácida, oxidante e na presença de íons metá-licos, mantendo-se estável nas demais condições avaliadas. Para verificar o teor e possível pre-sença de impureza em formulações magistrais contendo minoxidil, um método indicativo de estabilidade por CLAE-UV/DAD, foi desenvolvido e validado conforme a RDC nº 166/2017. O método demonstrou seletividade, excelente linearidade (r = 0,9999), precisão e exatidão ade-quadas (entre 99,5% e 99,9%), bem como sensibilidade e robustez satisfatórias. Adicionalmen-te, ensaios farmacopeicos como determinação de peso médio, desintegração, uniformidade de conteúdo e teste de dissolução atenderam aos requisitos estabelecidos pela Farmacopeia Brasi-leira (7ª ed., 2024). Os resultados evidenciam que o minoxidil apresenta estabilidade térmica adequada e compatibilidade com os excipientes selecionados, além de que o método analítico desenvolvido é confiável para aplicação em estudos de estabilidade e no controle de qualidade de formulações magistrais sólidas.Item Acesso aberto (Open Access) Avaliação da eficácia do ciclopirox olamina e indometacina no tratamento da toxoplasmose cerebral crônica experimental: um estudo baseado em reposicionamento de fármacos(2026-05-19) Lambert, Gabriel Carvalho; Marques, Marcos José; Scopel, Kezia Katiani Gorza; Dias, Amanda Latercia TranchesO Toxoplasma gondii, agente etiológico da toxoplasmose, é um protozoário de distribuição global que infecta cerca de um terço da população humana. Embora a infecção aguda seja frequentemente controlada em indivíduos imunocompetentes, o parasito estabelece uma fase crônica caracterizada pela formação de cistos teciduais, predominantemente no Sistema Nervoso Central (SNC). Esta forma latente é quimiorresistente às terapias convencionais e representa um risco permanente de reativação em pacientes imunossuprimidos, podendo evoluir para a neurotoxoplasmose grave, além de estar associada a distúrbios neuropsiquiátricos. Diante da toxicidade dos fármacos atuais e da sua incapacidade de erradicar os cistos cerebrais, a estratégia de reposicionamento de fármacos torna-se imperativa para acelerar a descoberta de novas terapias. Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficácia in vivo do Ciclopirox Olamina e da Indometacina no modelo murino de toxoplasmose crônica, após ambos apresentarem resultados promissores na triagem in vitro. O Ciclopirox Olamina atua através da quelação de ferro e apresentou uma Concentração Efetiva Média (EC50) de 389,6 nM, baixa citotoxicidade celular (CC50 > 50 µM) e um excelente Índice de Seletividade superior a 128,3. Em paralelo, a Indometacina, um anti-inflamatório não esteroidal (AINE), demonstrou uma EC50 de 8,9 μM contra o parasito, aliada à sua alta lipossolubilidade que facilita a transposição da barreira hematoencefálica. O estudo experimental utilizou camundongos fêmeas da linhagem C57BL/6 infectados com a cepa ME49, divididos em ensaios que testaram o tratamento com Ciclopirox (20, 40 e 80 mg/kg) e Indometacina (10 mg/kg), quantificando a carga parasitária cerebral através da técnica de qRT-PCR. Os resultados indicaram que o tratamento com Ciclopirox Olamina não demonstrou o efeito terapêutico esperado nas doses de 20 e 40 mg/kg; apesar de uma tendência de redução na dose de 80 mg/kg, não houve significância estatística. Isso evidencia que sua potente atividade quelante in vitro não se traduziu diretamente in vivo, possivelmente devido a limitações farmacocinéticas e biodisponibilidade restrita no SNC. Por outro lado, a avaliação terapêutica da Indometacina revelou uma tendência biológica favorável, promovendo a redução da carga parasitária média de 4,61 (grupo não tratado) para 1,48 parasitos. Embora essa redução também não tenha alcançado significância estatística devido à expressiva variabilidade biológica e tamanho amostral restrito, a Indometacina confirmou seu potencial papel não apenas como parasiticida, mas como um adjuvante terapêutico com propriedades de imunomodulação, controle inflamatório e neuroproteção. Conclui-se que os compostos investigados possuem perfis complexos in vivo, em que o Ciclopirox necessita de otimizações de dosagem ou formulação, enquanto a Indometacina desponta como uma via promissora coadjuvante que demanda investigações com maior poder estatístico.Item Acesso aberto (Open Access) Avaliação do potencial adjuvante de nanopartículas de albumina sérica bovina contendo Poli(I:C) na indução de resposta imune utilizando doses reduzidas do vírus Vaccinia Ankara Modificado(2026-03-23) Silveira, Mayra Amoreli da; Coelho, Luiz Felipe Leomil; Pereira, Anna Carolina Toledo da Cunha; Oliveira, Danilo Bretas deA família Poxviridae compreende vírus de DNA capazes de infectar humanos e animais, incluindo agentes etiológicos de doenças de grande relevância, como a Varíola e a Mpox. Embora a varíola tenha sido erradicada, outras doenças causadas por poxvírus permanecem sendo ameaças à saúde pública mundial. O Orthopoxvirus onkeypox (MPXV) tem provocado surtos em diferentes regiões, inclusive fora do continente africano, reforçando a necessidade de estratégias vacinais eficazes para conter possíveis emergências globais. Entre as vacinas disponíveis, o vírus Vaccinia Ankara modificado (MVA) destaca-se por sua segurança, mas sua atenuação reduz a imunogenicidade, exigindo doses mais altas ou múltiplas. A disponibilidade global do MVA é limitada, concentrando-se em países de alta renda, o que dificulta respostas rápidas em emergências de saúde pública. Diante dessas limitações, torna-se essencial o desenvolvimento de estratégias capazes de aumentar a imunogenicidade do MVA e, ao mesmo tempo, reduzir custos e a necessidade de grandes volumes de produção. Uma alternativa promissora é o uso de nanopartículas como adjuvantes vacinais. As nanopartículas de albumina sérica bovina (BSA), quando associadas ao ácido poliinosínico:policitidílico (poli(I:C)), um RNA sintético de fita dupla que simula infecções virais, têm demonstrado efeito adjuvante. Neste estudo, avaliou-se o efeito adjuvante das NPPI associadas ao MVA. Camundongos C57BL/6 foram imunizados com doses de MVA em concentrações variadas (105 a 107), na presença ou ausência das nanopartículas, e posteriormente desafiados com o Orthopoxvirus vaccinia. Resultados indicam que as NPPI potencializam a resposta imunológica e protetora induzida pelo MVA em doses menores, demonstrado principalmente através do aumento da produção de anticorpos neutralizantes, diminuição de sinais clínicos e perda de peso e menor grau de injúria pulmonar dos animais infectados. Sendo assim, o uso das NPPI em vacinas baseadas no MVA representa uma estratégia promissora diante de emergências em saúde pública e da limitação de antígenos em larga escala.Item Acesso aberto (Open Access) Desenvolvimento de produto sólido mastigável contendo extrato de Baccharis dracunculifolia microencapsulado para antisséptico bucal(2023-03-06) Lacerda, Douglas Pessoa; Leite, Mateus Freire; Amaral, Juliano Geraldo; Silva, Geraldo Alves daA cárie dental é uma doença crônica dinâmica mediada por biofilme, modulada pela dieta, multifatorial, não transmissível, resultando em perda líquida de minerais dos tecidos duros dentários determinada por fatores biológicos, comportamentais, psicossociais e ambientais. Considerando estes fatores, o objetivo do presente estudo foi desenvolver um enxaguante antisséptico bucal na forma de comprimido mastigável contendo extrato seco pulverizado das folhas de Baccharis dracunculifolia microencapsulados eficaz contra a formação de biofilme supragengival. Neste sentido, foram obtidos: extrato bruto e óleo essencial a partir das folhas de B. dracunculifolia; os perfis químicos do extrato bruto (CLAE-DAD-EM/EM) e do óleo essencial (CG-EM); determinadas a Concentração Inibitória Mínima (CIM) e a Concentração Bactericida Mínima (CBM) do extrato bruto e do óleo essencial como agentes antibacterianos; desenvolvidos e caracterizados sistemas estabilizados por tensoativos contendo extrato bruto e óleo essencial; realizadas a secagem por pulverização dos sistemas contendo extrato bruto e óleo essencial para obtenção de microcápsulas; desenvolvidos os comprimidos a partir do extrato seco pulverizado de B. dracunculifolia microencapsulado; realizada a caracterização físico-química dos comprimidos desenvolvidos a partir do extrato seco pulverizado e desenvolvida metodologia analítica para quantificar ácido cafeico no extrato seco por pulverização e comprimidos (CLAE-EM/EM). De acordo com os resultados, foi obtido extrato bruto e óleo essencial de B. dracunculifolia, o perfil químico do extrato bruto apresentou derivados do ácido clorogênico e o óleo essencial demonstrou a presença de moléculas com atividade antibacteriana (monoterpenos, sesquiterpenos e álcoois sesquiterpênicos); O extrato bruto apresentou CIM de 500 µg/ml e CBM de 2000 µg/ml enquanto o óleo essencial apresentou CIM e CBM de 250 µg/ml. A construção de 4 diagramas de fases com diferentes composições de tensoativos, fase oleosa e fase aquosa, permitiu a obtenção de diferentes sistemas líquidos transparentes sugestivos de microemulsão com perspectivas de serem utilizados no desenvolvimento do extrato bruto microencapsulado contendo extrato bruto e óleo essencial, sendo que o sistema escolhido apresentou tamanho de gotícula (15,61nm ± 0,88), índice de polidispersividade (0,134±0,050), potencial zeta (-12,63 mV ±1,82), condutividade (60,0 µS/cm ±0,00032), viscosidade (180,0 cP ) e pH (5,01±0,06). As microcápsulas utilizando Aerosil® a 7,0 % se apresentam em forma rugosas esféricas e lisas, sem a presença de amassados na superfície. Foram obtidos comprimidos dentro dos parâmetros de compressão, peso médio, dureza e friabilidade. O desenvolvimento de metodologia analítica para quantificação de ácido cafeico no extrato seco por pulverização e comprimidos de B. dracunculifolia foi efetiva para os parâmetros de seletividade, linearidade, precisão, exatidão, limite de detecção e limite de quantificação. O extrato seco por pulverização apresentou teor de 4,37 mg/l de ácido cafeico e os comprimidos apresentaram teor de 4,68 mg/l de ácido cafeico demonstrando que a secagem por pulverização manteve a presença de extrato bruto. Assim, foi possível obter um novo produto oriundo de um arbusto lenhoso, com atividade antisséptica importante e na forma sólida, aplicável industrialmente em função da utilização de extrato seco por pulverização na forma de comprimidos mastigáveis de Baccharis dracunculifolia.Item Acesso aberto (Open Access) Desenvolvimento e caracterização físico-química de sistema nanodisperso para o controle do melasma(2023-06-03) Figueiredo, Daniela Mayra de Oliveira; Leite, Mateus Freire; Silva, Geraldo Alves da; Pereira, Gislaine RibeiroO melasma é uma dermatose crônica que pode resultar em alterações desarmônicas na tonalidade da pele e na fisionomia da face. Ocorre pelo excesso na produção dos pigmentos de melanina. Atinge principalmente mulheres em todo o mundo e tem a radiação solar como principal desencadeante. A hiperpigmentação de melasma é difícil de ser controlada, pois há envolvimento de muitos fatores que atuam em diversos mecanismos da síntese de melanina. O pigmento de melanina é produzido nos melanócitos como um meio protetor contra a radiação ultravioleta. O uso de cosméticos despigmentantes é a primeira opção para o controle das hiperpigmentações. No entanto, um dos desafios no desenvolvimento de formulações para a pele (dermatológicos ou cosméticos) é vencer o estrato córneo, principal barreira da pele para a penetração de substâncias. Por isso, o objetivo deste trabalho foi o desenvolvimento de uma formulação cosmética capaz de conduzir os ativos: extrato de Bellis perennis, nicotinamida e alfabisabolol até os melanócitos, para um efetivo controle do melasma. O veículo escolhido para compor a formulação cosmética é um sistema nanotecnológico, tal como uma microemulsão. Este tipo de sistema permite a elaboração de formulações adequadas à face, devido à baixa viscosidade e grande conteúdo aquoso. Pelo estudo de estabilidade acelerada comprovou-se a estabilidade da formulação diante de três diferentes condições de temperatura (5, 25 e 40 ºC). Estudos de permeação e retenção cutânea in vitro demonstraram a segurança da formulação cosmética. O ensaio de MTT em fibroblastos L929 mostrou que o produto desenvolvido é seguro para a aplicação na pele sem diminuir a viabilidade celular. Portanto, obteve-se um sistema cosmético nanodisperso estável, biocompatível e de sensorial adequado para aplicação na face contendo ativos cosméticos seguros para o controle do melasma.Item Acesso aberto (Open Access) Desenvolvimento, caracterização e avaliação de novas formas sólidas de domperidona veiculadas em uma formulação orodispersível.(2024-11-07) Reis, Kassius de Souza; Bonfilio, Rudy; Trevisan, Jerusa Simone Garcia; Carvalho, Flávia ChivaA domperidona (DOM) é um ingrediente farmacêutico ativo (IFA) antiemético e procinético, utilizado para tratar sintomas como náuseas, refluxo, dor epigástrica e gastroparesia. No entanto, sua eficácia terapêutica é prejudicada pela baixa solubilidade em água e pelo extenso metabolismo de primeira passagem hepático e metabolismo intestinal, resultando em baixa biodisponibilidade. Este trabalho apresenta estratégias para aprimorar suas propriedades biofarmacêuticas através da obtenção de formas sólidas multicomponentes por meio de síntese mecanoquímica assistida por água, seguido da veiculação dos produtos obtidos em comprimidos orodispersíveis (CODs) para melhora na solubilidade e dissolução. Dentre os coformadores testados, foram obtidos: maleato de DOM 2,5 hidratado (sal), mandelato de DOM anidro (sal), sacarinato de DOM monohidratado (sal) e um cocristal de DOM e hidroquinona. Vale destacar que os dois últimos não possuem estrutura cristalina catalogada no CSD. As formas sólidas foram caracterizadas por difração de raios-X de pó (DRXP), calorimetria exploratória diferencial (DSC), análise termogravimétrica (TGA) e espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier. Posteriormente, foram produzidos CODs contendo mandelato de DOM anidro, sacarinato de DOM monoidratado e DOM monocomponente, onde os comprimidos foram avaliados através de ensaios de perfil de dissolução, utilizando um método de cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) desenvolvido e validado segundo as diretrizes da RDC 166 de 2017 (ANVISA) para quantificação das amostras. Ambas as formas multicomponentes (mandelato de DOM anidro e sacarinato de DOM monoidratada) apresentaram perfis de dissolução distintos da formulação contendo DOM monocomponente, onde os sais obtidos apresentaram maior velocidade na liberação do IFA em 60 minutos, mostrando que a abordagem utilizada no estudo pode ser efetiva no que tange os problemas de solubilidade e dissolução apresentados pelo IFA.Item Embargo Espectrometria de massas com ionzação por spray a partir de partícula magnética utilizando copolímero magnético de acesso restrito para análise de tetraciclinas em leite(2025-07-31) Dias, Ana Clara Figueredo; Figueiredo, Eduardo Costa de; Lago, Ayla Campos do; Paula, Ramon Alves de OliveiraNeste trabalho foi desenvolvido um método para determinação de tetraciclinas em leite empregando a técnica de spray a partir de partículas magnética em espectrometria de massas (MPS-MS, do inglês Magnetic Particle Spray Mass Spectrometry). Foi realizada extração dispersiva em fase sólida de tetraciclina, oxitetraciclina e clortetraciclina utilizando copolímero magnético de acesso restrito (MRACP). O M-RACP foi sintetizado a partir de nanopartículas magnéticas, sendo ele um poli (ácido metacrílico-co-etilenoglicol dimetacrilato) magnético de acesso restrito. As etapas de síntese foram caracterizadas, demonstrando sucesso da síntese, utilizando microscopia eletrônica de varredura, espectroscopia de infravermelho, analises térmicas, potencial zeta, raio-x e suscetibilidade magnética. O processo de adsorção prevê uma adsorção que pode seguir cinética de múltiplas ordens com possíveis alterações de mecanismos durante o processo, e adsorção em monocamada. A acetonitrila foi utilizada como solvente extrator e para isso um capilar foi colocado em contato com a sonda contendo o M-RACP em sua ponta inferior, de forma que a acetonitrila fosse dispensada nas nanopartículas sob uma alta voltagem. Utilizou-se 0,150 mL min-1 de solvente extrator e 0,5 mg de sorvente para cada analise, cujo tempo total foi de 1,2 min. As curvas analíticas foram lineares com R2>0,99. O limite de quantificação foi de 50 µg L-1 para os três analitos e os de detecção variaram de 30,74 a 46,12 µg L-1. A precisão e exatidão se mostraram satisfatórias (considerando a RDC 166/2017) e foram calculadas pelo desvio padrão relativo e erro relativo, respectivamente, dos ensaios intra e inter dias, nos calibradores baixos (50 µg L-1), médios (220 µg L-1) e altos (450 µg L-1), variando de 4,33 a 15,32% de precisão e -17,8 a 15,6% de exatidão. O método desenvolvido empregando a técnica MPS-MS juntamente com o M-RACP para a extração direta das tetraciclinas em leite mostrouse simples, fácil, rápido e vantajoso se comparado com outros trabalhos da literatura. Foi possível diminuir e otimizar as etapas de preparo de amostras para o leite, diminuindo erros pré-analíticos. Além disso, o método enquadrou-se como sustentável e está alinhado com os princípios da química verde.Item Acesso aberto (Open Access) Explorando os benefícios do alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) em modelo animal: potencial ação ansiolítica e antidepressiva(2025-03-07) Souza, Renata Maria Leal de; Ceron, Carla Speroni; Garcia, Tayllon dos Anjos; Rosalen, Pedro LuizTranstornos de ansiedade e depressão, frequentemente associados ao estresse oxidativo e à redução da neuroproteção no sistema nervoso central (SNC), representam desafios importantes à saúde pública. Baccharis dracunculifolia destacase como uma planta medicinal promissora devido às suas propriedades antioxidantes e neuroprotetoras. Este estudo avaliou os efeitos ansiolíticos e antidepressivos do extrato de B. dracunculifolia (50 mg/kg) (BD 50) em ratos Wistar machos e fêmeas. Os animais foram submetidos a testes comportamentais e análises bioquímicas para avaliar marcadores de estresse oxidativo, incluindo a atividade das enzimas superóxido dismutase (SOD) e catalase (CAT), os níveis de glutationa (GSH) e a quantificação de espécies reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS), além da expressão do fator neurotrófico derivado do encéfalo (BDNF) no SNC. Foram utilizados 60 machos e 60 fêmeas, divididos em grupos controle, BD 50 e fluoxetina (10 mg/kg). Para avaliar os efeitos ansiolíticos, os animais foram submetidos aos testes de labirinto em T elevado (LTE), campo aberto (CA) e claro-escuro (CE). Para os efeitos antidepressivos, foram realizados os testes de nado forçado (NF) e preferência por sacarose (PPS). No 18º dia, os encéfalos foram coletados para análises oxidativas e de BDNF. Nos machos, o BD 50 exibiu efeito ansiolítico (exceto no CE), sem efeito antidepressivo, aumentou a atividade de SOD e CAT, estabilizou GSH e manteve TBARS, sem alterar a expressão de BDNF. Nas fêmeas, o BD 50 demonstrou efeito ansiolítico (LTE, CA, CE) e antidepressivo (NF), semelhante à fluoxetina, mas sem aumento na atividade de SOD, CAT, GSH ou expressão de BDNF. Conclui-se que o tratamento crônico com BD 50 promoveu efeitos ansiolíticos e antioxidantes em machos, enquanto nas fêmeas exibiu efeitos ansiolíticos e antidepressivos por uma via independente do estresse oxidativo, destacando a importância do dimorfismo sexual na farmacologia.Item Acesso aberto (Open Access) Glico-compostos planejados como antifúngicos e contra a formação de biofilmes de Candida spp.(2025-02-21) Iemini, Rayssa de Cassia Alves; Franco, Lucas Lopardi; Jardim, Guilherme Augusto de Melo; Marques, Marcos JoséOs carboidratos são os mais abundantes compostos orgânicos naturais, tendo envolvimento em vários processos biológicos e patológicos. Os glico-compostos têm atraído cada vez mais a atenção na área da química medicinal pelo relevante impacto na farmacodinâmica ou farmacocinética. Dentro desse conceito, preparar glico-compostos com unidades do tipo 5- nitroimidazóis é uma estratégia interessante pela sua grande aplicabilidade em uma gama de patologias, com ação antiparasitário e antimicrobiano. Neste projeto, levantamos a instigante hipótese de proporcionar uma ação anti-biofilme inédita usando o potencial farmacocinético de carboidratos que podem auxiliar no acesso do metronidazol em áreas de baixa oxigenação (biofilme), ampliando seu potencial bioativo. Para isso, realizamos a síntese de novos glico- metronidazóis a partir de quatro carboidratos (D-glicose, D- galactose, D-N-acetilglicosamina e D-lactose), para explorar diferenças estereoquímicas, físico-químicas e até de tamanho molecular no processo. Os glico-compostos foram obtidos por glicosilação não-clássica, tendo um triazol como conector, onde exploramos a famosa química click como ferramenta de acoplamento, bem como seu potencial incremento bioativo. Neste trabalho, testamos seu potencial bioativo frente a três espécies de Candida sp. com resultados extremamente promissores, uma vez que o metronidazol em si não apresenta nem ação antifúngica nem anti- biofilme, mas todos os glicosídeos apresentaram melhores resultados, com destaque ao composto GTM 01 com IC50 semelhante ao fluconazol, fármaco de referência. Em relação ao ensaio para anti-biofilme fúngico, além de todos compostos exibirem atividade biológica, destacamos os resultados obtidos com o lactosídeo GTM 07, com IC50 significativamente melhor que o fluconazol. Estudos in silico complementares também foram realizados, e, em geral, com resultados foram promissores.Item Acesso aberto (Open Access) Nanopartícula de poli(ácido metacrílico-co-etilenoglicol dimetracrilato) de impressão molecular recoberto com transferrina como carreador de carbamazepina(2025-12-04) Ferreira, Lucas Prosperi; Figueiredo, Eduardo Costa de; Figueiredo, Eduardo Costa; Vieira, Fernando Vitor; Marques, Maria Betânia de FreitasA carbamazepina (CBZ) é um fármaco padrão utilizado no tratamento de doenças neurológicas, como bipolaridades, epilepsia, convulsões. Um dos problemas é sua faixa terapêutica estreita oriunda da sua alta toxicidade. Neste trabalho, propôs-se desenvolvimento de sistemas nanocarreadores, visando a liberação controlada da CBZ, a redução da sua toxicidade sistêmica e a superação da barreira hematoencefálica (BHE). Foram sintetizados e caracterizados quatro sistemas poliméricos: polímero com impressão molecular (MIP), projetado para reconhecer seletivamente a molécula de CBZ; o MIP funcionalizado com transferrina (MIP-T), visando receptores da BHE; e os seus respectivos controles, polímero não impresso (NIP) e não impresso revestido (NIP-T). Ambos apresentaram tamanho nanométricos (nm): 347, 391, 360 e 404 para MIP, NIP, MIP-T e NIP-T, respectivamente. Todos apresentaram, em pH fisiológico, potencial elétrico superficial abaixo de -40mV, carga a qual evita a agregação coloidal. Em relação a decomposição térmica, MIP, MIP-T, NIP e NIP-T apresentaram perda de massa em 272,7; 266,4; 293 e 291ºC, respectivamente. No processo de cinética de adsorção de CBZ, o modelo que melhor se ajustou para o MIP, NIP, MIP-T e NIP-T foi de Avrami. Em relação a isoterma, os modelos de Jovanovic, Langmuir-Freudlich, Langmuir-Freudlich e Lagmuir melhor se ajustaram ao MIP, NIP, MIP-T e NIP-T, respectivamente. Nos ensaios de liberação controlada, a CBZ liberou 100% em 5h, o MIP entrou em equilíbrio no tempo de 1,5h, liberando 52,4% de CBZ, o NIP entrou em equilíbrio em 2,5h, liberando 56,7% de CBZ, o MIP-T entrou em equilíbrio em 2,5h, liberando 81,4% de CBZ, o NIP-T entrou em equilíbrio em 2,5h, liberando 76,7% de CBZ. Nos ensaios de viabilidade celular em Caco2, a CBZ apresentou IC50 0,4515ug/mL, o MIP, NIP, MIP-T e NIP-T carreados com CBZ, apresentaram IC50 2,73/0,273; 1,51/0,151; 1,26/0,126; 2,03/0,203ug/mL. Em relação aos estudos com hCMEC/D2, a CBZ apresentou IC50 de 0, 4542ug/mL e os polímeros carreados apresentaram 4,66/0,466; 2,36/0,36; 1,04/0,104; e 1,16/0,16 ug/mL para MIP, NIP, MIP-T e NIP-T, respectivamente. O MIP, portanto, conseguiu diminuir a citotoxicidade da CBZ. Levando em consideração os resultados apresentados, os nanomateriais propostos mostraram-se promissores para o uso como carreadores de CBZ, tento em vista o perfil de liberação controlada e a toxicidade diminuída.Item Acesso aberto (Open Access) Poli (ácido metacrílico-co-etileno glicol dimetacrilato) na extração em fase sólida dispersiva magnética de anticonvulsivantes em saliva seguido de análise por HPLC(2025-02-25) Carrara, Camila Gabriela; Figueiredo, Eduardo Costa de; Rocha, Bruno Alves; Rosa, Mariana AzevedoDoenças neurológicas como a epilepsia são comumente tratadas com a administração de anticonvulsivantes e para o controle eficaz da doença, é essencial monitoramento da dose administrada desses medicamentos, em amostras biológicas. No entanto, compostos como macromoléculas presentes nessas matrizes podem interferir na análise cromatográfica. A saliva pode ser obtida de forma menos invasiva, é de fácil coleta com concentração de fármacos que pode ser correlacionado à fração sanguínea não ligada às proteínas, tornando-se uma amostra alternativa ao sangue. Portanto, o presente estudo empregou o material magnético poli (ácido metacrílicoco- etileno glicol dimetacrilato) (M-CP, do inglês magentic copolymer) na extração em fase sólida dispersiva dos fármacos primidona, fenobarbital, fenitoína e carbamazepina em saliva humana, seguido de análise por cromatografia líquida de alta eficiência. O material foi obtido em 4 etapas: i) síntese das nanopartículas de Fe3O4, ii) funcionalização das nanopartículas de Fe3O4 com tetraetilortosilicato (Fe3O4@TEOS), iii) modificação das nanopartículas em Fe3O4@TEOS@MPS e iv) síntese do M-CP. Para caracterização destes, foram realizadas as técnicas de FT-IR, MEV, potencial zeta e análise térmica. A otimização da extração foi realizada pelo delineamento composto central rotacional e as condições ótimas resultaram em pH 5,78; 12,8 mg de material; 2,18 mL de amostra. Os estudos de adsorção do M-CP indicaram que o modelo de Avrami como o melhor ajustado os dados de cinética, sendo o tempo de equilíbrio alcançado em aproximadamente 60 minutos. Para isoterma de adsorção o tempo foi fixado e o modelo de Jovanovic foi o melhor ajustado, sendo a capacidade máxima de adsorção do material de 10,96 mg g-1. O método desenvolvido e validado foi linear em uma faixa de 2 a 30 mg L-1 para fenobarbital e primidona, e de 1 a 30 para fenitoína e carbamazepina (linearidade R² > 0,99), valores de precisão de 0,34% a 23,76% e exatidão de -13,37% a 14,81% foram obtidos. O limite de detecção variou de 0,48 a 1,30 mg L-1, enquanto o limite de quantificação se apresentou abaixo do nível terapêutico. O método desenvolvido é vantajoso e permite a determinação da concentração de analitos utilizando uma pequena quantidade de saliva e uma rápida técnica de extração.Item Acesso aberto (Open Access) Síntese e avaliação do potencial antimicrobiano de derivados piperazínicos do eugenol(2023-06-29) Lapa, Igor Rodrigues; Carvalho, Diogo Teixeira; Figueiredo, Sônia Aparecida; Araújo, Magali BenjamimA resistência apresentada por parte dos patógenos existentes no mundo todo, somada a falta de antimicrobianos inovadores são grandes problemas para a humanidade, principalmente em tempos pós-pandemia. Nesse sentido, a Química Medicinal se destaca como uma área muito importante tendo em vista seu papel no descobrimento e planejamento de novos candidatos a fármacos. Produtos naturais são, há muito tempo, empregados como substâncias de partida na elaboração de derivados potencialmente bioativos, muitas vezes por derivatização com grupos químicos reconhecidamente importantes como farmacóforo. Tendo isso em vista, e levando em conta as pesquisas deste grupo com eugenol e seus análogos, objetivou-se com deste trabalho sintetizar dezesseis derivados piperazínicos do eugenol/dihidroeugenol, caracterizá-los, avaliar sua citotoxicidade e suas atividades antibacteriana, antimicobacteriana e tripanossomicida in vitro. Para a síntese dos derivados, empregou-se essencialmente a reação de Mannich envolvendo eugenol ou dihidroeugenol, formaldeído e um conjunto de diferentes piperazinas. As substâncias planejadas, denominados IRLAE1-IRLAE10 e IRLAD1-IRLAD10 foram obtidas com rendimentos entre 10-84% e tiveram suas identidades comprovadas por métodos de análise estrutural. Das 16 substâncias sintetizadas, 13 são inéditas. Das avaliações biológicas, observou-se que todas elas apresentaram citotoxicidade somente acima de 500 µM e que demonstraram apenas baixa atividade contra o parasita Trypanosoma cruzi (acima de 125 µM). Entretanto, os derivados IRLAE8, IRLAE9, IRLAE10, IRLAD4, IRLAD9 e IRLA10 mostraram atividade antibacteriana e antimicobacteriana expressivas (CIM entre 1,22 e 19,53 µg.mL -1 ) contra todas as espécies testadas (Mycobacteroides abcessus, Mycobacterium fortuitum, Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa), inclusive contra isolados clínicos resistentes. Ainda, essas seis substâncias mostraram-se ativas contra a formação de biofilmes de espécie em valores de fração da concentração inibitória mínima. Esses achados apontam parte dos produtos como promissores e os destacam como bons protótipos para estudos mais aprofundados na busca de novos antimicrobianos.Item Acesso aberto (Open Access) Síntese e caracterização de nanopartículas multifuncionais de biossurfactante iturina-nafamostat, ação em membranas biomiméticas, modulação inflamatória e redução da infecção viral in vitro em astrócitos(2024-12-05) Oliveira, Camila dos Santos; Carvalho, Flavia Chiva; Silva, José Mauricio Schneedorf Ferreira da; Ceron, Carla SperoniA Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) causada pelo SARS-CoV-2 e suas complicações neurológicas representam um desafio significativo para a saúde pública global. Apesar dos avanços alcançados desde o início da pandemia, a identificação de terapias multifuncionais que possam abordar simultaneamente as manifestações pulmonares e neurológicas da COVID-19 permanece limitada. Estudos anteriores de nosso grupo demonstraram que biossurfactantes associados a inibidores de protease exibem potencial antiviral contra o SARS-CoV-2 (patente pendente). Este trabalho teve como objetivo sintetizar e caracterizar nanopartículas (NPs) de biossurfactante iturina contendo o inibidor de protease nafamostat (NPN), avaliar sua interação com o modelo de membrana lipídica suportada (s-BLM) e investigar seus efeitos em modelos in vitro de inflamação e infecção viral em astrócitos. As NPN e NPs de biossurfactante iturina controle (NPC) foram obtidas por microemulsão dupla do tipo água/óleo/água (A/O/A). O tamanho hidrodinâmico e a polidispersão foram analisados por espalhamento dinâmico de luz (DLS). A eficiência de encapsulamento do nafamostat foi calculada através da equação: EE (%) = [(Ct − Cs)/Ct] × 100. O perfil de liberação das NPN foi avaliado por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC) em intervalos de até 1 à 72 horas. A Interação das NPC com a s-BLM foi investigada por voltametria cíclica. A citotoxicidade foi avaliada em culturas primárias de astrócitos e microglia utilizando o ensaio MTT. Nos ensaios de inflamação, astrócitos estimulados com lipopolissacarídeo (LPS) foram tratados com NPC e NPN. A liberação de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α e IL-6) foi quantificada por ELISA, enquanto a imunofluorescência foi empregada para avaliar a expressão da proteína fibrilar glial ácida (GFAP). Adicionalmente, a infectividade viral foi avaliada por um modelo pseudotipado de vírus (VSV-SARS-CoV-2-S) em astrócitos tratados, com quantificação da porcentagem (%) de células infectadas pela fluorescência da proteína mCherry. Os resultados indicaram uma eficiência de encapsulamento de nafamostat de 85%, com liberação controlada de 22% a 47% ao longo de 72 horas. As análises de voltametria ciclíca sugeriram que as NPC apresentam ação sobre a membrana s-BLM, premitindo a passagem de íons ferricianeto de potássio [Fe(CN)6]3− após 4 à 5 horas de interação com as NPC. A viabilidade celular manteve-se superior a 70% em todas as concentrações testadas. Nos modelos inflamatório, apenas as NPN reduziram a produção de TNF-α, enquanto que para IL-6 tanto NPC e NPN reduziu a citocina. No modelo viral, as NPC reduziram a infectividade do VSV-SARS-CoV-2-S (mCherry) in vitro em astrócitos. Conclui-se que, as NPC e NPN de biossurfactante iturina apresentam ação sobre membranas (s-BLM), possui potencial para modular processos inflamatórios in vitro em células do sistema nervoso central (SNC), e a presença do biossurfactante iturina em sua composição apresenta potencial para reduzir a infecção viral in vitro pelo (VSV-SARS-CoV-2-S). Este trabalho contribui com estratégias inovadoras para entrega de inibidores de protease ao SNC, ampliando suas aplicações em doenças neuroinflamatórias.
