Relevância clínica e epidemiológica do exame parasitológico de fezes em amostras submetidas à investigação de sangue oculto
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Resumo
As enteroparasitoses permanecem como importante desafio em saúde pública, especialmente em contextos de vulnerabilidade sanitária. O presente estudo teve como objetivo verificar a presença de formas parasitárias em amostras de fezes encaminhadas para a pesquisa de sangue oculto, discutindo sua relevância clínica e epidemiológica. Foram analisadas 95 amostras no Laboratório de Parasitologia Clínica da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), no segundo semestre de 2024, utilizando o método de sedimentação espontânea (HPJ/Lutz). Entre as amostras, 87 (92%) foram negativas, 7 (7,3%) positivas e 1 (1,05%) inconclusiva. As espécies identificadas incluíram Endolimax nana (1 caso), Entamoeba coli (3 casos) e Strongyloides stercoralis (3 casos). Embora a positividade tenha sido baixa, os achados revelam aspectos relevantes: os protozoários não patogênicos, ao funcionarem como indicadores epidemiológicos de contaminação fecal-oral, apontam para falhas de saneamento e higiene; já o S. stercoralis representa risco clínico imediato, sobretudo em indivíduos imunocomprometidos, podendo evoluir para formas graves. Os resultados reforçam que o exame parasitológico de fezes deve ser considerado como ferramenta complementar ao teste de sangue oculto, ampliando a segurança diagnóstica, prevenindo interpretações equivocadas e contribuindo para o uso racional de recursos de saúde. Conclui-se que, mesmo diante de baixa positividade, a realização do exame parasitológico mantém-se pertinente, integrando dimensões clínicas e epidemiológicas e se consolidando como instrumento estratégico para a prática médica e a saúde pública.
