Fotogrametria: um atlas virtual 3D de crânios humanos como principal ferramenta de banco de dados para pesquisa, ensino e identificação de pessoas desaparecidas

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2026-02-26

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Resumo

O desaparecimento de pessoas constitui um problema social e humanitário de grandes proporções no Brasil. Nesse contexto, a antropologia forense assume papel fundamental, especialmente com o apoio de tecnologias digitais que permitem o registro, a preservação e o estudo detalhado de remanescentes ósseos. A criação de bancos de dados tridimensionais representa um avanço importante na integração entre ciência, tecnologia e justiça, ampliando as estratégias de investigação e ensino dentro das universidades e instituições periciais. O presente trabalho teve como objetivo desenvolver o HumanTrace, um atlas virtual 3D de crânios humanos obtido por meio da técnica de fotogrametria, com a finalidade de criar um banco de dados digital acessível e interativo voltado ao ensino, à pesquisa e à identificação humana. O estudo foi realizado no Laboratório de Antropologia Física e Forense (LAFF) da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), utilizando cinquenta crânios humanos do acervo institucional. As imagens foram capturadas com câmera digital Nikon D7100 e renderizadas no software Polycam, seguindo protocolo padronizado de fotografias em múltiplos ângulos, o que possibilitou a criação de modelos tridimensionais fidedignos e de alta resolução. O Atlas Virtual, hospedado no site da UNIFAL-MG, permite a visualização e manipulação dos crânios em 360°, com zoom e rotação livre, facilitando o estudo detalhado das estruturas anatômicas e a comparação entre variações morfológicas. Os resultados demonstraram que a fotogrametria é uma técnica viável, precisa e de baixo custo, capaz de reproduzir estruturas ósseas com alta fidelidade, preservando o acervo físico e ampliando seu uso educacional. O projeto mostrou-se também relevante no contexto social, ao alinhar-se aos princípios da Lei nº 13.812/2019, que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, contribuindo para a construção de bancos de dados digitais que possam futuramente ser integrados a sistemas nacionais de identificação. Dessa forma, o HumanTrace representa um potencial avanço para a antropologia forense digital, oferecendo uma ferramenta de apoio ao ensino, à pesquisa e às práticas periciais, ao mesmo tempo em que reforça o compromisso ético e científico com a dignidade e a memória humana


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