Ensino de química e educação ambiental: o cultivo hidropônico no desenvolvimento do estudo de soluções químicas
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
Ao longo dos anos a relação entre o ser humano e a natureza se modificou de diversas maneiras, associada à revolução dos modelos da sociedade e do desenvolvimento científico e tecnológico da modernidade. A sociedade atual vem enfrentando uma crise socioambiental que afeta diretamente o planeta. Dessa forma, entende-se a necessidade de os processos de ensino e aprendizagem estabelecerem um diálogo com situações reais incorporando essas discussões ao currículo escolar, particularmente no ensino de Química, de modo a proporcionar aos estudantes contribuições que relacionam seu cotidiano a conteúdos científicos para criar caminhos que possibilitem repensar as problemáticas socioambientais. Nesse sentido, a pesquisa apresentou como objetivo analisar a compreensão dos estudantes sobre aspectos conceituais e socioambientais envolvendo o conteúdo de soluções químicas, por meio da implantação de um sistema hidropônico como ação de educação ambiental. A pesquisa, conduzida com estudantes do 2° ano, matriculados em uma escola estadual do sul de Minas Gerais, possui uma abordagem metodológica qualitativa de natureza interpretativa, com a utilização da observação participante, que possibilita ao pesquisador entrar no mundo social dos participantes do estudo, e utilizou como instrumentos de coleta de dados, questionário prévio e avaliativo, audiogravação, formulário e diário de campo da pesquisadora. Os resultados indicaram que, embora os estudantes demonstrassem uma forte compreensão intuitiva de exemplos qualitativos de soluções, apresentavam fragilidade na argumentação científica e dificuldades com cálculos. A prática como ação ambiental funcionou como um mecanismo de aprendizagem ativa, catalisando o entusiasmo e o trabalho colaborativo. Os resultados finais confirmaram um salto significativo no domínio conceitual, com melhora na segurança e na assimilação do vocabulário de soluções químicas, apesar da persistência em concepções alternativas e na dificuldade com abstrações matemáticas. Em termos socioambientais, a intervenção foi crucial: expandiu a percepção dos estudantes de problemas pontuais para uma compreensão sistêmica da crise, que se estendeu à saúde e à ética. A experiência prática com a hidroponia e as discussões sobre agroecologia consolidaram o desenvolvimento de uma consciência crítica e responsável, reforçando o potencial da Educação Ambiental (EA) para transformar o conhecimento em ação social e investigativa, apesar dos limitantes de custo e tempo inerentes à metodologia.
